A Vila (2004)

Com história ousada e bem construída Shyamalan elabora um belo thriller de suspense com outro final que surpreende gerando reflexão sobre a sociedade em que vivemos.

E se tudo que vivemos fosse uma grande mentira? E se for realmente uma grande mentira? É nessa hipótese que Shyalaman se baseia, uma proposta parecida, porém realizada de forma diferente que “O Show De Truman” de Peter Weir em 1998. Porém eu diria que Shyalaman desenvolveu e criou uma história mais complexa e misteriosa, Peter Weir buscou realizar um drama. Os dois tiveram êxitos.

“A Vila” se passa em 1897 onde em um vilarejo, pessoas simples vivem cercadas por uma imensa floresta, completamente isolados do mundo. Nessa vila os habitantes fizeram um pacto para que ninguém saísse em direção à cidade visto que esta é um local de violência e medo. Shyalaman incrementa em sua história outra sacada muito boa. Tentando impedir a saída das pessoas ele adiciona criaturas que vivem nas florestas, chamadas de “Aquele que não mencionamos”.

Em toda a Vila nada poder ter a cor vermelha, simbolizando porque não o sangue, a morte, é a “cor ruim”. Existe um trato simples: Ninguém invade o território do outro. Quando Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) decide partir para a cidade em busca de remédios ele encontra restrições por parte da assembléia formada na Vila, encabeçado por Edward Walker (Willian Hurt). Animais começam a ser mortos e esfolados, criando pânico entre os moradores. Seria um aviso para que não ultrapassassem o limite do vilarejo.

Lucius Hunt irá se casar com a deficiente visual Ivy Walker (Bryce Dallas Howard), filha de Edward. Mas é quando um acidente acontece. Noah Percy (Adrien Brody), um deficiente mental, ataca Lucius, o deixando entre a vida e a morte. Totalmente apaixonada Ivy está decidida a atravessar a floresta e conseguir remédios para seu amado.

Uma história complexa de Shyalaman criou grande controvérsia. Uns adoraram o filme, outros não entenderam ou não gostaram. Aos dois últimos aconselho que assista novamente ao filme. Particularmente eu só fui entender o quão bom é filme depois de assistir pela segunda vez.

A parte técnica do filme é irrepreensível, assim como em “O Sexto Sentido” Shyalaman aposta em um tom escuro para criar tensão no espectador. Os pequenos detalhes, todos minuciosos são característica já cravadas do diretor. Porque o vermelho é a cor proibida? Porque não o verde, o preto? Vermelho de sangue, de morte…..de inferno. O fato do homem considerado o mais corajoso, que almejava sair daquela realidade ser salvo por uma deficiente visual. Invertendo uma situação mais convencional, que seria o contrário: O mais corajoso salvando a mais necessitada. Talvez não muito relevante mais extremamente filosófica. Bryce Dallas Howard que vive a meiga garota Ivy está perfeita. Willian Hurt também surpreende.

Uma das melhores tomadas do filme é quando Lucius se declara a Ivy. Shyalaman consegue aos poucos dar um close gerando intensa emoção. A trilha sonora também impressiona, o ótimo trabalho de James Newton Howard com arpejos lindos de violinos dão mais intensidade as cenas emocionais e também de suspense.

Shyalaman trabalha com algo difícil de se lidar e se pensarmos bem, isso não é nada impossível de acontecer, a criação de uma ideologia, a mentalidade uma “Lavagem Cerebral”. Olhemos para o Estados Unidos, só bobo acho que os americanos não são a Assembléia de “A Vila”.

Somos apresentados ao “American Way of Life”, o mundo ideal de se viver é o estilo americano. Mas que disse isso? Quem me comprova que eu vou ser o mais feliz se eu tiver o melhor emprego, o melhor carro, a melhor namorada, a melhor casa. Em “Beleza Americana” também o diretor Sam Mendes nos abre os olhos para isso. Em um mundo cheio de desesperanças é totalmente possível e plausível a criação de uma vila. Obviamente é uma metáfora.

“Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade” e “Aquele que não mencionamos”. Não vejo diferença nenhuma….

E você acredita que tudo em sua volta é real? Acredita? Noah Percy (Adrien Brody) também.

Nota: 8,5


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