2009, Cinema, Críticas

Onde Vivem os Monstros (2009)

Crítica:

Um filme que poderia ter sido mais. Com uma resolução fraca e péssimo desenvolvimento dos monstros, fica devendo. Detalhe para uma trilha sonora que é de arrepiar.

Tratar de pensamentos, fantasias ou imaginações já é complicado, se tratando de crianças então a dificuldade aumenta. “Onde Vivem os Montros” foi falhou nesse quesito. Com uma boa idéia baseada no livro de Maurice Sendak o diretor Spike Jonze falha em sua execução.

Spike Jonze é considerado por muito como um dos grandes produtores dessa nova geração, apesar de ter dirigido apenas três filmes o diretor conseguiu agradar boa parte do público. Spike foi indicado ao Oscar pelo roteiro nada tradicional de “Quem quer ser John Malkovich” e dirigiu também “Adaptação” filme que rendeu Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Chris Cooper. Porém em seu terceiro filme Spike não conseguiu transmitir o que ele desejava. Sabendo-se que obviamente o público alvo de “Onde Vivem os Monstros” são as crianças o diretor acabou deslizando em alguns detalhes, por horas minuciosas, mas certas vezes gritantes.

Max (Max Records) é um menino extremamente solitário, ao mesmo tempo bagunceiro e com uma imaginação muito fértil. O menino sofre com a falta de atenção de sua irmã mais velha, Gracie (Pepita Emmerichs) e principalmente de sua mãe (Catherine Keener) atolada com seu emprego e com seu namorado (Mark Ruffalo) – que não sei porque literalmente nesse filme não pronunciou uma palavra – . Depois de uma discussão com sua mãe, Max foge correndo de sua casa. É aí que ele vai parar em um local desconhecido habitado por monstros nada cativantes.

A primeira parte do filme é extremamente interessante, se adentrando no mundo monstros, Max os faz acreditar que ele é um Rei. Com uma trilha sonora magistral na qual vou resenhar posteriormente, conseguimos sim embarcar e

acreditar no mundo criado por Max – esse talvez fosse o maior desafio se Spike, fazer o mundo criado por ele parecer crível – . Entretanto a segunda parte do filme é um desastre. O monstro Carol parece ter dupla personalidade, a personagem no começo extremamente simpática, amorosa começa a ficar rancorosa, raivosa com uma explicação totalmente sem nexo dada por Spike Jonze. O diretor deixa no ar algumas perguntas que só lendo o livro mesmo para saber. Ele não deixou claro o porque da briga entre Carol e KW? Porque Carol odeia tanto as corujas amigas de KW? Porque os monstros comeram os reis anteriores? E mais algumas arestas deixadas ou por descuido, ou imaginando que não iria atrapalhar em nada. Atrapalhou.

Outro ponto que pode atrapalhar a recepção do filme é o fato dos monstros não serem nada cativantes ou no mínimo atraentes, uma criança olhar um bode com cabelos vermelhos e chifre talvez não seja a figura de seus sonhos. A parte o roteiro fraco é fundamental destacar a parte técnica do filme. Uma fotografia espetacular, talvez a melhor cena do filme a tomada em que os monstros e Max estão em uma rocha e bate o pôr-do-sol, fantástica. A própria imagem do pôster onde Max e Carol estão no deserto é simplesmente linda.

Mas o que merece um parágrafo a parte é a trilha sonora brilhante, o trabalho realizado por Carter Burwell e Karen Orzolek é sem sombra de dúvida a melhor parte do filme e sinceramente poucas trilhas sonoras conseguem atingir tanto no quesito emoção, mas em “Onde Vivem os Monstros” é completamente diferente. Carter Burwel que teve sempre uma carreira muito ligada aos irmãos Coen – Burwell já trabalho em filmes como “Teoria da Conspiração” e “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto”. Recentemente Burwell compôs as musicas instrumentais de “Crepúsculo”. Porém essa pode ser a consagração de Burwell, com músicas fantásticas ele realizou seu trabalho mais perfeito. Em parceria com Karen Orzolek, que já participou da trilha de “Não Estou Lá” filme sobre o cantor Bob Dylan, e compôs a música de tema de “Onde Vivem os Monstros”, chamada de All is Love – ótima por sinal.

Partes técnicas a parte faltou um pouco mais de cuidado para Spike Jonze, se o filme sobrou na edição de som e na composição dele faltou muito no roteiro. O filme não é ruim – existem cenas lindas e comoventes, basta ver a beleza quando Carol e Max rolam na areia – porém pelas pretensões que eu imagino que Spike tinha, acabou pecando nesses aspectos.

“Onde Vivem os Monstros” deve ser acompanhado por todos, uma trilha sonora de arrepiar e uma lição vida – mesmo mal contada – sempre caem bem.

Nota: 5,5


4 comentários em “Onde Vivem os Monstros (2009)”

  1. Olá Filipe

    Bom, vi o filme essa semana e sua resenha traduz bem minha impressão, mas no fundo é um filme emocionante e que brinca com todas (sem exageros) nossas emoções.
    sobre sua questão “Porque Carol odeia tanto as corujas amigas de KW?” essa acho que foi respondida sim, apesar de não ser bem explicita, o que deu pra entender é que Carol estava MORRENDO de ciúmes dos amigos de KW, ele queria que ela não se afastasse do grupo e como as corujas serviam de oráculo que só KW entendia, ele temia que eles influenciasse e convencessem ela a se afastar. E como ele estava nitidamente apaixonado por ela, as corujas eram uma ameaça. Isso se reflete na nossa vida, quantas vezes não odiamos pessoas que nem conhecemos só pq elas também recebem atenção da pessoa que gostamos? Suas outras questões são válidas e devo dizer que o autor realmente ficou devendo!

    Abraços
    Ótimo blog e ótimas resenhas!

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