2009, Cinema, Críticas

Preciosa – Uma História de Esperança (2009)

Crítica:

Uma história emocionante e de superação que se apóia nas ótimas atuações de Gabourey Sidibe e Mo’Nique, porém o filme em si possui inúmeras falhas.

Geralmente um filme quando se baseia em uma obra, acaba tendo já uma base para se desenvolver, muitos filmes acabam usando erroneamente essa base, como o péssimo “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” outros, porém são quase que perfeitos em sua adaptação, como a saga “O Senhor dos Anéis”. Mas para uma obra ser adaptada as telonas do cinema precisa de algo a mais, não só passar do papel para o cinema, e sim precisa se reciclar, precisa de uma magia a mais, precisa literalmente se adaptar. Esse é o grande defeito de “Preciosa – Uma História de Esperança”.

O filme se resume apenas há uma simples resolução da obra de Sapphire, não tentando inovar em algo, ou no que ele tenta acaba não surtindo o efeito esperado. Porém o que deve se destacar é a história em si, ou seja o Romance de Sapphire, com uma simplicidade tocante e uma tema extremamente delicado, a história de Precious é comovente, esperançosa e em certo ponto animadora, principalmente para pessoas que deixam se abater por coisas simples, por mais adverso que tudo possa parecer, Precious nos dá um exemplo de que nada é irreversível, ou impossível.

Claireece Jones Precious (Gabourey Sidibe) é uma adolescente extremamente sofrida e triste, analfabeta ela vive nos subúrbios de Harlem na década de 80 com sua mãe, á asquerosa Mary (Mo’Nique). Precious sofre desde pequena dos abusos físicos e sexuais de seu pai, já engravidando duas vezes dele. Vivendo um conflito diário com sua mãe, discussões e brigas se tornaram um hábito comum na vida de Precious. A adolescente acabará de ser expulsa de seu colégio. Grávida, sem emprego e analfabeta Precious tem a “obrigação” de sustentar sua mãe que fica o dia todo reclamando e vendo televisão. Porém é quando a garota conhece uma escola “especial”, onde garotas na mesma situação são ajudadas pela Srta. Rain (Paula Patton) que sua vida muda completamente, com a chegada de seu novo filho de uma coragem que ela jamais acreditava existir dentro dela e principalmente esperança, Precious sai em busca de um recomeço para sua vida.

Uma história emocionante do começo ao fim, o trabalho de Sapphire (realizadora do romance) é impecável, com passagens tocantes e que nos fazem refletir, acaba sendo uma lição de vida. O grande problema foi que o ainda inexperiente Lee Daniels não soube passar toda magia necessária, para cativar e para entreter o público. Totalmente compreensível que o jovem diretor sofra esses deslizes, ela só havia realizado o mediano “Matadores de Aluguel” em 2005 e só agora voltou com esse bom filme, não mais do que isso.

Deixando a história em si a parte, iremos a partir de agora nos focar no filme propriamente dito, em toda sua parte técnica e composição. O que mais me intrigou no filme é a incrível falta de trilha sonora, um filme tão emocionante como esse jamais poder carecer de trilha-sonora, o filme apenas conta com algumas músicas, mas não fazem parte de uma trilha, que seria aquela musica quase imperceptível, porém o que dá um toque a mais, aliando a emoção visual com a sonora. Isso incomodou bastante. A tentativa de representar os sonhos de Precious também acabaram não surtindo o efeito desejado, a garota que em certas partes vive no mundo da imaginação infelizmente não ganhou realidade nas mãos de Lee Daniels. A fotografia também não impressiona, principalmente em momentos em que a trama se passa na casa de Precious, a iluminação precária não poderia atrapalhar o público, talvez uma focalização melhor nas expressões das personagens seria a melhor forma de continuar com a escuridão que literalmente representava aquela casa e conseqüentemente não atrapalhando a continuidade da direção, peca também na má representação dos subúrbios de Harlem na década de 80, pouco explorado pelo diretor.

Agora o que com certeza vale o ingresso é a magnífica atuação de Mo’Nique e Gabourey Gidibe, uma grande surpresa (literalmente?!). As atrizes dão um show em tela, a dualidade de Gabourey no papel de Precious é impecável, se no mundo real ela é uma garota completamente deprimida e para baixo, em seus pensamentos ela é uma garota alegre, sorridente e feliz, incrível como Gabourey consegue realizar com maestria essas passagens, não deixando nem resquícios de serem a mesma pessoa, a não ser pela parte física em si, porém percebemos claramente que espiritualmente são outras pessoas, fantástico. Mo’Nique um primor em cena, deixando qualquer um que assista com raiva de sua personagem, de tão asquerosa, e nojenta que é a mãe de Precious. Atriz que já fez alguns trabalhos pequenos como “O Bom Filho a Casa Retorna” e “Garotas Formosas” foi praticamente uma achada de Lee Daniels, atriz venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante. Disso Lee Daniels pode se orgulhar em dizer que “revelou” duas ótimas atrizes. O filme ainda conta com participações especiais dos cantores Lenny Kravitz e Mariah Carey

Resumindo. Os pontos forte de “Preciosa – Uma História de Esperança” são suas atuações e a história em si, muito comovente e inspiradora; porém o filme peca em sua técnica pouca apurada e escassez de trilha-sonora.

Além da vitória de Mo’Nique no Globo de Ouro, o filmes recebeu 6 indicações ao Oscar 2010, nas categorias: Melhor Filme, Atriz (Gabourey Sidibe), Atriz Coadjuvante (Mo’Nique), Diretor (Lee Daniels), Roteiro Adaptado (Geoffrey Fletcher) e Montagem.

Técnica a parte a visão de mundo apresentada por Lee Daniels é sensacional, tocando em um ponto delicado o diretor se intromete no mundo cinematográfico com um obra tocante, emocionante e esperançosa para todos que sofrem com qualquer tipo de problema, deixando a lição que jamais devemos nos abater e abaixar a cabeça.

Se Precious em sua situação tão complicada conseguiu vencer na vida, porque nós não podemos?

Nota: 6,0


5 comentários em “Preciosa – Uma História de Esperança (2009)”

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