A Caixa (2009)

Original e como sempre muito estranho, Richard Kelly em “A Caixa” nos entrega mais um trabalho inusitado. E o resultado, vejam só, é estranhamente positivo.

Descrever o que se passa na cabeça de uma pessoa é complicado, de um diretor ainda mais, agora a de Richard Kelly desista!! Um dos diretores com maior originalidade dos últimos tempos, que podemos compará-lo a Quentin Tarantino e Spike Jonze, mas Kelly ganha de todos estes em um quesito: Maluquice.
Apesar de filmes “malucos”, Richard consegue impor um ritmo convincente, apesar de obviamente a história ser sem pé e sem cabeça. Como pode algo desses?? Vamos ver……

Para quem não conhece Richard Kelly, ele dirigiu o nada convencional “Donnie Darko”, contando a história de um típico adolescente perturbado de classe média. Após escapar por pouco da morte por ter ouvido um coelho do tamanho de um homem adulto, Donnie é convencido por este mesmo coelho, de aparência perturbadora, a criar o caos. O filme é um quebra-cabeça temporal, e pode ser interpretado sob diferentes formas.

Pois bem, foi assim que o mundo conheceu Richard Kelly, um filme um tanto quanto estranho, assim como o seu outro trabalho “Southland Tales – O Fim do Mundo”, mas que de maneira nenhuma ele deixa o lado cinematográfico de lado é esse o maior trunfo de Kelly: Mesmo uma história teoricamente sem nexo, consegue ser personificada em algo verossímil, e convenhamos, isto realmente é algo muito complicado.

Aqui em “A Caixa”, ele deixa claro também toda “fantasia” em suas histórias: Norma Lewis (Cameron Diaz) é uma professora e o seu marido, Arthur (James Mardsen), é um engenheiro da NASA. Eles são um casal com um filho que leva uma vida normal morando no subúrbio dos EUA, mais precisamente em Virgínia. Tudo muda quando um misterioso homem, Arlington Steward (Frank Langella) aparece com uma proposta tentadora: uma caixa com apenas um botão, que quando apertado deixaria a pessoa milionária, mas ao mesmo tempo tiraria a vida de alguém desconhecido.
Norma e Arthur têm 24 horas para fazer a escolha. Logo eles irão descobrir que certas escolhas estão fora de seu controle e vão muito além da fortuna e do destino.

Essa é a grande sacada de Richard Kelly, “Quem nós realmente conhecemos?”, qual é o verdadeiro significado da palavra “Conhecer”? Será que nós, seres humanos, conhecemos nossos filhos? Nossas esposas? Nossos amigos? A nós mesmos?
Todas essas perguntas são jogadas no ar em “A Caixa”, e são perguntas totalmente pertinentes. Então vamos colocar assim, “A Caixa” pode ser resumido como um filme ‘Existencialista’.

O ‘Existencialismo’ é uma corrente filosófica que destaca a liberdade individual, a responsabilidade e a subjetividade do homem. O existencialismo considera cada homem como um ser único que é mestre dos seus atos e do seu destino. É realmente algo complicado de se trabalhar, mas também muito saboroso para quem gosta destas mensagens.

E mais, depois de apertado o botão, a pessoa ganha 1 milhão de dólares, porém a caixa será dada para outra pessoa, detalhe, uma pessoa desconhecida…. Então quem apertou o botão sempre será o próximo?

Analisando tecnicamente o filme também não deixa nada a desejar, a maquiagem utilizada em Frank Langella é excelente, na trama ele não tem parte do rosto, um trabalho árduo, mas de muita competência da direção de maquiagem. O filme se passa em Virgínia – EUA em 1976, então Kelly acerta mais uma vez na fotografia deste, a fotografia setentista utilizada em “A Caixa” é muito competente, assim como em “Donnie Darko” apesar de que este se passa nos anos 80. E vejam só, tudo isso encabeçado por um baixo orçamento.

Porém devo admitir que a explicação desse mistério deixe muito a desejar (algo já esperado, como explicar com coerência uma caixa que te dá 1 milhão de dólares e mata uma pessoa), mas mesmo assim é algo que Richard Kelly deva repensar, e tentar dar uma resolução melhor dos fatos. Esse é o grande aspecto negativo de “A Caixa”. Quem for esperando um filme de terror, irá se decepcionar, aqui temos um suspense, por que não no máximo um filme de “terror-B”, Kelly se baseia em prender o telespectador mais pela tensão, do que por sustos, a mesma tendência utilizada em “Atividade Paranormal”, sustos são poucos, mas a tensão está existente em quase todo o filme.

Cameron Diaz uma atriz pouco falada realiza um trabalho muito convincente, apesar de sempre ser um mártir de papéis ridículos como “As Panteras” e “Jogo de Amor em Las Vegas” a bela atriz mostra aqui em um filme de baixo orçamento seu talento, quem não se lembra de seu papel em “Quem quer Ser John Malkovich” e “Vanilla Sky”. Frank Langella de novo, dá um show, depois do “up” dado em sua carreira por sua atuação magistral em “Frost/Nixon”, Langella há muito tempo no cinema, parece ter agora um reconhecimento merecido por todos seus trabalhos. O ponto fraco fica por James Mardsen (o Ciclope de “X-Men”) que até tenta se adequar ao drama/suspense vivido por seu personagem, mas a resposta é apenas normal, ele está mais mesmo para filmes de ação e comédia românticas, um Gerard Butler da vida.

Vamos classificar o filme como bizarro, e não vou aconselhar-los a assistirem, é um filme difícil, que só quem simpatizar com a história, ou for fã de “Donnie Darko” irá apreciar o filme.

Apesar de toda mistura, o filme é estranhamente bom.

Nota: 7,0

por Filipe Ferraz

2 comentários Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s