Cinema, Críticas, ReleMMbrando

Rio Congelado (2008)

“Rio Congelado” acerta em ter coragem ao mostrar um mundo pouco explorado no cinema, mas peca em seu desenvolvimento. Melissa Leo está incrível.

Posso dizer que tive uma surpresa muito grande quando ouvi falar da estréia do filme “Rio Congelado”, a história me chamou muita atenção. Logo fui vendo quem iria dirigi-lo, a encarregada de tal fato era a estreante Courtney Hunt. O resultado foi abaixo de minhas expectativas, por causa da direção precipitada desta, entretanto o roteiro bem conduzido e a atuação surpreendente de Melissa Leo dão o tom deste bom filme.

Pois bem, a história que chamou minha atenção foi tratar sobre o transporte de pessoas ilegais. Estamos nos limites do Estado de Nova York, perto da fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, onde há um território indígena reservado ao Mohawk. Somos então apresentados á Ray Eddy (Melissa Leo), uma mãe que acabara de ser abandonada por seu marido, um viciado em jogos. A vida em Massena (uma vila de Nova York) é tão cruel quanto à paisagem ao seu redor. Ray sofre para pagar suas contas, não tendo dinheiro para quitar sua casa e alimentar seus filhos. É então que Ray encontra uma garota indígena, Lila (Misty Upham), em uma situação muito parecida – Lila teve seu filho “roubado” por sua sogra dias após seu nascimento. Só restando a esperança elas entram em um negócio rentável porém ilegal, e extremamente perigoso: Transportar imigrantes ilegais do Canadá para os Estados Unidos.

Algo que acontece demais nos Estados Unidos e também em outros países, Courtney Hunt escolhe um tema muito recorrente e proporcionalmente ótimo para construir sua trama. Porém seu pecado é exatamente este, a falta de manuseio em sua direção, apesar do roteiro bem trabalhado, fazendo dos personagens ‘seres’ tão frios quanto à paisagem ao seu redor, faltou uma maior interação entre os personagens centrais e o roteiro bem elaborado.

Mas apesar das falhas na direção, Courtney consegue tocar em pontos importantes, como o abismo de desesperança que dividem brancos e índios. O St. Lawrence (o rio congelado que dá nome ao filme) atravessa a reserva Mohawk entre os dois países, onde Ray e Lila atravessam para ganhar o seu dinheiro ilegalmente. Mas o rio em si é pouco explorado, seria um alvo fácil para metáforas e acontecimentos marcantes nas vidas da mãe de família e da indígena, mas infelizmente nem mesmo o nome do rio é mencionado no filme.
Então Courtney acerta em sua premissa, mas erra na execução desta.

A excessiva tentativa da diretora em transforma todas as cenas em dramas pesados, também foi algo que me incomodou, criando discussões digamos “forçados” como em uma passagem no filme onde Ray discute com seu filho por causa de um maçarico. Faltou um pouco mais de leveza em sua direção, mais fluidez, a cada minuto somos martelados com situações extremas vividas pelos personagens principais.

Apesar dos inúmeros equívocos de Courtney, “Rio Congelado” está longe de ser um filme ruim, apenas ficou devendo um pouco. A fotografia está muito adequada ao local, sem utilizar muitas luzes Courtney consegue deixar a paisagem em si, mostrar sua força, sem ficar enfeitando muito. O que faltou na direção sobrou na fotografia: Leveza.

Mas o maior êxito de “Rio Congelado” está sem sombra de dúvida em Melissa Leo, que realiza um trabalho surpreendentemente. A atriz tira forças não se sabe da onde para dar vida à pobre Ray. Com facetas incríveis, Melissa realiza um dos melhores papéis femininos dos últimos tempos. Melissa já havia trabalhado na obra-prima “21 Gramas” onde interpreta a esposa de Benicio del Toro, porém um papel pequeno. Agora aqui ela surpreende a todos com uma atuação incrível. Melissa Leo foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2009, mas acabou perdendo para Kate Winslet (“O Leitor”).

“Rio Congelado” recebeu duas indicações ao Oscar, á de Melissa Leo e na categoria de Melhor Roteiro Original (vencida por “Milk – Voz da Igualdade”). Foi vencedor do prêmio do júri de melhor filme de ficção em Sundance 2008.

Então resumindo o filme têm seu êxito em tocar em um ponto importante, que é o transporte ilegal de pessoas pelas fronteiras (no filme retratado pelos Estados Unidos, mas que podem se encaixar no mundo todo).

É um filme inteligente, forte (por vezes até demais) e principalmente corajoso. Comandado pela atuação fenomenal de Melissa Leo, “Rio Congelado” agrada, apesar de ficar devendo um pouco.

Nota: 6,0

por Filipe Ferraz

1 thought on “Rio Congelado (2008)”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s