Caso 39 (2009)

Uma mistura de várias ferramentas que já deram certo no terror. “Caso 39” tenta ser um thriller policial, tenta ser algo sobrenatural, tenta ser assustador. Tenta tudo, mas não é nada.


O diretor estreante Christian Alvart, em 2009 lançou logo de vez dois filmes. O odiado por muitos e adorado na mesma proporção “Pandorum” e o novo filme de Renée Zellweger, “Caso 39”. Um filme que começa muito bem, mas acaba se perdendo na inexperiência de Alvart. Talvez por todos estes defeitos, “Caso 39” ficou simplesmente três anos parado, por incompetência de seus produtores, tendo algumas modificações que podem ter prejudicado a trama (pelo menos eu espero).

Mas se existe algo que chama a atenção neste filme que estreou na ultima sexta-feira (09 de Abril) é a participação de Renée Zellweger, atriz que sempre se notabilizou por fazer dramas e comédias românticas. Aqui ela se arrisca no gênero terror. A atriz que – não aparenta – está com 40 anos e até tenta segurar o filme, mas não demonstra êxito, boa parte é verdade por conta do roteiro pífio de Ray Wright (o mesmo que roteirizou o péssimo remake, “Pulse”), mas eu senti que esta não é a praia de Renée. Ela fica devendo bastante. A atriz tem experiência de sobra e poderia ter conduzido melhor sua personagem (ridícula é verdade). Renée tem em seu currículo três indicações ao Oscar, pelos filmes “O Diário de Bridget Jones”, “Chicago” e “Cold Mountain” no qual se saiu vencedora.

Emily Jenkins (Renée Zellweger) é uma assistente social, que está atolado com inúmeros casos de crianças sofrendo pressões físicas e psicológica de seus pais. Ela possui 38 casos, é então que seu chefe, Wayne (Adrian Lester) lhe apresenta mais um caso (daí o título do filme). O problema é o seguinte: A garota Lilly Sullivan (Jodelle Ferland) é uma menina deprimida e anti-social, completamente isolada na escola, o problema aparentemente comum vai tomando proporções diferentes do padrão. Então no primeiro momento temos a idéia que o filme será um thriller policial, porém que em dez minutos depois já é logo desmentido: A menina Lilly é colocada por seus pais dentro de um forno, Emily consegue chegar a tempo e salvar a garota.
Então o suposto suspense é descartado rapidamente, a menina passa a morar com Emily e eventos estranhos e macabros começam a acontecer. Agora o gênero do filme passa a ser um terror sobrenatural.

O grande problema de “Caso 39” é essa alternância exagerada, o filme não foca em nada, fica pulando de galho em galho tentando se estabelecer em alguma subjunção, levando a não se definir qual rumo seguirá. Devo admitir que a história seja muito interessante (apesar de nada original), mas que nas mãos do diretor Christian Alvart é engolida por cenas de susto ridículas e mortes bizarras (no pior sentido), dignas dos piores filmes ‘b’ de terror.

A resolução como na maioria dos filmes deste gênero é totalmente sem sentido Então obviamente o filme tem que se apegar em dar o que o seu público alvo quer: Boas doses de susto. O que definitivamente não acontece.
“Caso 39” ainda utiliza táticas horrendas e totalmente batidas: Em certa cena em que paira o silêncio Renée segura um despertador, o aparelho do nada começa a apitar, uma tática principiante para impactar o público . A velha cena de o vulto aparecer no banco traseiro do carro é tanto clichê como as situações óbvias que os personagens principais são submetidos.

Mas se Alvart utiliza ferramentas totalmente batidas ele procura utilizar fórmulas que fizeram sucesso: A garota diabólica assim como em “A Órfã”; a utilização do telefone para a garota utilizar seus ‘poderes’ assim como “O Chamado” (existe até mesmo uma cena em que a garota Emily está idêntica á Samara….. É rir pra não chorar); também existem toques de “A Profecia”, enfim existem inúmeros provas da falta de imaginação de Alvart.

A atriz Jodelle Ferland que interpreta a diabólica Emily por si só já possui uma cara macabra e pelo seu papel é indiscutível não compará-la com Isabelle Fuhrman (esta sim dá um banho de interpretação em “A Órfã”. Bradley Copper (“Se Beber não Case”) tem uma discreta atuação e nos proporciona um dos momentos mais imbecis do filme, não vou contar para não ‘estragar’ o mistério!!!

E por falar em mistério acho que os produtores deviam prestar mais atenção nos trailers, o trailer de “Caso 39” entrega simplesmente toda história, todos os mistérios e as cenas que teoricamente seriam assustadoras, o mesmo erro existente em “Atividade Paranormal” (porém este aqui consegue mesmo assim crias sua tensão prometida).

Então “Caso 39” entrega seus mistérios muito facilmente, Renée Zellweger não convence em momento algum e o diretor utiliza táticas furadas para tentar obter sucesso.

Tenta ser um filme assustador, só tenta.

Nota: 4,0

por Filipe Ferraz

5 comentários Adicione o seu

  1. ademarjr disse:

    Olá Filipe…

    Nossa! Vc de fato odiou esse filme, né?
    Bom esse não foi um dos melhores filmes que já vi.
    Porém em minha resenha abordei mais o lado significativo dos seus elementos.
    Enfim, caso não tenha lido minha resenha, pode ler aqui: http://wp.me/pCGut-ee
    Colocarei o link da sua lá no meu post.

    Abraços!
    Ademar Júnior

    1. Filipe Ferraz disse:

      Pois é cara…

      Achei a história muito interessante, mas um filme de terror poderia se apegar mais em dar sustos, o que não aconteceu…. E o trailer já revela boa parte dos sustos, mesma coisa com “Atividade Paranormal”…

      Esperava mais…

      Obrigado pela visita!!
      Abraços.

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