Alice no País das Maravilhas (1951)

Um dos maiores clássicos dos estúdios Walt Disney. Uma obra que perdura de gerações em gerações, com um valor incalculável.

Certo dias desses, estava eu fazendo um visita rotineira para meus familiares, foi então que passou o trailer de “Alice do País das Maravilhas”, novo filme de Tim Burton que estréia nesta sexta-feira (23 de Abril). Foi então que meu primo de 5 anos falou: “Que legal Alice vai sair em filme também!!”. Juro que fiquei assustado, como uma criança de 5 anos tem inserido em sua infância uma produção de quase 60 anos de existência? Foi então que eu entendi a tal “Magia Disney”….

Então neste ‘post’ estarei inaugurando a categoria “Pré-Estréia”, que servirá como um aperitivo de continuações que estão por vir em 2010, e para iniciar, nada como um dos maiores clássicos de todos os tempos: “Alice no País das Maravilhas” de 1951.

Bom, todos devem saber que na próxima sexta-feira estreará um dos filmes mais esperados do ano. A difícil missão de traduzir uma clássica animação para o cinema ficou com Tim Burton (“Edward Mãos de Tesoura”). Sobre o novo filme irei me aprofundar no próximo “post”, depois de assisti-lo. Só vale de aviso, a nova produção NÃO será um remake, será uma nova visão de Tim Burton, não somente da produção de 1951, mas propriamente dito dos dois livros de Lewis Carrol: “Alice no País das Maravilhas” de 1865 e “Alice no País dos Espelhos” de 1872. Para os mais desavisados fica o alerta. Para conhecer tudo sobre o mundo de Alice você pode visualizar o Espacial feito pelo CineMMaster clicando aqui.

Alice é uma menina curiosa e cansada de seu mundo monótono, é então que ela vê um coelho muito inusitado com um relógio. Alice não pensa duas vezes e começa a seguir o apressado Coelho Branco, ela entra em um buraco e começa a seguir o coelho, um simples buraco é uma passagem para um mundo maravilhoso, o País das Maravilhas, lá ela conhece personagens inusitados como, os irmãos gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, o Gato Risonho, a Lagarta, Lebre Maluca e o Chapeleiro Louco, Rainha de Copas.

Uma história relativamente simples, porém que vai evoluindo a cada momento, podendo ser classificado como única dos estúdios Walt Disney. Aqui Alice não é uma heroína, tão pouco uma figura a quem se espelhar, ela não possui uma missão, o filme não apresenta uma trama a ser seguida. Essa é a magia que diferencia “Alice no País das Maravilhas”.

Eu classificaria o filme como um livro de fábulas, de contos ou algo do gênero. Cada personagem possui suas peculiaridades e suas ambientações, sem uma história linear, o olhar de Alice é o nosso olhar, estamos lendo junto com ela o livro de fábulas, o livro de Lewis Carroll.

A técnica utilizada para a época é extraordinária, obviamente olhando hoje, o filme envelhece, mas devemos analisá-lo em sua época e nesta, ele apresenta um êxito enorme. Os desenhos de cada personagem, todas suas características e facetas são uma verdadeira obra de arte. Porém todas as passagens do filme só são cabíveis graças à belíssima trilha-sonora (que foi indicado ao Oscar de 1952) elaborada pela dupla Bob Hilliard e Sammy Fain e interpretada por Kathryn Beaumont atriz que dubla Alice. Uma orquestra sinfônica que se mistura com um coral por oras desafinado (propositalmente) deixa muitas vezes o filme sombrio. Então um jogo de cores preponderantes, uma trilha-sonora, digamos estranha, e personagens enigmáticos: O filme mais Lisérgico da Disney – algo semelhante com que ocorre em uma passagem na animação “Dumbo”.

Como os personagens não são aprofundados, se cria algo muito subjetivo e que pode ser explorado com mais frieza, então “Alice no País das Maravilhas” cria um mundo gigantesco que ainda não foi explorado, um mundo subjetivo, onde tudo pode acontecer – e isso não é uma generalização. Desde uma lagarta fumando um narguilé, até um gato listrado que dá conselhos nada convincentes a Alice. Um final subjetivo – aquilo foi um simples sonho ou realmente tudo aquilo aconteceu? – fecha com chave de ouro toda subjetividade existente em todo o filme.

Outra coisa é deixada bem clara, apesar de todos – sem exceção – serem personagens inusitados e alegres, estes mostram resquícios sombrios, resquícios de ser humano. A dualidade (Apolíneo ou Dionisíaco) existente entre os personagens, ora encantadores e ora amedrontadores não foi à toa. Ou seja, até mesmo em um mundo teoricamente perfeito, o instinto do homem está presente em seres complexos e enigmáticos, vejamos alguns exemplos: As flores demonstram preconceito com Alice, pois ela é um ‘matinho’; A morsa engana seu parceiro e come pequenas ostras; O governador suborna uma lagartixa lhe oferecendo um cargo melhor. E até mesmo Alice, uma simples garotinha, mas que não ouve os conselhos que lhe são dados, os irmãos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum bem que lhe avisaram: “A Curiosidade mata”.

Porém é impossível não falar de “Alice no País das Maravilhas” sem discutir as famosas mensagens subliminares. Vamos resumi-las: Qual o significado de uma lagarta fumando um narguilé e oferecendo um cogumelo – é de conhece de todos que existem cogumelos alucinógenos – para Alice? Uma apologia as drogas talvez. O Chapeleiro Maluco é uma crítica quase que escancarada aos ingleses tradicionais da época vitoriana, pois o Chapeleiro ficou tão ligado as tradições que enlouqueceu, ou é uma mera coincidência seu relógio marcar sempre cinco horas da tarde, hora tradicional do famoso ‘Chá das Cinco’ na Inglaterra?? A Rainha tem sua humanização comparada a de um ditador, oprimindo todas as classes existentes em seu reino, e por falar em classes por que não se lembrar do Coelho Branco apressado, por ser sempre ameaçado pela Rainha…..

Porém o caso mais intrigante com certeza é o do Gato Sorridente: Ele fala mentiras, aparece e desaparece, somente Alice consegue visualizá-lo, é mentiroso, engana e se disfarça de uma criatura mansa para despistar outros seres…… Parece ter ficado claro, a qual alegoria se relaciona o Gato Sorridente.

Enfim, talvez essas teorias sejam a mesma que utilizaram para tentar encontra pêlo em ovo, mas são no mínimo muito intrigantes, principalmente vindo das mãos de Lewis Carroll – que chegou a ser acusado de pedofilia e sempre foi fanático por mágicas.

Todas essas polêmicas, a técnica utilizada e a força existente no mundo criado por Lewis Carroll só caracterizam “Alice no País das Maravilhas” como uma coisa: Clássico. Uma animação que meus pais viram quando criança, que eu pude acompanhá-la também quando criança e que hoje, 60 anos depois ainda pode ser visualizada e exaltada, como uma das obras mais completas e mágicas dos estúdios Walt Disney.

Nota: 9,0

por Filipe Ferraz

3 comentários sobre “Alice no País das Maravilhas (1951)

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