Alice no País das Maravilhas (2010)

Tim Burton acerta em produzir um visual espetacular, mas erra em elaborar um roteiro extremamente simplista, deixando o requisitado conteúdo de Alice mergulhado em seu mundo subterrâneo.


Confesso que fui ao cinema assistir “Alice no País das Maravilhas” com expectativas pra lá de altas. Mas conforme o filme ia se desenvolvendo fui logo entendo qual seria a intenção de Tim Burton em realizar seu filme. Todo o conteúdo existente na animação de 1951 da Disney foi extraído dessa nova versão, mesmo sendo uma releitura das duas obras literárias de Lewis Carrol, “Alice no País das Maravilhas” e “Alice Através do Espelho” toda a complexidade destes foi deixado de lado. Entretanto graças á atores carismáticos, uma ótima trilha sonora, uma direção de arte fenomenal e uma visual esplendoroso o saldo final é animador.

Talvez os fãs mais ásperos da obra de Lewis Carrol irão ficar decepcionados, toda acidez existente em sua obra é deixado de lado, talvez com o intuito de buscar uma maior acessibilidade do público, mais especificamente as crianças. Se levarmos ao pé da letra o filme de Tim Burton é mais “infantil” do que a animação de 1951. Mas é de se saber que Tim Burton não tem muito manuseio para se tratar de filmes para crianças, então aqui ele erra a mão em sua direção por que em muitos momentos a produção é extremamente cadenciada e também pelas cenas de ação não serem tão empolgantes quanto o visual ao seu redor.

Alice (Mia Wasikowska) está crescida, agora com 19 anos ela acabara de receber um pedido de casamento, um casamento arranjado, diga-se de passagem. Alice sempre sofreu com sonhos que lhe pareciam real, o incrível foi que sempre eram os mesmos sonhos, é então que Alice começa a seguir um coelho, caindo em um buraco e indo parar novamente no País das Maravilhas. A situação lá é muito preocupante, todo o fantástico mundo está tomado pela Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter) que destronou sua irmã, a Rainha Branca (Anne Hathaway). Se juntando a velhos conhecidos como o Gato Risonho, Lagarta Azul, Coelho Branco e principalmente o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), Alice terá a dura missão de tirar a Rainha Vermelha do trono e restabelecer a paz no mundo subterrâneo.

Mas a grande falha do filme, sem dúvida é o seu roteiro simplista, uma estória muito comum e que não chega à altura de um roteiro minimamente aceitável para uma obra desse porte, surpreende porque o roteiro vem das mãos de Linda Woolverton, que já roteirizou filmes como “O Rei Leão”, “A Bela e a Fera”, mas aqui com a companhia de Burton eles erram a mão no roteiro.

Logo então já percebemos uma estória muito simples, principalmente se tratando da complexa obra de Lewis Carrol. Vamos definir Burton em “Alice no País das Maravilhas” como “Não Quis”. Ele não quis arriscar em colocar em tela toda a acidez do mundo de Alice, não quis se aprofundar nos personagens, e nem mesmo quis filmar com as novas câmeras 3D – exemplificando melhor foi um trabalho diferente do utilizado por James Cameron em “Avatar”, aqui Burton produziu normalmente seu filme e somente depois de pronto ele foi convertido para a tecnologia 3D – isso com certeza tirou muito a profundeza do filme, as sessões em 3D serão sim um aperitivo a mais, mas nada de fenomenal ou inovador. Esses são os pontos negativos de “Alice no País das Maravilhas”.

Mas não vamos pensar que o filme é ruim, o visual – como de costume – elaborado por Tim Burton é magnífico, show de luzes, show de maquiagem em seus personagens, uma montagem coerente e fantástica, a direção de arte já é disparada a melhor deste e do ano passado. Aliado a esse visual esplendoroso as citações ocorridas das obras anteriores são excelentes, as rosas brancas sendo pintados de vermelha, os momentos em que Alice se lembra de quando criança, a lagarta azul continua firme e forte com seu narguilé, o momento em que Alice cai no buraco, vários “Dèjá Vu” que deixam um gosto de quero mais. Vendo assim talvez fosse melhor uma adaptação do filme de 1951, e não uma releitura.

Aliando-se a esse visual fantasioso devo destacar a ótima trilha sonora composta pelo antigo parceiro de Burton, Danny Elfman, que já compôs trilhas como “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “Batman – O Retorno” e “Homem Aranha”. Aqui novamente ele realiza um excelente trabalho, sendo um dos destaques da trama, trazendo emoções, tristezas, e inúmeros sentimentos aos personagens vazios de Burton.

Analisando as atuações o maior destaque é sem dúvida Helena Bonham Carter que interpreta a megera Rainha Vermelha, não só pela estranha aparência física de sua personagem, que possui uma cabeça enorme, mas muito pela sua ótima interpretação. A atriz quem é casada com Burton talvez tenha aqui seu melhor papel (junto com sua atuação de “Asas do Amor”), Bonham Carter se tornou um rosto conhecido para nós graças ao seu papel de Bellatrix Lestrange na saga “Harry Potter”. Anne Hathaway tem uma participação muito discreta, assim como sua personagem; Mia Wasikowska demonstrar certo carisma, mas é apagada pela falta de profundidade de sua personagem. Porém todo o foco cairá certamente sobre o astro Johnny Depp que tem sim uma excelente atuação, mas que é difícil não se lembrar do capitão Jack Sparrow da trilogia “Piratas do Caribe”, o Chapeleiro Maluco tem muitas semelhanças com o pirata da trilogia de Gore Verbinski.

Digo que o filme consegue o almejado, que é entreter o público, Burton aposta em uma estória simples, porém com um visual arrebatador. Não chega a decepcionar, mas deixa amostras que poderia ter sido mais bem conduzido, e melhor elaborado. Mesmo com todas essas ressalvas o saldo final é positivo e divertido, é o tão conhecido filme pipoca.

A acidez de Alice foi diluída no design de Tim Burton.

Nota: 6,5

por Filipe Ferraz

6 comentários Adicione o seu

  1. ademarjr disse:

    Pois é, Filipe

    As opiniões em relação a esse filme são as mais diversas, vi umas resenhas detonando e outras adorando, mas enfim, em se tratando desse filme essas opiniões diferentes não são problemas pois o filme é propositalmente idiossincrático.

    Acho que concordamos em alguns pontos e discordamos em outros.
    Dá uma lida na minha resenha: http://wp.me/pCGut-fK

    Abraços!
    Ademar Júnior
    http://coolturalblog.wordpress.com

    1. Filipe Ferraz disse:

      Isso mesmo, entendo quem gostou e quem foi contrário ao filme, em geral o filme foi bom sim, mas ficou muita coisa pra trás…

  2. Ha, eu gostei bastante. Podem me crucificar, hahaha.

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