Cinema, Críticas, Pré-Estréia, ReleMMbrando

Homem de Ferro (2008)

O milionário Tony Stark chega aos cinemas com estilo e com muita qualidade. Inicialmente despretensioso “Homem de Ferro” surge como uma agradável surpresa.

As adaptações em quadrinhos estavam em baixa, se encerrava o ano de 2007 com um gosto amargo para fãs de HQ’s. Apesar da inovadora e ótima produção de Zack Snyder, “300”, as adaptações permaneciam estagnadas, graças a histórias más construídas e roteiros pífios, vale ressaltar que muitos destes filmes chegaram ao cinema brasileiro somente em 2008.

Foi um ano onde a trilogia do super-herói aracnídeo foi mal concluída com o fraco “Homem Aranha 3”; uma boa oportunidade jogada fora com “30 Dias de Noites”; apesar da melhora (não que fosse muito difícil) teve a fraca seqüência “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”; foi o ano também de uma das piores produções de todos os tempos chamada “Motoqueiro Fantasma”. Somado a isso vinha a sombra de adaptações anteriores, igualmente medíocres como: “Hulk” de Ang Lee; “Superman – O Retorno” e os longínquos “Batman Eternamente” e “Batman e Robin”. Produções que só serviram para banalizar as HQ’s e todos os mondáreis de fãs destas.

Renascimento…. 2008 foi ano do renascimento das adaptações de quadrinhos, acompanhado de “Batman Begins” de 2005 chegava aos cinemas o espetacular “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, junto a ele o ótimo “O Incrível Hulk” e o aqui resenhado “Homem de Ferro” que destes era o mais despretensioso, porém que demonstrou qualidade muito além do imaginado.

Então depois dessa introdução irei acrescentar mais um filme a categoria “Pré – Estréia”. A tão esperada continuação do milionário Tony Stark chega aos cinemas nacionais nessa sexta-feira (30 de Abril). Porém vamos agora analisar “Homem de Ferro” produção de Jon Favreau do ano de 2008.

Assim como eu, você provavelmente jamais deve ter ouvido falar de Jon Favreau, talvez até se lembrem de suas atuações em “Virando o Jogo” ou “Impacto Profundo”, mas não como diretor. Depois de direções menores, Favreau arrisca com todas as suas forças em uma produção que parecia estar sedada a dar errado. Pois é, quem já viu “Homem de Ferro” sabe que esta afirmação é incorreta.

Vamos aqui enaltecer a coragem deste rapaz que bancou a transição da estória do milionário Tony Stark aos cinemas. Outra coisa importante que deve ser ressaltado: Este foi o primeiro filme a sair das mãos da “Marvel Studio” uma nova indústria cinematográfica que nascia em 2008.

Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um inventário armamentista dono da poderosa ‘Indústria Stark’, empresa especializada na construção de armamentos. Stark é um playboy, milionário, apaixonado por noitadas, festas, carros velozes e mulheres caindo a seus pés. Somos apresentados também a sua fiel assistente Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), ao coronel Jim Rodes (Terence Howard) e o seu sócio Obadiah Stane (Jeff Bridges). Em uma viagem ao Afeganistão, para demonstração de sua nova arma – Jericó – Tony Stark acaba sendo seqüestrado por uma facção de terroristas. Mantido como refém, Stark é obrigado a construir essa potente arma, porém planejando uma fuga ele constrói um protótipo da armadura do Homem de Ferro e consegue fugir das mãos dos terroristas.

O grande inusitado deste filme é que assim como “Batman Begins” o herói com sua vestimenta característica só nos é mostrado uma hora e meia depois, tendo todo um aprofundamento de seu personagem e o porque de suas escolhas. Favreau escolhe uma montagem diferente do usual, mostrando primeiramente a captura de Stark e depois introduzindo a estória dele com flashbacks, algo que apesar de certo receio, funciona perfeitamente. Talvez o ponto fraco seja sua parte final, onde o roteiro se rende a simplificação, tendo uma resolução digamos normal, a batalha final em si também é muito fraca.

Mas percebam dentro que dentro de todo o arco narrativo de Stark, ele jamais muda sua personalidade, ele jamais justifica fielmente a palavra herói. Vale lembrar que ele não vai às cidades para salvar pessoas de malfeitores; não volta ao Afeganistão para controlar a situação por aquele lugar; nem mesmo no ato final sua motivação é algo característico de um herói. Tony Stark somente entra em ação como Homem de Ferro para tirar o seu da reta, quase que obrigado para continuar com sua vida luxuosa bordado por carros turbinados e mulheres deslumbrantes. O personagem Tony Stark foge do molde de todos os super-heróis que já observamos, isso foi uma tradução fiel das HQ’s, Favreau consegue nos surpreender mostrando, mesmo que com um tom sarcástico, esse lado ‘egoísta’ de Stark.

Pois bem, mas nada seria “Homem de Ferro” sem o ator Robert Downey Jr. que parece ter nascido para encarnar o milionário Tony Stark. Não só pela aparência física (realmente o herói nos quadrinhos parece uma fotografia de Downey Jr.), mas muito também por sua atuação em si. Nem vamos nos apegar a carreira pragmática e conturbada de Downey Jr., fazendo uma analogia com Stark. Downey Jr. merece ser elogiado por sua atuação em si, pegando facetas e encarando todo o sarcasmo presente em seu personagem. Talvez daqui há alguns anos vamos confundir Stark com Downey Jr., por méritos, e não somente pela aparência.

Completando o elenco contamos ainda com o vencedor do último Oscar, Jeff Bridges (“Coração Louco”), a também ganhadora Gwyneth Paltrow (“Shakespeare Apaixonado”) e Terrence Howard (“Crash – No Limite”), todos que atuam tão bem quanto o protagonista.

As qualidades do filme não se devem apenas á atores carismáticos e uma direção segura de Favreau, tecnicamente “Homem de Ferro” é impecável: Como já relatei me agrada muito sua montagem, possui uma edição de som exemplar e ótimos efeitos visuais. Então o trabalho foi muito bem feito, sendo tecnicamente superior a outros filmes do gênero, possui também uma trilha-sonora muito bem elaborada, que vale aqui a menção.

Para os fãs de história em quadrinhos existem citações que devem ter deixado estes apaixonados, loucos por uma continuação. Desde o nascimento da organização S.H.I.E.L.D., até a possibilidade da existência do vilão Mandarim.

Um filme que começa ao som de “Back in Black” da banda AC/DC e termina com a música tema “Iron Man” de Black Sabbath jamais deve ser esquecido.

Com o carisma de seus personagens, efeitos especiais deslumbrantes e uma direção segura de Favreau, “Homem de Ferro” surge como um dos melhores filmes de super-heróis, tanto para fãs do gênero quanto para amantes da sétima arte.

Nota: 8,0

por Filipe Ferraz

2 thoughts on “Homem de Ferro (2008)”

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