A Hora do Pesadelo (2010)

Os melhores momentos de “A Hora do Pesadelo” são os plano-sequencias idênticos ao original de 1984, de resto o filme contém uma direção quadrada, sustos inexistentes e um propósito difícil de entender.


Para quem leu meu comentário sobre “A Hora do Pesadelo” de 1984 (clique aqui) sabe do meu carinho quanto a esta obra. Alguns diretores parecem ter um devaneio de querer mexer com o que está quieto. E essas palavras não são minhas, são de Wes Craven criador da franquia e do mito do terror Freddy Krueger.

Já devo adiantar que as cenas de susto são mínimas para não dizer nulas, sinal da direção esquizofrênica do estreante Samuel Bayer, um dos diretores de videoclipes mais requisitados no mercado, para se ter idéia Samuel Bayer está por trás de clipes como Smells Like Teen Spirit (Nirvana) entre outros clipes de bandas como Green Day, Ramones e My Chemical Romance. Mas ele estréia dirigindo um longa-metragem pessimamente, principalmente por seu propósito principal: Desvendar a estória e as origens de Freddy Krueger, mas o que ele deveria saber e o que nós todos devemos saber é que Freddy não é um serial-killer qualquer, nós não queremos que ele nos pareça real e muito menos saber de suas origens. Com isso Samuel Bayer tira toda a mística de Freddy Krueger em “A Hora do Pesadelo”, mais um remake de que deveria ser queimado e esquecido de nossos pensamentos.

Encarregados do roteiro estão no mesmo barco que Samuel Bayer o também inexperiente Eric Heisserer, entretanto Wesley Strick que já roteirizou filmes como o clássico de Scorsese “Cabo do Medo” também está presente e encarregado do argumento final. Os personagens são dedicados á Wes Craven criador da série e totalmente contra o lançamento desta nova empreitada.

“A Hora do Pesadelo” é produzido por Michael Bay (“Transformers”) que junto com Brad Fuller e Andrew Form criaram o estúdio Platinum Danes que tem em seu propósito assassinar tudo e qualquer obra memorável que o cinema já tenha criado. A produtora de Bay (um diretor limitado á efeitos visuais deslumbrantes) está por trás de remake como “Sexta-Feira 13”, “A Morte Pede Carona”, “O Massacre da Serra Elétrica – O Início” e “Horror em Amityville”, refilmagens medíocres de típicos pseudo-apaixonados por cinema. Não. Eu me recuso a acreditar que Michael Bay e sua trupe amem o trabalho que eles realizam. Nós sempre reclamamos e discutimos por onde anda a criatividade dos cineastas, a Platinum Danes é a prova física do momento delicado que vivemos.

Bom a sinopse da fita já é conhecido por muitos: Um grupo de adolescentes compartilha um vínculo: todos estão sendo perseguidos por Freddy Krueger (Jackie Earle Haley), um assassino horrivelmente desfigurado que os caça durante seus sonhos. Quando acordados, eles tentam proteger uns aos outros, mas quando estão dormindo, não há escapatória…. Se o propósito em mostrar a estória de Freddy com uma visão diferente é furada, pelo menos a escolha de manter a estrutura da obra original é louvável. O filme começa com acontecimentos que são descritos no começo da produção de 1984, com cenas (as melhores do filme) praticamente remasterizadas da primeira obra, só mudaram os atores e a qualidade técnica destas cenas, entretanto as jogadas de câmeras são idênticas (a personagem de Nancy na banheira e a morte de Kriss são provas concretas desta afirmação).

Apesar da minha negativa quanto ao contexto do filme nem tudo é ruim, me surpreende positivamente a maquiagem utilizada em Jackie Earle Haley que por sinal tem uma ótima atuação. O ator já foi indicado ao Oscar por “Pecados Íntimos” e também teve destaque em “Watchmen – O Filme”, aqui ele consegue substituir a altura Roland Englund. Para os que já estão acostumados com Englund será difícil digerir qualquer outro ator, mas o resultado nesse quesito é excelente. Obviamente os efeitos são superiores ao original, mas nada surpreendente na atualidade.

O público geral não quer saber de contexto, muito menos se é uma refilmagem e muito menos se foi o cara de Trasnformers que produziu, ele quer saber de sustos, boas cenas de ação, uma estória convincente e atores carismáticos. “A Hora do Pesadelo” não tem nada disso, nada mesmo. A produção não te deixa tenso na cadeira do cinema, não te prega bons sustos, a trilha-sonora é inexistente e tudo isso graças a uma montagem confusa, condecorada com a direção pífia de Samuel Bayer.

No quesito de atores carismáticos, a escolha não foi correta, Kyle Gallner, Rooney Mara, Thomas Dekker e Katie Cassidy não conseguem segurar a direção quadrada e superficial, eles até mostram esforço, mas o roteiro também não ajuda em nada.

“A Hora do Pesadelo” é uma decepção quase que completa praticamente tudo é um erro, desde sua premissa mais básica até seu resultado final. Ninguém quer saber as origens de Freddy Krueger, a escolha dos flashbacks é uma roleta russa com todas as balas carregadas.

Prefiro apagar este filme de minha mente e continuar com a imagem que o clássico de 1984 me deixou, a imagem de um mito, com um suéter vermelho e verde, e não vestido de jardineiro.

Fãs e não fãs, passar longe.

Nota: 3,5

por Filipe Ferraz

6 comentários sobre “A Hora do Pesadelo (2010)

    • Tudo é cíclico.Talvez para esta geração digitalizada este íncubo açule algum desconforto ou temor.Porém,duvido que venha a chegar ter a projeção ingente e assustadora que teve o FREDDY dos anos 80,lembro-me de que esperei pela sua primeira exibição na tv abertaTVS(atual SBT)
      aos 2 de dezembro de 1988 na extinta
      sessão Cinema Em Casa e apesar do meu ceticismo e dos meus 18 anos,naquele dia não me atrevi a dormir.Exímio,seu comentário,jovem Ferraz!

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