2010, Cinema, Críticas

Querido John (2010)

A especialidade de Lesse Hallström é deixada de lado em um filme frio e nada emocionante. Apesar de engatar bons momentos “Querido John” decepciona.


Quem conhece o escritor Nicholas Sparks já sabe o que esperar de “Querido John”, o americano é um dos romancistas que mais tem suas obras publicadas e apreciadas. Conseqüentemente é um prato cheio para o cinema realizar suas adaptações. Um prato cheio porque as idéias são escassas e a criatividade dos diretores parece ter ido ralo abaixo, basta observar os blockbuster já lançados neste ano, quase todos são obras adaptadas, podendo assim contar nos dedos os filmes originais.

Pois bem, para quem não conhece Sparks já teve várias obras suas adaptadas, dentre elas o vergonha alheia “Um Amor para se Recordar”, o não menos vergonhoso “Noites de Tormenta” e o excelente “Diários de Uma Paixão” obras com premissas parecidas, mas com resultados distintos. Vindo das mãos do diretor Lesse Hallstrom “Querido John” não é vergonhoso e também não é excelente, fica em cima do muro em quase todo seu desenvolvimento. A direção ficou por conta do sueco Lesse Hallstrom, que dirigiu o recente “Sempre ao Seu Lado” um filme extremamente emocionante e chocante, algo que precisamente é o erro de sua mais nova produção. Aqui em “Querido John” o espectador fica tão longe dos protagonistas quanto eles ficam de si.

John Tyree (Channing Tatum) é um jovem soldado que está de folga, em sua terra natal. Ele acaba se apaixonado por Savannah Curtis (Amanda Seyfried) uma jovem idealista que está de férias da faculdade. Entretanto os dois se tornam distantes em função das missões cada vez mais perigosas de John, mas o casal mantém o contato por meio de cartas de amor. Em meio aos ataques de 11 de Setembro o casal se sente abalado e com um relacionamento preocupante.

O primeiro erro e também já previsto foi à escolha do péssimo Channing Tatum (“G.I. Joe – A Origem de Cobra”), o típico ator de filmes de ação que não sei o porquê foi chamado para atuar em um filme totalmente dramático e romântico. Nas cenas em que se exigem um mínimo e complexo senso dramático, Channing Tatum erra feio, não trazendo nenhum sentimento em um personagem tão bem trabalhado, o que é o caso de John Tyree. Mesmo que o protagonista não consiga segurar o filme, á de se ressaltar que os personagens são muito bem aprofundados e estudados. O relacionamento de John e seu pai Sr. Tyree – interpretado brilhantemente por Richard Jenkins (“Queime Depois de Ler”) – é uma prova de quão difícil pode ser o convívio de baixo de seu próprio teto, o pai de Tyree sofre de autismo e vive mergulhado em suas coleções de moedas, o que dificulta um relacionamento fraterno com John. Fechando o elenco aparece Henry Thomas o eterno Elliot de “E.T. – O Extraterrestre”.

O bom roteiro é elaborado por Jamie Linden (“Somos Marshall”) que se baseia na obra de Nicholas Sparks para elaborar ótimos diálogos e um desenvolvimento como já relatado primordial. O grande problema foi à direção de Lesse Hallstrom, uma direção simplista e pouco inovadora que apesar de todo o aprofundamento de seus personagens acaba-os deixando muito distante do telespectador. O começo um tanto quanto “meloso” também pode deixar a muitos irritados e decepcionados, o filme vai tangenciando o romance e o drama dos americanos que viveram o ataque de 11 de Setembro, podemos dizer que acerta em abordar essa premissa, mas erra em sua tonalidade de abordar.

Parece que a nova queridinha de Hollywood, depois obviamente de Megan Fox, é Amanda Seyfried, depois de seu papel em “Mamma Mia” e do próprio “Garota Infernal” com Fox ela vem emplacando vários filmes (algo semelhante ao que ocorreu com Anne Hathaway ano passado), “Preço da Traição” e “Cartas para Julieta” estrelados por Amanda chegam em breve nos cinemas nacionais. Essa loucura em cima de Seyfried deve ser propriamente por sua beleza, já que ela não tenha ainda demonstrado nada de tão especial ou fenomenal que justificasse toda essa focalização em sua pessoa. Em “Querido John” ela realiza um trabalho mediano, nada que atrapalhe e também nada que empolgue, retrata fielmente o caminho do filme: Parece que vai empolgar, mas acaba ficando estagnado na monotonia.

Ao final da produção deixa um tom de que poderia ter sido mais, muito mais, talvez um carinho maior por parte de Hallstrom e a substituição de Channing Tatum poderiam ter deixado “Querido John” com um saldo melhor. Richard Jenkins sem dúvida poderá ser lembrado em premiações futuras, sendo a única menção honrosa do filme.

Faltou o emocional sempre presente nas direções de Hallstrom.

Nota: 4,5

por Filipe Ferraz

3 thoughts on “Querido John (2010)”

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