2010, Cinema, Críticas

Fúria de Titãs (2010)

“Fúria de Titãs” é a prova concreta de quão perigosa pode ser a ferramenta do 3D, que se não utilizada corretamente pode transformar um bom filme em motivo de piada.


Que moda você adere? Nenhuma? Com certeza você já presenciou ou até mesmo, porque não, já participou de uma “febre” mundial. As figurinhas da Copa do Mundo nem se comparam com a nova “modinha hollywoodiana”: o 3D.

Quando entrei na sala do cinema para assistir “A Era do Gelo 3” fiquei deslumbrado, jamais imaginava poder presenciar algo tão mágico e inovador. Chegou “Avatar” e o mundo se virou de pernas pro ar e começou a louvar e endeusar James Cameron, os Na’Vis e os tais óculos tridimensionais. Pois bem, a febre pegou! Praticamente todos os próximos Blockbuster terão cópias em 3D: “Harry Potter”, “As Crônicas de Nárnia”, “Lanterna Verde”, “Homem Aranha”, “Batman” e não se limita somente aos Blockbuster, algumas amebas como “Piranha 3D”, “Jogos Mortais n+1” e até mesmo os jogos da Copa do Mundo irão invadir o “Cineminha Moderno”.

O que vale ser ressaltado é que de todos estes filmes, somente “Avatar” foi filmado diretamente e com o intuito de ser lançado em 3D, os restantes foram todos convertidos (o mesmo que ocorreu com “Alice no País das Maravilhas” de Tim Burton). Então o “Eu-Deslumbrado” do começo desta resenha morreu, essa overdose de 3D já deu o que tinha que dar. Os ingressos caríssimos (ou vocês acham que a conversão é barata) não valem a pena por um resultado nem tão convincente assim.

Bom, essa minha introdução foi o motivo principal por eu escolher as salas tradicionais para assistir o bom “Fúria de Titãs”, praticamente assassinado pelo uso indevido da tecnologia 3D. Os críticos do mundo todo nos alertaram que o resultado desta fita era risível, mas todos batiam na mesma tecla, o maldito 3D. Então vou aqui analisar o filme “Fúria de Titãs”, visualizado em projeção normal e com um resultado animador.

Vale lembrar que este é uma regravação do original “Fúria de Titãs” de 1981, um remake em tese, isso porque a estória central é bruscamente modificada, mas nada que nos faça cortar os pulsos. O diretor encarregado de tais mudanças foi Louis Leterrier, diretor de “O Incrível Hulk”, que realiza mais um bom trabalho, apesar de contar com um roteiro extremamente simplista e não ter nada de original. “Fúria de Titãs” é desenvolvido com base na mitologia grega. Eis aqui a estória: Zeus (Lian Nesson), Hades (Ralph Fiennes) e Poseidon (Dany Huston) são três irmãos deuses. Hades foi traído por Zeus e jogado junto com sua fera, o Kraken, no submundo. Enquanto isso na terra os homens se rebelaram contra os poderes dos deuses, a humanidade já não acredita nas bênçãos e nos poderes do seres supremos. Zeus é alimentado por orações e Hades é alimentado pelo medo das pessoas. Sendo assim Zeus manda Hades para aterrorizar os humanos e provar quão poderoso são eles.

Em contrapartida, Perseu (Sam Worghinton) foi encontrado no mar por um pescador, Spyros (Pete Postlethwaite), que o passa a criar como um filho. Entretanto Hades mata toda a família de Perseu e institui que em troca da paz os seres humanos teriam de sacrificar a princesa ou presenciar sua cidade em ruínas. Perseu então descobre que é filho de Zeus com uma humana, um Semi-Deus, e somente ele poderá destruir Hades e retomar a paz entre o mundo dos Deuses e dos humanos.

Para os fascinados por mitologia grega talvez esta estória se torne muito superficial, agora no caso dos mais leigos no assunto (meu caso) cai como uma ótima aventura. O grande ponto fraco sem dúvida é o conjunto Edição/Roteiro. Talvez o roteiro dos fracos Phil Hay e Travis Beacham tenha até sido mais bem elaborado, porém sua edição é extremamente precária e amadora, parecendo ter sido editado as pressas, ao final de cada passagem sempre fica uma sensação de que ficou faltando algo, muitas cenas devem ter sido cortadas….. O filme também não se define quanto ao seu clímax, onde teoricamente seria a batalha final, porém os últimos momentos de aventura não empolgam tanto quanto às outras passagens. Parece ser inevitável uma continuação, tanto pela mísera aparição de Dany Huston como Poseidon, quanto pela aparição da Coruja de Ouro (tema central do original de 1981).

Os efeitos especiais são ótimos, o CGI utilizado não é nada cansativo e tão pouco precário. Leterrier se utiliza da técnica mais moderna possível do cinema para realizar um trabalho quase que irretocável nesses quesitos. Nos momentos de pura aventura a trilha-sonora é muito coerente, mas também em inúmeros momentos seca e vazia. Contém uma boa fotografia (deixando o CGI de lado) principalmente por explorar bem as paisagens de País de Gales, a maquiagem e os figurinos também não fazem feio.

Sam Worghinton só vem emplacando blockbuster, “Exterminador do Futuro – A Salvação”, “Avatar” e agora “Fúria de Titãs” que dominaram a bilheteria em suas respectivas estréias. Ralph Fiennes e Lian Nisson são as “vozes da experiência” no filme e possuem apresentações medianas, assim como o resto do elenco: Jason Flemyng, Gemma Arterton, Liam Cunningham e Pete Postlethwaite.

Em função da opção cretina de Leterrier o filme cai em seu conceito geral. Se vender, ou melhor dizendo se render a uma conversão esdrúxula para o 3D é duvidar e não confiar em si mesmo. Fruto dessa atitude ambiciosa (que infelizmente funcionou, o filme já rendeu 160 milhões de dólares somente nos EUA) “Fúria de Titãs” se torna motivo de piada, considerado um “Senhor dos Anéis” com anorexia, tendo bruxas com caras de nozes, um Godzila aquático e uma Medusa/Anaconda. Mas em geral ele surge como uma boa dose de aventura, nada mais, nada menos.

Nota: 6,0

por Filipe Ferraz

3 comentários em “Fúria de Titãs (2010)”

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