2010, Cinema, Críticas, Especiais

[Especial] Kick-Ass

Quem nunca sonhou em ser um super-herói?  E se esse sonho virasse realidade? Provavelmente o resultado não seria tão maravilhoso.

As adaptações estão se tornando cada vez mais presentes no cinema. Um livro, um game, uma música, uma peça teatral, desenhos e principalmente histórias em quadrinhos estão ganhando vida e invadindo o universo da sétima arte. A mais nova adaptação é o sucesso “Kick-Ass – Quebrando Tudo” que chega ao território brasileiro no dia 18 de Junho. O CineMMaster preparou um especial sobre os novos super-heróis, nem tão super e muito menos heróis.

História em Quadrinhos

O responsável pela criação de “Kick-Ass” foi o escocês Mark Millar, escritor de “O Procurado” (que se tornou o filme de mesmo nome, estrelado por James McAvoy e Angelina Jolie), “Os Supremos” e “Guerra Civil”. Entretanto esta sua ultima produção parece ter algo um pouco mais especial. Em entrevista ao site “Den of Geek” ele revelou de qual lugar veio sua inspiração. Confira abaixo alguns trechos da entrevista:

“Kick-Ass” é uma, dentre as várias produções realizadas por você, em que o super-herói é tratado de uma forma mais realista, inclusive abrangendo sua modernidade. Porque essa idéia te fascina tanto?

Mark Millar: Foi engraçado você mencionar isso na verdade. Como escritor você realmente não reflete sobre o seu próprio trabalho demais. O tempo é corrido e você está ocupado demais escrevendo seu trabalho atual e já pensando sobre uma próxima obra. Mas eu percebi que o público vem dando esse tom de realidade a “Kick-Ass”.

Meu plano, na verdade, era criar uma geração de super-heróis dos quadrinhos, da mesma forma que Stan Lee fez na década de 60. Ele criou um universo inteiro de personagens completamente diferentes do que estávamos acostumados. Então eu parti dessa mesma premissa: Criar personagens diferentes, que ao contrário de Batman e Superman, não são tratados como deuses e sim se preocupam em como pagar suas contas.

Outra coisa que diferencia “Kick-Ass” é que ele é muito mais violento do que as histórias antigas, dessa forma, refletindo filmes modernos e jogos de computador, que têm uma base de violência muito alta. É esse o tipo de coisa que você quer dizer?

Mark Millar: Bem … “Kick-Ass” não é intencionalmente violento. Como você mesmo mencionou, eu só estava tentando retratar as coisas de forma realista. Deixe-me dar um exemplo: Nos filmes, sempre que Superman está voando acima da Terra, e instantaneamente nós o vemos voando baixo, você não vê realmente o flash pouco a pouco de como ele entra na atmosfera. E esses pequenos detalhes, são legais e o tornam diferente. Se você realmente parar pra pensar sobre as conseqüências dos poderes, e o que isso implicaria, seria algo no mínimo preocupante.

Da mesma forma, que se um cara vestido de super-herói receber um soco no rosto, obviamente haverá conseqüências. Somente duas vezes eu tomei um soco na cara… Dois dias depois minha cara estava irreconhecível. Um soco!! E minha boca já estava de um jeito diferente. Então devemos sentir a violência para observar-la de outra maneira, caso o contrário você não está fazendo justiça, ao conceito da história, aconteceria o revide se eu realmente fosse um supre-herói.

● Adaptando

Depois de muitas controvérsias enfim o diretor Matthew Vaughn decidiu trazer a HQ de Mark Millar para o cinema. Foram gasto ao todo 30 milhões de dólares, mas o sucesso parece ter ficado apenas na crítica: O filme arrecadou somente 47 milhões de dólares, sendo quase metade em sua primeira semana. Vaughn que já acertou para dirigir o novo filme dos X-Men (“X-Men: First Class”), ganhou notoriedade quando produziu o excelente “Stardust – O Mistério da Estrela”. O britânico realmente estava muito afim de adaptar o quadrinho de Millar, Matthew Vaughn financiou o filme por conta própria contando com a ajuda do próprio Mark e de seu roteirista Jane Goldman (já trabalhou com Vaughn, e está por trás do novo filme da dupla “A Dívida”). Um filme completamente independente, que foge dos moldes impostos por Hollywood, desde sua estrutura até a escolha do elenco.

Em entrevista ao site First Showing, Vaughan conta como o seu projeto foi rejeitado pelos estúdios, o primeiro contato com o astro Nicolas Cage, e mais peculiaridades sobre o filme. Confira abaixo alguns trechos:

Quando você inicialmente leu os quadrinhos, você desde o inicio achou que ela daria um grande filme? Mesmo tendo uma quantidade excessiva de violência e uma menina de 12 anos matando pessoas, e todos estes assuntos controversos?

Matthew Vaughn: Sim, e basicamente foi por isso que eu quis fazer o filme – tudo isso que faz a diferença. Eu tinha noção que poderia fazer um filme que eu mesmo gostaria de assisti-lo. E só em eu querer fazer um filme de quadrinhos, já se torna mais relevantes para o mundo em que vivemos.

Nós ouvimos muito sobre a grande rejeita dos estúdios de Hollywood a sua idéia, logo quando você trouxe o material imediatamente ele foi rejeitado. Olhando agora para o filme parece que você já percorreu um longo caminho…

Vaughn: Você está certo. Quero dizer, você me entende certo? É um sentimento bom? Sim. É algo muito tentador. Mas estou de certa forma aliviado. Eu sabia que estava assumindo um risco, mas eu me lembro bem de Mark Millar apontando para mim e dizendo: “Você percebe que as pessoas que disseram não a este filme, são as pessoas que iram tentar vende-lo posteriormente?” Eu tinha uma crença forte no filme, eu me sentia apaixonado por ele e pensei: Isso é o que há de errado com a indústria cinematográfica, não há um número suficiente de pessoas fazendo o que eles acham certo e amam fazer. Quer dizer, eu amo fazer filmes e sou o homem mais sortudo por trabalhar em algo que é um sonho para mim.

Você acha que realizar um filme assim, tirando do seu próprio bolso para financiá-lo,  é uma experiência gratificante ou é potencialmente problemática ao ponto de perder o controle? Melhor dizendo, você acha que trabalhar com o seu próprio financiamento independente é a melhor maneira de se fazer um filme?

Vaughn: Eu acho que se você é um diretor com uma visão própria e não é nenhum idiota não existe problema algum. Por isso que os anos 70 é o meu período preferido no cinema. Para não soar arrogante eu acho que o diretor tem que ser lembrado, nós estamos sendo minimizados e cada vez mais a industria está crescendo, crescendo e crescendo. Eu acho que se você é um bom diretor, sim você deve ter um bom produtor, mas o diretor tem que ter a liberdade para realizar o filme. Especialmente se você é um diretor e roteirista. Se é você quem vai escrever o roteiro, seu esboço e toda a película, não deve haver problemas.

E o elenco? Obviamente Nicolas Cage é o nome de maior destaque, mas possui pelo menos duas grandes revelações com Aaron Johnson e Chloe Moretz, sem falar em Mark Strong e Christopher Mintz-Plasse. Um conjunto perfeito que se destaca por uma mistura entre grandes nomes e recém-chegados.

Vaughn: Bem, ninguém quer se sobressair, então é por isso. Eu poderia escolher o elenco que quisesse, o problema é que estamos em Hollywood, então eu procuro o ator certo para o papel, sendo ou não uma estrela já consagrada. Então a beleza deste filme, é que tudo que eu fiz foi lançar as pessoas certas para os papeis certos.

E Nicolas Cage…

Vaughn: Oh, cem por cento. Porque eu só queria que as pessoas também entendessem o que estamos fazendo. A maioria das pessoas envolvidas neste filme, adoram histórias em quadrinhos e filmes adaptados. Então quando Nicolas Cage recebeu o convite e leu o roteiro ele entendeu o que queríamos. “O que você acha?” perguntei a Cage, ele disse: “É como ele é, eu quero interpretar Big Daddy”. E ele trouxe toda sua experiência em cena. Nenhum outro ator poderia ter feito algo melhor do que Cage realizou.

Mais uma vez uma amostra de quão perfeito é o elenco. Todos vieram para uma função específica. Quero dizer, Mark Strong por exemplo, é engraçado vê-lo desempenhar o papel de um gangster americano, principalmente quando ele está acostumado a intrepretar vilões ingleses.

Vaughn: Isso mesmo. Essa era o plano, então fico feliz que eles tenham seus trabalhos reconhecidos.

Como estava envolvido desde o inicio o escritor Mark Millar? Sabemos que ele ajudou no roteiro, mas é difícil imaginar como seria ele um integrante da produção…

Vaughn: Bem, ele veio com o conceito original. Então eu sempre falo uma coisa: Acho sempre estranho quando alguém escreve um livro ou algo do gênero e fica de fora do roteiro do filme. Assim, quando eu não tinha certeza sobre alguma coisa e queria me certificar de alguma dúvida, sem estragar a integridade do filme eu perguntava ao Mark. Ele foi fundamental no desenvolvimento do roteiro. Assim, havia certas coisas que eu mudei, mas nunca mudei nada sem falar com o Mark. Eu dizia: “Olha, Mark, eu estou mudando isso, pelos seguintes motivos. O que você acha?”. Ele dizia: “Sim, está ótimo”, então menos mal….

● O Filme

Agora que já sabemos dos preceitos para construção de “Kick-Ass – Quebrando Tudo”, vamos abranger o filme em si que estréia no próximo dia 18 de Junho. Confira o trailer:

“Como é que ainda ninguém tentou ser um super-herói?” Dave Lizewski (Aaron Johnson) é um vulgar adolescente de Nova Iorque, que depois de horas lendo histórias em quadrinhos acaba tendo a nem tão brilhante ideia de se tornar um destemido e bravo super-herói. Ele então veste uma roupa de mergulho verde e amarelo, comprado pela internet, e transforma-se no improvável vigilante Kick-Ass!! Mas logo ele descobre a resposta à sua pergunta: “Porque dói!”.

Mas, contra todas as probabilidades, Dave torna-se rapidamente um “fenômeno”, filmando suas batalhas e disponibilizando-as na internet, capturando assim a imaginação do público. Contudo, ele não é o único super-herói que anda por aí – os destemidos e altamente treinados Big Daddy (Nicolas Cage) e Hit Girl (Chloë Moretz) já tem lutado bravamente contra o império dos mafiosos, crimes cometidos por Frank D’Amico (Mark Strong). Quando Kick-Ass se vê envolvido com o filho de Frank, Chris (Christopher Mintz-Plasse) estando agora renascido como o seu arquiinimigo Red Mist, o palco está pronto para um duelo final entre as forças do Bem e do Mal, onde o nosso “herói” tem de fazer justiça. Ou pelo menos tentar…

O elenco principal é composto basicamente por jovens: Aaron Johnson (“O Senhor dos Ladrões”), Christopher Mintz-Plasse (“Superbad – É Hoje”) e Chloe Moretz (“500 Dias com Ela”) são figuras pouco conhecidas. Contrapondo a isso aparecem Nicolas Cage (“Presságio”) e Mark Strong (“Sherlock Holmes”).

O enredo por si só já demonstra ser extremamente divertido. É bom ir esperando ótimas sacadas de humor negro, muito sangue e obviamente muita ação. Particularmente, estou com grandes expectativas. A crítica estará disponível aqui, assim que assistido.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s