2010, Cinema, Críticas

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (2010)

Adaptação de um dos games de maior sucesso consegue emplacar bons momentos, mesmo que não consiga atingir suas maiores pretensões.


Confesso que aqui quem fala é um leigo no assunto. Jamais joguei o jogo de origem desta produção (“Prince of Persia”, criado por Jordan Mechner), mas tenho certeza que este filme não é somente para os fãs do game, fosse assim seria mais fácil criar uma nova versão do jogo e não adaptá-lo para o cinema.
Se a história se diferencia da original? Sinceramente não saberei responder esta pergunta. Saberei apenas analisá-lo como um filme.

Também não vou me tornar repetitivo em relatar quão escassa está à criatividade em Hollywood. Mas o território escolhido por “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo” ainda está abandonado. Muitos tentaram, mas poucos conseguiram trazer uma sensação no mínimo compensativa para uma adaptação de um game. “Terror em Silent Hill”, “Alone in The Dark”, “Tomb Raider” se arriscaram e tiveram resultados negativos. Então o herói persiano chegaria com a força de seus fãs e revolucionaria este campo abandonado, a própria abordagem já dizia: ”A Melhor adaptação de um game”. Concordo, é a melhor sim, não que isso signifique alguma grandiosidade.

O enredo segue Dastan (Jake Gyllenhaal), um menino de rua que mora na ‘periferia’ do histórico Império Persa, no século VI. Depois de mostrar coragem na praça do mercado, ele é adotado pelo rei. Quinze anos depois, Dastan, os filhos do rei Garsiv (Toby Kebbell) e Tus (Richard Coyle) lideram o exército persa em um ataque na cidade sagrada de Alamut, tendo como pressuposto de que a população estaria vendendo armas aos seus inimigos, como relatado por Nizam (Ben Kingsley), irmão do rei, e conselheiro do mesmo.
Dentre estas batalhas Dastan acaba encontrando a princesa Tamina (Gemma Arterton) que tem em mãos a mística Adaga do Tempo, um instrumento que tem como função dar a seu titular a possibilidade de voltar no tempo em um curto período, para que este possa corrigir um erro ou refazer determinado momento.

Os persas comemoram sua vitória, mas durante a celebração o príncipe Dastan é enganado ao presentear, com um vestido envenenado dado por Tus, o rei Sharaman (Ronald Pickup), o que acaba fatalmente matando o soberano. Sendo assim o Príncipe Dastan é tido como culpado e passa a ser caçado junto com Tamina, pelos guerreiros persas. Tentando descobrir a real morte do rei e buscando proteger a sagrada adaga, Dastan e Tamina se unem em busca de seus objetivos.

Com um orçamento de 200 milhões de dólares o filme não fica devendo em nada no quesito técnico: Uma fotografia sublime, um figurino muito bem elaborado e boas cenas de ação graças a uma montagem coesa e não muito espalhafatosa. Uma montagem boa é verdade, mas somente nas cenas de ação, isso porque o filme carece muito de um ritmo mais forte. Os 116 minutos parecem 200 minutos por certas cenas alongadas (a trama principal só é encabeçada depois de meia hora de filme) e acabam prejudicando a fita.

O diretor encarregado de “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo” é o britânico Mike Newell (“Harry Potter e o Cálice de Fogo”), tendo como seus roteiristas: Carlo Bernard e Doug Miro (“O Mistério das Duas Irmãs”), Boaz Yakin (“O Justiceiro”), por sinal bem trabalhado e claramente tentando manter ao máximo certa consciência quanto ao game. Mas sempre contrapondo um roteiro bem trabalhado com uma direção muito arrastada e com os típicos clichês presentes nestes filmes pipocas.

O erro mais grave sem sombra de dúvida foi à escolha do fraquíssimo Jake Gyllenhaal, que não consegue convencer como um ator de ponta. Junta alguns bons trabalhos como “Donnie Darko” e “O Segredo de Brokeback Mountain”, mas não consegue ter o mínimo de um carisma que um príncipe/herói deveria ter. A bela Gemma Arterton, o cômico Alfred Molina e o vingativo Bem Kingsley não comprometem o filme.

“Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo” veio com o intuito de substituir a franquia “Piratas do Caribe”. A princípio dá indícios que não terá o seu êxito esperado, a Disney prometia uma revolução se tratando de adaptações de games. Não cumpriu a promessa inteiramente, mas mesmo assim produz outra boa dose de entretenimento.

Nota: 6,0

por Filipe Ferraz

3 comentários em “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (2010)”

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