2009, Cinema, Críticas

O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (2009)

Infelizmente “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus” só será lembrado como o último trabalho de Heath Ledger. Porém esta produção merece mais menções do que somente esta.


A morte de Heath Ledger balançou o cinema em 2008, não só pela trágica forma que ocorreu como também por seus últimos trabalhos. Não por coincidência o ator ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante – prêmio póstumo – por seu trabalho no magnífico “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Mas por incrível que pareça, Coringa não foi seu último papel, o ator faleceu em meio às filmagens do novo filme do excêntrico Terry Gillam, “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”, que como vocês já podem ver, só será lembrado por estes fatos.

Já era de se imaginar que o resultado final seria prejudicado. Terry Gillam teve de reformular o roteiro e mudar totalmente o filme em função do falecimento de Ledger. Apesar deste trágico imprevisto, Gillam conseguiu reestruturar bem a estória, principalmente pela introdução de mais atores, representando as transformações de Tony (personagem de Heath Ledger). Por sinal, Gillam tem seus trabalhos muito característicos e inusitados: Sempre tratando de futuros apocalípticos, com máquinas perturbadoras em um território caótico, exemplos deste seu estilo são as produções “Brazil – O Filme” e “Os 12 Macacos”. Aqui mais uma vez a criatividade de Terry Gillam é testada e apesar do exagero de CGI e do já relatado problema com a morte de Ledger, “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus” é um filme competente no que se propões a fazer.

O filme é centrado na história do Dr. Parnassus (Christopher Plummer) e do seu ‘Imaginarium’, um espetáculo itinerante no qual o público tem a oportunidade irresistível de escolher entre a luz e a alegria ou as sombras e a escuridão. Abençoado com o extraordinário dom de guiar a imaginação dos outros, o Doutor Parnassus é amaldiçoado com um sinistro segredo. Jogador inveterado há milhares de anos ele fez uma aposta com o diabo, o Sr. Nick (Tom Waits), graças à qual ele obteve a imortalidade. Séculos depois, ao conhecer o seu verdadeiro amor, o Dr. Parnassus fez outra aposta com o diabo, na qual ele trocaria a imortalidade pela juventude, desde que, ao atingir 16 anos, a sua filha se tornasse propriedade do Sr. Nick.

Valentina (Lily Cole) está prestes a completar 16 anos e o Dr. Parnassus fica desesperado para protegê-la do seu destino iminente. O Sr. Nick chega para cobrar a dívida, mas como não pode deixar passar uma boa aposta, resolve renegociar o prêmio. Agora, o destino de Valentina será decidido por aquele que seduzir as cinco primeiras almas. Ajudado por Tony (Heath Ledger) o Dr. Parnassus promete a mão da sua filha àquele que o ajudar a ganhar a aposta. Nesta luta cativante, explosiva e maravilhosamente imaginativa contra o tempo para salvar a sua filha o Dr. Parnassus deve enfrentar uma série de infinitos obstáculos surrealistas – e desfazer, uma vez por todas, os erros que cometeu no passado!

O filme é tecnicamente muito bem elaborado e executado, mesmo com um CGI um tanto enjoativo. Possui uma boa direção assim como seu roteiro. A fotografia é sem dúvida o maior destaque da produção.

O filme é todo nas costas do experiente Christopher Plummer que não deixa em momento algum a desejar, conseguindo como poucos atores sustentar uma trama deste porte. Ledger, como sempre, em sua despedida está ótimo. Colin Farrel, Jude Law e Johnny Depp tem participações minúsculas. Gillen ainda homenageia o amigo Ledger em uma passagem do filme aonde Johnny Depp relata sobre artistas mortos: “São imortais, não irão envelhecer, nem engordar, não ficarão doentes ou desabilitados, estão além do medo, porque são jovens para sempre!”

Surreal, escultural, égide e lúdico, “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus” ficará marcado como a ultima fita de Heath Ledger, mas deve ser também lembrado por sua originalidade impar e uma direção de arte extremante competente.
“Um filme de Heath Ledger e amigos”

Nota: 7,0

por Filipe Ferraz

Um comentário em “O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (2009)”

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