Planeta Terror (2007)

O primeiro capítulo do projeto “Grindhouse” é uma amostra de como um diretor pode brincar com cinema, mas jamais deixando a qualidade cinematográfica de lado.


Quentin Tarantino e Robert Rodriguez são amigos de longa data, foi assim que os dois criaram um “ambicioso” projeto chamado “Grindhouse”, que consistia como uma homenagem aos clássicos e trash filmes de terror da década de 70. Este projeto estaria divido em dois capítulos: “Planeta Terror” e “À Prova de Morte”, produções feitas para que fossem exibidas seguidamente no cinema, divididos apenas por pseudo-trailers criados por diretores como Eli Roth (“O Albergue”) e Rob Zombie (“Rejeitados pelo Diabo”).

Porém já era de se imaginar que um mínimo lampejo de criatividade seria sucumbido à incompetência das distribuidoras. Como o longa-metragem teria em média três horas de duração, foi estabelecido que em alguns países inclusive aqui no Brasil, o projeto “Grindhouse” seria dividido e passado separadamente nos cinemas. E não deu outra, “Planeta Terror” chegou em 2007 (seu ano de lançamento) e “À Prova de Morte” só chega aos cinemas agora em 2010. Três anos de atraso não são suficientes para denegrir a imagem de “Grindhouse”. Então nesse primeiro post irei analisar a primeira parte deste projeto, intitulado de “Planeta Terror” dirigido por Robert Rodriguez.

O estilo peculiar de Rodriguez e Tarantino salta em nossos olhos, os dois optaram por trazer estas produções o mais próximo possível das sessões de cinema trash: Pedaços do filme estão faltando, o som das projeções de antigamente e a péssima qualidade da película são marcas registradas das épocas destas produções. “Planeta Terror” é hilário, muito, mas muito sangrento e principalmente é um filme. Não pense que só por ser uma brincadeira, ele deixa as qualidades de lado, pelo o contrário.

O casal de médicos William (Josh Brolin) e Dakota Block (Marley Shelton) vão para mais uma noite de trabalho em um hospital do Texas, torcendo que nesta quarta-feira não tenham muitos cadáveres. Porém, uma negociação do exército americano acaba dando errado, o que acarreta na liberação de um perigoso gás que gera reações terríveis nas pessoas. Assim, os médicos terão que lidar com uma grande quantidade de doentes com feridas horríveis, além de um comportamento violento e uma sede de sangue. Uma das pacientes da noite é Cherry Darling (Rose McGowan), uma dançarina de boate que teve sua perna devorada por pessoas em uma estrada. O ex-namorado dela, El Wray (Freddy Rodriguez), com desejo de vingança, se junta ao Xerife da cidade para se livrar desse monte de zumbis que estão atacando este Planeta Terror. Para ajudar na guerra, ele irá equipar Cherry com uma prótese de metralhadora no lugar da perna. Para completar, J.T. (Jeff Fahey), irmão do Xerife, precisa encontrar os ingredientes para o molho de churrasco perfeito. O filme ainda possui participação do astro Bruce Willis.

Uma história básica de filmes de terror, zumbis atacando uma cidade e um grupo de sobreviventes correndo para se safar dos mortos-vivos. Mas aqui em “Planeta Terror” Robert Rodriguez utiliza toda ironia existente em seu repertório para que em meio às inúmeras mutilações surjam gargalhadas com as situações bizarras encaradas pelas personagens. Muito sangrento consegue deixar a franquia “Jogos Mortais” no chinelo.
Rodriguez sempre foi um diretor muito contestado, seus filmes sem açúcar como “Pequenos Espiões” acabaram por denegrir sua imagem, mas que tempo depois foi compensado com o espetacular “Sin City – A Cidade do Pecado”, adaptação de um dos quadrinhos mais famosos de Frank Miller. Então foi com Grindhouse que Rodriguez se consagrou como um diretor em ascensão. Agora ele tem um desafio gigantesco em suas mãos: “Predadores” será roteirizado por ele, os fãs da franquia aguardam um recomeço promissor.

Obviamente o filme deve ser levado na brincadeira, ou realmente uma stripper com uma perna de metralhadora dizimando zumbis por toda a parte deve ser levada a sério? Claro que não. Isto é uma verdadeira sátira as antigas Grindhouses, local onde apenas filmes de baixo orçamento, com muito sexo e violência eram mostrados. Mas é uma brincadeira de cineasta, não de alguém que não entende nada.

“Planeta Terror” deve ser levado na brincadeira sim pelo seu conceito, mas também ser levado a sério por se tratar de cinema! Com muitas qualidades – e exageros é verdade – mas que servem como um alívio dos blockbuster e principalmente como um molécula de criatividade, substantivo em extinção no cinema.

Nota: 8,0

por Filipe Ferraz

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