À Prova de Morte (2007)

Com um ritmo mais lento que a primeira parte do projeto Grindhouse, “Á Prova de Morte” mistura tudo que a geração setentista sempre quis desvendar: Álcool, mulheres, carros e pura diversão!


Enfim, três anos depois, chega aos cinemas nacionais o filme “B” (propositalmente) de Quentin Tarantino. O segundo capítulo da parceria com Robert Rodriguez tem um ritmo difícil, mas uma ambientação e um clima totalmente coerente com a época das antigas “Grindhouses”. Acima de quaisquer questões técnicas este são os maiores trunfos de “À Prova de Morte”.

O filme é repartido em duas partes. A primeira parte – e melhor – começa nos apresentando um grupo de amigas que vivem em Austin, no Texas. De personalidades fortes e comportamentos ousados, as garotas haviam se encontrado para celebrar a vida e o sucesso da amiga Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier), uma DJ local que estava chamando atenção nas rádios. Mal sabiam elas que o destino as fariam cruzar com o Stuntman Mike (ou dublê Mike em português) interpretado pelo galã de outrora Kurt Russell.

Aparentando ser um quarentão muito louco e boa praça, ele ganha a confiança das garotas, colocando em ação seu plano perfeito. Mike possui um carro feito para cenas de ação em filmes. Toda reforçada, a máquina é “à prova de morte”, pelo menos para o motorista. Além de ser seu antigo objeto de trabalho, o carro é também sua arma do crime, sendo utilizada com requintes de crueldade pelo motorista tendo assim seu desfecho.

Mike parece seguir um padrão, e na segunda parte do filme ele se depara com um grupo parecido com o anterior: As amigas de Albernathy (Rosario Dawson) estão curtindo uma viagem. Sendo assim o dublê Mike inicia uma nova tentativa de realizar seus planos macabros.

Será impossível não fazer um paralelo com “Planeta Terror” (clique aqui) que possui um ritmo alucinante e por esse fato é um filme muito mais acessível do que o de Tarantino. Abarrotado de diálogos (característica inerente do ex-atendente de locadora Tarantino) a falta de um conteúdo mais primoroso atrapalha de certo modo. Principalmente em uma cena com plano-sequencias idênticos ao inicio de “Cães de Aluguel”, onde os personagens estão conversando em um restaurante – que por sinal pode até ser o mesmo estabelecimento – porém o problema é sem dúvida o conteúdo. Mas também não seria possível que um filme trash dos anos 70 tivesse diálogos intelectuais não é mesmo….

O que mais me agrada em “À Prova de Morte” é o clima típico dos anos 70: Pegar um carrão e afundar o pé no acelerador em uma estrada deserta com uma paisagem deslumbrante, sempre acompanhado por amigos e muito álcool. Toda a sequência no bar é fenomenal, a fotografia – que pela primeira vez é assinada pelo próprio Quentin Tarantino – é muito bem trabalhada e executada. Isso sem falar na sequências finais das duas histórias. Igualmente á “Planeta Terror” aqui também temos uma péssima qualidade da película, rabiscos durante a projeção e problemas com o colorido do filme. Obviamente uma homenagem as antigas Grindhouses.
Vale ressaltar que este clima setentista que eu destaquei é algo utópico, afinal o filme não se passa na década de 70 e sim na atualidade. Inclusive em meio às inúmeras menções da produção, está à atriz Kirsten Dunst estampada em uma revista de moda, com as roupas do filme “Maria Antonieta”, isso sem falar nos celulares e músicas da nova geração.

Colocando-se em uma balança os prós e contras de “À Prova de Morte”, ele se equivale a “Planeta Terror”. No geral a produção de Tarantino é mais filme do que a de Rodriguez, porém padeceu de um cuidado maior, principalmente por parte do ritmo. Queira ou não os excessos de diálogos acabam prejudicando o andamento orgânico que a produção deveria ter. Isso o faz decair e atingir o nível da produção de Robert Rodriguez. Um nível por sinal muito alto e animador.

Os três anos de hiato entre as produções não prejudicaram o resultado final do projeto “Grindhouse”. Relembrando as antigas casas de projeções e relembrando também a época em que diretores arriscavam e tentavam sair da rotineira falta de criatividade. O cinema agradece.

Nota: 8,0

por Filipe Ferraz

2 comentários Adicione o seu

  1. É o pior do Tarantino (meu diretor favorito), e ainda assim é ótimo!

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