2010, Cinema, Críticas

Predadores (2010)

O recomeço da franquia “Predadores” faz o básico e apostando em boas cenas de ação, consegue um resultado satisfatório.


A franquia criada por John McTiernan, “O Predador”, atraiu muitos fãs, desde a sua primeira aparição em 1987, estrelado por Arnold Schwarzenegger, até sua ultima aparição no risível “Alien vs. Predador 2” do ano de 2007. Foram então vinte anos de uma saga prejudicada muito pelo tempo (os efeitos especiais não funcionam vistos hoje) e pela mentalidade da época. Década de 80 poderia também ser aclamada como uma das piores fases do cinema ou em outras palavras como a década da Testosterona. A criatividade era nula, produtoras não investiam em jovens talentos e o cinema parecia estagnado na sombra de que surgissem um novo “O Poderoso Chefão” ou “Laranja Mecânica”. Em meio a este cenário opaco, duas grandes correntes ganharam forças e atraíram inúmeros fãs: O chamado terror Slasher e os filmes testosteronas.

Os terrores encabeçados por franquias como “A Hora do Pesadelo” (clique aqui) e “Sexta-Feira 13” e os filmes testosteronas pelas franquias “Duro de Matar” e “Maquina Mortífera”. Por favor, não estou de forma alguma desmerecendo estas produções memoráveis e que se tornaram clássicos modernos no cinema. Isto é só uma amostra da transição ocorrida entre as décadas de 70 e 80. Pois bem, então uma história de um grupo de soldados encurralados por um inimigo invisível, com uma força mais poderosa do que suas mais eficazes armas com certeza faria sucesso. E fez.

Talvez não fosse necessário um recomeço, mas Robert Rodriguez (“Sin City – A Cidade do Pecado”) não achou o mesmo. Produtor e roteirista ele é um dos cabeças chaves para a realização de “Predadores” que chega agora aos cinemas brasileiros. Se na década de 80, como já relatei, o cinema passava por uma crise de criatividade, podemos dizer o mesmo de agora – em menor proporção – basta ver o índice de adaptações e remakes ocorridos nos últimos anos. Isso não serve para credenciar um filme como fraco, apenas deve ser ressaltado.
“Predadores” tem um bom começo, utilizando sabidamente uma trilha sonora densa para não deixar o clima sem ação tomar conta da sala de cinema. Tenta não se comprometer com os fãs, entregando uma narração linear, toda certinha, com um padrão já bem estabelecido de descoberta dos personagens, perseguição e por fim muita ação. No mínimo os fãs de filmes de ação e obviamente da franquia, irão se identificar com a película.

O novo filme do universo de Predador é estrelado por Adrien Brody como Royce, um mercenário que relutantemente lidera um grupo de combatentes de elite e descobre que eles foram levados para um planeta alienígena para servirem como presas. À exceção de um médico que caiu em descrédito, todos são assassinos a sangue frio: mercenários, mafiosos da Yakuza, presidiários, membros de esquadrões da morte – ou seja, “predadores” humanos que agora serão sistematicamente caçados e eliminados por uma nova raça de Predadores alienígenas.

Podemos ver que é uma trama bem simples. O filme é dirigido pelo americano Nimród Antal (“Temos Vagas”) tendo como roteiristas o próprio Robert Rodriguez e também os estreantes Alex Litvak e Michael Finch. O trio consegue montar um roteiro, como eu disse, básico e sem maiores pretensões. Claramente haverá uma continuação (como já relatado por Rodriguez) e aí sim veremos qual será o caminho escolhido pelo novo universo Predador, ser mais um filme de ação ou realmente fincar o nome da franquia entre os verdadeiros clássicos do cinema – opção quase utópica.

Os efeitos especiais apresentam avanços estratosféricos com relação ao filme de 1987 e obviamente não poderia ser diferente. Outra coisa exemplar foi que a figura do Predador foi mantida, a produção do filme tomou um grande cuidado para não modificar nada da aparência física do ser sanguinário de outro planeta. Contém uma ótima direção de arte que construiu novas espécies de predadores dando um “up” no mundo dos alienígenas.

Transformar Adrien Brody (“O Pianista”) em um Arnold Schwarzenegger seria muita pretensão, o papel aqui de Brody de um clássico anti-herói não combina muito com seu perfil. Se nós reclamamos que só os brutamontes estrelam estes filmes, vamos parar com esta observação assim que observamos Adrien Brody como o mercenário e sanguinário de “Predadores”. Alguns nomes são completamente desperdiçados como dos experientes Danny Trejo (“A Balada do Pistoleiro”) e Laurence Fishburne (“Matrix”). Topher Grace (“Em Boa Companhia”) também não apresenta nada que mereça menções. Ao contrário da brasileira Alice Braga (“Eu Sou a Lenda”) que leva o filme nas costas, são delas as frases mais importantes e as situações mais coerentes.

Ao término de “Predadores” fica um tom de satisfação. Podemos até questionar o porquê do recomeço da franquia, mas devemos admitir que funciona muito bem como um filme de ação.

Nota: 6,5

por Filipe Ferraz

Um comentário em “Predadores (2010)”

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