2010, Cinema, Críticas

Salt (2010)

Eficiente no que se propõe, apesar de tentar erroneamente uma saída mais intelectual que o de costume. Os mesmos exageros e cenas desnecessárias de quase todos os filmes do gênero também estão presentes.

A superstar Angelina Jolie estrela mais um filme de ação. Depois dos sucessos comerciais “Sr. e Sra. Smith” e o excelente “O Procurado”, a bela atriz retoma a parceria com o diretor Phillip Noyce, o qual já havia trabalhado junto em “O Colecionador de Ossos”. Por se tratar de um filme de ação típico, nós não deveríamos cobrar um grande enredo com uma trama bem trabalhada, o grande problema de “Salt” é que parece que Phillip Noyce tentou elaborar algo nem tão superficial com um enredo capaz de se aproximar a trilogia Bourne. O tiro, literalmente, saiu pela culatra.

O roteiro escrito por Kurt Wimmer (“Ultravioleta”) acompanha a agente da CIA Evelyn Salt (Angelina Jolie), uma espiã americana, casada e que está sendo acusada de ser uma agente infiltrada em uma conspiração soviética para matar o presidente russo em solo americano e desencadear a guerra para acabar com todas as guerras. Sendo caçada por seus pares, incluindo seu melhor amigo, o agente Ted Winter (Liev Schreiber) e do implacável agente de contra-inteligência Peabody (Chiwetel Ejiofor).

A trama em princípio é bem simples, colocando Angelina Jolie nas peles de Harrison Ford em “O Fugitivo”, lutando contra tudo e se escondendo com seu “super” treinamento. Mas parece que Phillip Noyce e Kurt Kimmer queriam mais, então tentaram elaborar uma trama com várias reviravoltas e com um teor político razoável entre o conflito de outrora de União Soviética e Estados Unidos. Chega até ser louvável a tentativa da dupla, porém graças a um roteiro pífio, a trama é completamente superficial e totalmente inverossímil. É preciso talento para saber dosar entre a ação e o enredo patriótico de “Salt”. O herói/vilão mata a todos, sem pensar nas conseqüências ou nas dificuldades de tais atos. Tudo isso para ser elevado ao patamar de herói em seu país, mas de vilão ao local prejudicado. É uma espada de dois gumes, com uma exploração muito rala e banal por parte da direção desta película.

As velhas cenas totalmente desnecessárias também estão presentes em “Salt”. Angelina Jolie sapateia, pula, faz acrobacias em cima de caminhões em alta velocidade com tamanha facilidade que nem mesmo Daiane dos Santos com uma boa dose de adamantium conseguiria. Consegue deixar no chão uma dúzia de soldados altamente treinados com um simples extintor, além de saltar entre os cabos de sustentação de um elevador. Isto não é exclusividade deste filme, mas é uma saída muito fácil para os filmes do gênero. A nem tão boa e velha tática de colocar as já conhecidas marmeladas que adocem o paladar do grande público.

A franquia 007 foi o prelúdio destas situações, porém em tempos diferentes e também sabendo bem escolher suas pretensões. “Salt” ficou na dúvida se seguia “A Identidade Bourne” ou os filmes estrelados por James Bond. Escolheu os filmes de Matt Damon, mas sem ter as habilidades necessárias em saber amarrar muito bem o telespectador, acabou ficando em cima do muro em toda a produção. Tenta a qualquer custo sempre degustar o público com algo intelectual como o conflito da Guerra Fria, mas sempre esbarrando em suas próprias limitações, deixando assim um filme que deveria ser pipoca, em um filme quase inteligente. Não funcionou. “Salt” até consegue agradar o público em geral, mas graças à figura emblemática de Angelina Jolie e as, quando não exageradas, boas cenas de ação graças a sua boa montagem.

Então mesmo com as gigantescas derrapagens tanto em seu roteiro pseudo-intelectual e nas desnecessárias cenas forçadas, “Salt” consegue agradar o público em geral. Um público menos exigente que compra um saco enorme de pipoca para sentar na poltrona do cinema com o intuito de se divertir. Estes sairão satisfeitos.

Nota: 5,0

por Filipe Ferraz

2 comentários em “Salt (2010)”

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