2010, Cinema, Críticas

Meu Malvado Favorito (2010)

"Despicable Me" de Pierre Coffin, Chris Renaud e Sergio Pablos

Tão vazio quanto o quadro de idéias de seus produtores, “Meu Malvado Favorito” não consegue em nenhum momento uma aproximação benéfica com seu telespectador, fundamentalmente graças ao erro em suas apostas.

2010 foi um ano atípico para as animações. A toda poderosa Pixar trouxe onze anos depois a franquia “Toy Story” de volta aos cinemas. Mais cativante e emocionante o filme é considerado uma das melhores produções deste ano. Foi também um ano onde enfim a DreamWorks, encerrou sua principal série de filmes, com o último “Shrek Para Sempre”, porém o substituindo por uma produção talvez até melhor: “Como Treinar o Seu Dragão”. A animação do mestre japonês Hayao Miyazaki, “Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar” mesmo com dois anos de atraso, chegou aos cinemas brasileiros – em pouquíssimas salas é verdade. “Mary & Max – Uma Amizade Diferente”, infelizmente chegou totalmente despercebido em solo brasileiro, mas é uma das animações mais tocantes já feitas e pelo fato de ser realizada em stop-motion consegue emocionar mais que quaisquer personagens em live-action.

Correndo paralelamente a todo este centro de atenções surgiu um novo estúdio, o “Illumination Entertainment” que em sua estréia leva aos cinemas a animação “Meu Malvado Favorito”.

Em um tranquilo e feliz bairro de subúrbio, onde as casas têm cercas com arranjos de flores, há uma única casa sombria e cujo jardim está morto. Os vizinhos não têm conhecimento disso, mas ali se encontra o esconderijo secreto de um vilão assustador chamado Gru (voz de Steve Carell), que planeja o maior golpe do mundo: ele vai roubar a Lua. Para tanto Gru possui um arsenal de armas como sua pistola de raios que podem encolher ou congelar, além de um veículo de guerra capaz de voar. Gru acredita que pode vencer qualquer um que cruzar o seu caminho. Isso até o dia em que conhece as garotinhas órfãs Margo, Edith e Agnes. Elas são as únicas que conseguem ver naquele homem o que ninguém jamais viu: um pai em potencial.

Nem tão original quanto parece ser. Talvez seja a melhor descrição do fraco “Meu Malvado Favorito”. A ideia de ter como protagonista um vilão seria uma boa premissa para uma animação, entretanto a carência de idéias vai ficando nítida conforme a película vai se desenrolando. Ao invés de explorar bem esse lado “maligno” de Gru, os estreantes na direção Pierre Coffin, Chris Renaud e Sergio Pablos apostam em correr a uma sensibilização barata, jogando três meigas meninas que amolecem o coração duro do ‘’temido’’ vilão Gru. Algo totalmente vago, clichê e sem o mínimo de êxito esperado.

Assistindo ao trailer, logo nos chama a atenção às pequenas criaturas amarelas, que – teoricamente – por si só são muito carismáticas e engraçadas. O incrível é que os mini-ajudantes clonados de Gru, denominados de minions, são totalmente irrelevantes na história e ao término da fita até esquecemos-nos de sua existência. Vamos chegando à conclusão que todas as apostas feitas por “Meu Malvado Favorito” são erradas. O vilão que aqui é o personagem principal não é carismático o suficiente ao ponto de conseguir segurar o filme; os ajudantes de Gru são figuras totalmente irrelevantes dentro da trama; a introdução das três garotas desvia a trajetória do filme para um clichê emocional insuportável. E tudo isso só serve para um distanciamento indesejável ao telespectador, que em momento algum consegue se empolgar com o que é apresentado em tela.

Agora o que se torna indecifrável é a medonha dublagem do personagem Gru (originalmente o vilão é interpretado por Steve Carrel de “O Virgem de 40 Anos”). Nada contra o bom humorista Leandro Hassum, mas que, nas vozes do personagem principal está totalmente irreconhecível e pessimamente estruturado. Chega até ser difícil entender o que Gru está dizendo, graças a um sotaque russo misturado com castelhano. A dublagem foi outra bola fora, e talvez tenha servido para que o personagem principal seja tão fraco ao ponto de não segurar o filme.

Não inova em nada tecnicamente, fugindo também para a nova modinha de Hollywood, o 3D, que também é totalmente dispensável aos nossos bolsos. Aliás, assim como todo o filme.

Cada dia que passa, vou acreditando ainda mais na tal “Magia Disney/Pixar”. “Meu Malvado Favorito” tenta usar o mesmo molde que levou a Pixar ao patamar mais alto. O novo estúdio Illumination Entertainment pediu a cartilha de como se fazer uma animação de nível Pixar. Tentou cumprir tudo que estava estabelecido no manual. Resultado: Tecnicamente inferior, pouco divertido, e com um sentimentalismo barato. Falhou em tudo, principalmente na tal magia……

Nota: 4,0

por Filipe Ferraz

Um comentário em “Meu Malvado Favorito (2010)”

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