2010, Cinema, Críticas

Os Mercenários (2010)

"The Expendables" de Sylvester Stallone

Em uma boa dose de diversão e nostalgia, “Os Mercenários” homenageia a tão famosa época da testosterona do cinema. Elenco estrelado, grandes cenas de ação e deboches múltiplos ditam o ritmo do filme.

Testosterona foi um termo muito usado na década de 80. Isso porque o cinema andava em crise e estas produções, digamos mais explosivas, ganharam um lugar no hall dos grandes clássicos, que provavelmente jamais deixarão de ocupar. Obviamente junto com as películas de ação, vieram marcas tão forte quanto, que sustentavam as franquias na época e era a personificação da Testosterona. Sim, os homens bombados, campeões de fisiculturismos também dominaram a grande tela.  Rocky Balboa, Capitão Ivan Drago, John McLane e Conan jamais se apagarão de nossas memórias.

E 30 anos depois os brucutus voltaram, e todos de uma só vez. Elaborado, dirigido, roteirizado e anabolizado por Sylvester Stallone, “Os Mercenários” chega com pinta de ‘reboot’ americano, mas sai como um ótimo e divertido filme de ação.

A trama mostra um grupo de mercenários, liderado por Barney Ross (Sylvester Stallone) que recebe a incumbência de derrubar um ditador esquerdista de uma ilha do golfo (David Zayas), que está sendo apoiado por um misterioso patrocinador americano (Eric Roberts). Entre os mercenários estão Yin Yang (Jet Li), Lee Christmas (Jason Statham), Hale Caesar (Terry Crews) e Toll Road (Randy Couture). Mas, como não poderia deixar de ser, Barney acaba se simpatizando pela bela Sandra (Giselle Itié), que funciona como o contato local dos mercenários e que guarda uma relação misteriosa para com o mandatário local.
Somos apresentados ainda ao irreverente tatuador do grupo, Tool (Mickey Rourke) e aos mandatários de tal projeto, Sr. Cruch interpretado por Bruce Willis e um político, vivido por Arnold Schwarzenegger

Quem cobrar um roteiro bem elaborado, ótimas interpretações ou algo completamente verossímil, com certeza não está na sintonia ideal dos bons e velhos filmes de ação. É o que difere, por exemplo, “Salt” e “Os Mercenários”, recentes filmes do mesmo gênero. O primeiro tenta impressionar pela inteligência de sua trama, porém rói a corda e foge para as ditas marmeladas (leia mais clicando aqui). Enquanto isso o filme de Sly jamais se leva a sério, dando total variabilidade para tais cenas, digamos forçadas – e olhem que nem são tão escandalosas como as do filme de Jolie.

As típicas frases de efeito estão presentes em toda película e sempre debochando de si próprios. Os astros já descartáveis (a tradução direta de “The Expendables”, nome original do filme, seria “Os Descartáveis”) não têm vergonha de tal status. Percebemos sempre um tom de deboche múltiplo, fazendo sempre um link com o gênero que os próprios elevaram no cinema. Eles estão reconhecendo que o único favor deles para a sétima arte foi o entretenimento, nada a mais que isso, porém tudo que foi desejado pelos brucutus que estrelaram seus filmes em 80.

A produção foi também cercada de muita polêmica. Primeiramente o possível atrito que o astro Van Damme teria causado. O ator teria recusado o papel (posteriormente dado a Dolph  Lundgren) pois ele perderia a luta para Jet Li. Outra polêmica foi em relação às declarações de Stallone quanto ao Brasil (as cenas na fictícia ilha foram filmadas em território nacional). O ato foi na Comic Com 2010, onde quando perguntado sobre o porquê filmar no Brasil, Sly completou em tom de piada: “Lá você pode atirar nas pessoas, explodir coisas e eles dizem obrigado! E aqui está um macaco para você levar para casa. Não poderíamos ter feito o que fizemos (em outro lugar). Explodimos muita terra. Parecia assim: todo mundo traz o cachorro quente. Vamos fazer um churrasco. Vamos explodir essa cidade”. Obviamente Stallone foi massacrado por “patriotas” fervorosos, que adoram esculachar com o próprio país, fazem piadas de portugueses, argentinos, japoneses e se sentem atingidos pela frase de Sly, tentando boicotar o filme, criando uma birrinha com o astro americano. Não deveria nem ter adentrado tanto neste assunto, mas é muita hipocrisia pro meu gosto. Hipocrisia verde e amarela é claro.

Enfim, voltando ao que interessa nos deparamos com grandes cenas de ação. Sendo quase que feito a mão, com explosões e até mesmo um pescoço quebrado de Stallone, “Os Mercenários” consegue ser prático em sua montagem, sem utilizar muitos frames, deixando claro “quem bate e quem apanha” nas cenas de batalha.
O CGI, nas poucas vezes que é utilizado causa estranheza e é muito mal utilizado. Este ponto poderia ter ganhado proporções maiores, mas felizmente não chega a atrapalhar por completo o filme, sendo apenas um incomodo.

O encontro entre os grandes astros foi nostálgico acima de tudo. Jamais imaginei presenciar Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis e Sylvester Stallone dividindo a mesma cena, ainda mais no cinema. Esta é sem dúvida uma cena marcante, que daqui a um tempo será lembrada como a reunião de craques de outrora. Além também de reunir nomes conhecidos do gênero como Jason Statham (“Carga Explosiva”), Jet Li (“Herói”), Mickey Rourke (“O Lutador”) e Dolph Lundgren (“Soldado Universal”)

Temos sempre que analisar propósito e realização. Não vamos cair no saudosismo de querer cobrar mais do que merecia ser apresentado. “Os Mercenários” vem com único intuito de entreter, divertir e ser uma série nostálgica. Faz isso com soberania.

Nota: 7,5

por Filipe Ferraz

2 comentários em “Os Mercenários (2010)”

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