2010, Cinema, Críticas

O Último Mestre do Ar (2010)

"The Last Airbender" de M. Night Shyamalan

Visualmente maravilhoso, porém com um elenco horrível e um roteiro amador, “O Último Mestre do Ar” é totalmente desprovido de vida.

Certamente “O Último Mestre do Ar” irá atrair muitas pessoas para o cinema. Temos no mínino três boas hipóteses para justificar tal afirmação. Primeiramente os fãs da animação “Avatar”; Segundo, pelos admiradores do diretor indiano M. Night Shyamalan e por último quem se empolgou com as imagens e trailers da produção. Particularmente me incluo nesta última hipótese.
O curioso é que parece que “O Último Mestre do Ar” não conseguiu agradar nenhum de seus alvos.

Confesso ser totalmente leigo com relação à animação, sendo assim não poderei construir uma análise embasada sobre a veracidade da película e se realmente traz fidelidade ao desenho. Mas pesquisando sobre o assunto, percebo que os fãs da série animada receberam o longa com muita negatividade.
Estou muito longe de ser um fã do trabalho de Shyamalan, mas posso descrever um pouco mais sobre o seu novo trabalho. Já assisti toda sua filmografia – nada anormal – e sempre defendia a tese que o indiano tinha algo em mente: Agradar a si próprio. E não entenda isso como um ato negativo ou egoísta, mas é que sempre me pareceu que Shyamalan produzia seus filmes para uma realização pessoal. Dando uma resumida em sua carreira, ela é recheada por filmes medianos: “Sinais”, “Corpo Fechado” e “Fim dos Tempos”; pelo horrível “Dama na Água”; pelo ótimo e a meu ver seu melhor filme “A Vila” e é claro não poderíamos deixar de falar do revolucionário “O Sexto Sentido”. Perceba o quão ímpares são seus filmes, originais e únicos. Para deixar o mais claro possível o que quero dizer, são totalmente autorais.
Aqui em “O Último Mestre do Ar” ele claramente foge desta regra, afinal pela primeira vez ele adapta uma obra. Seu trabalho diante de um blockbuster infantil, como qualquer novato, é fraco.

No filme, um garoto de 12 anos, Aang (Noah Ringer), precisa dominar seus poderes para trazer a paz ao mundo. Em uma era perdida, a humanidade se dividiu em quatro nações: a Tribo das Águas, o Reino da Terra, a Nação do Fogo e os Nômades do Ar. Dentro de cada nação, há uma ordem de homens e mulheres notáveis, chamados Benders (ou Dobradores), que são capazes de manipular seus elementos nativos num tipo de luta, o Bending, que combina artes marciais e mágicas. Para manter o equilíbrio entre as nações, a cada geração nasce um único Dobrador, que é capaz de controlar todos os quatro elementos. Essa pessoa é o Avatar, um escolhido que manifesta o espírito de todo o mundo em forma humana.

Sabe aquele filme que é pobre tecnicamente, mas que mesmo assim consegue te agradar? Eu justifico que o fator preponderante para isso é o chamado ‘feeling’, algo como a sensação, o sentimento que determinada fita lhe traz. Este é o grande tumor do novo filme de Shyamalan. Você sente uma produção tão vazia, sem sentimento algum de tal modo que se fossemos transferir o cinema para uma aula de biologia, “O Último Mestre do Ar” seria classificado na mesma categoria de que os quatro elementos base de sua trama: Fogo, ar, água e terra. Seres não vivos.

Realmente temos aqui um filme muito bom tecnicamente. Os efeitos visuais são excelentes e casam muito bem com a ótima trilha sonora de James Newton Howard, parceiro mor de Shyamalan – trabalharam juntos em “Corpo Fechado”, “O Sexto Sentido” e “Sinais” – James realiza um trabalho convincente e mais uma vez se garante. O contrário de Shyamalan que não consegue acertar nas suas principais virtudes: Roteiro e direção.
Os diálogos são pobres, dificilmente somos convidados a pensar em alguma metáfora ou no mínimo uma frase de efeito. Além disso, a história é muito mal contada com pulos inexplicáveis dentro de sua trajetória.

Fico com a impressão que o filme originalmente tinha duas horas e meia, porem parece ter sido cortado para cem minutos. As cenas quase nunca têm um desfecho crível, tanto as de ação quanto as de explicações. Ou realmente foi um erro grotesco por parte da montagem do filme, ou sofreu da grande mania das distribuidoras em ‘estuprar’ a obra original cortando boa parte dos filmes.

E fica o aviso: Robert Pattinson, Kristen Stewart e Taylor Lautner que se cuidem, pois agora eles possuem concorrentes de peso para o tão aclamado “Framboesa de Ouro”. Noah Ringer, Jackson Rathbone, Nicola Peltz e Dev Patel (protagonista de “Quem Quer Ser um Milionário?”) conseguem realizar um trabalho péssimo. As atuações são medíocres, compondo assim um elenco desconhecido e muito, muito ruim.

Sendo assim, mesmo com um visual maravilhoso e sua ótima trilha sonora, “O Último Mestre do Ar” é falho. Não deve ser descartado por completo, porém é uma produção muito fraca, com um elenco entediante, estruturalmente repleto de problemas e principalmente sem coração.

Nota: 4,0

por Filipe Ferraz

8 thoughts on “O Último Mestre do Ar (2010)”

  1. Concordo com quase tudo o que vc disse. Só que era meio impossível de uma obra assim ser uma obra-prima, mesmo sendo Shyamalan quem a dirige.

    E devo dizer que fiquei um pouco satisfeito com o filme sim. Porra depois do massacre da crítica, e onde vc ia estavam falando mal do filme. Vi que não tem nada dessa trajedia que disseram sobre o filme. Talvez seja pelo filme ser do polêmico Shyalaman, esperam mais uma obra grandiosa, mas esse filme não o estilo do diretor, então não há muito o que cobrar.

    Depois de assisti o filme me interessei pelo desenho, mesmo que o filme nao tenha consiguido desenvolver melhor a historia do filme, mas devo dizer que me interessei. A historia e a fábula do filme é realmente muito boa, mas infelizmente não tivemos uma adaptação digna!
    Andinhu.

  2. Bom concordo com todas as palavras, parecia um filme de seção da tarde :S

    Sem falar que igualmente ao escritor da crítica fui assistir mais pelos efeitos dos Trailers e Posters ( Aqui também fiquei indignado. Pois no poster do príncipe de fogo, ele estava danificado com a queimadura igualmente ao desenho, e no filme pelo amor o que era aquilo Oo’ ).

    Sem falar que foi meio feito nas coxas a escolha dos atores, porque que interpretação foi aquela dos três principais (Avatar + os dois irmãos que fugiu o nome rs), não tinha emoção alguma. ( Como foi falado do filho do smith em karate kid, o menino interpretou os sentimentos bem.)

  3. Bom eu baixei o filme ontem nao assisti tudo ainda…
    vou comentar algo basico…soh pelo q eu vi…
    eu ja vi todos os episodios do Avatar.. o Principe zuco no filme tem uma queimadura leve???? pow no desenho ele foi brutalmente queimado pelo Rei (o pai dele)… quando o Avatar eh capturado os dois irmaos da tribo da agua vao atras do navio da marinha do fogo… e o Ang entra no estado de avatar e destroi o navio… pow no filme ele foge sem ao mesmo destruir o navio… filme eh mto fraco… o filme tinha q ser uma copia fiel do desenho…=/ tanto tempo espero por esse filme.. e fizeram merda..=/

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