A Origem (2010)

"Inception" de Christopher Nolan

Ele quer fazer cinema! Cris Nolan se joga dentro do jogo dos cineastas mais expressivos dos anos noventa e triunfa sobre eles a partir dos conceitos e pontos fortes de suas próprias realizações.

 

Não é Tarantino. Nem Soderbergh. E esqueça os irmãos Wachowski. Cris Nolan é a grande surpresa desse início de século 21. Depois de “O Grande Truque”, Batman – O Cavaleiro das Trevas e A Origem”, ele já provou através da qualidade de seus trabalhos que ele faz a diferença.

Mistura de Matrix” e “Onze Homens e um Segredo”, “A Origem” poderia ser um filme bem indigesto se ele não encontrasse os elementos certos para contar a sua estória sobre roubar idéias da mente alheia. Seu principal protagonista Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um profissional versado na arte de extrair idéias dos sonhos de suas vítimas, até que um dia ele se depara com um desafio diferente: plantar uma idéia na mente de um executivo chamado Robert Fischer (Cilian Murphy) a pedido de um rival dele no mundo corporativo – e vítima de Cobb – Saito (Ken Watanabe) para  quebrar o império de seu pai. Saito também oferece a Cobb uma oportunidade de recomeçar a sua vida ao lado de seus filhos e se livrar de qualquer acusação de espionagem industrial ou crime corporativo. Com uma oportunidade de redenção dessas nunca sonhada – Ops! – imaginada, Cobb vai recrutar um time para realizar sua inserção: uma arquiteta de sonhos, Adriadne (Ellen Page), um especialista em resgates, Arthur (Joseph Gordon-Lewitt) e um manipulador de formas chamado Eames (Tom Hardy) para sua missão.

Durante duas horas e meia de filme, as quais é aconselhável, não ir ao banheiro, namorar no escurinho ou se distrair com a pipoca, Nolan nos mostra sobrevida além do seu último e bem-sucedido filme do Batman: “A Origem” é bem escrito e tem muita ação para você não se distrair no conforto de sua poltrona. Diferente de “Matrix”, que a pretensão e a imaturidade tiveram mais peso que o conteúdo, ele soube usar a personagem Adriadne para ajudar o telespectador a entender a história (repare como as perguntas dela são exatamente as mesmas perguntas que faríamos enquanto estivéssemos assistindo o filme, do momento em que ela aparece até a conclusão da estória). Todos os personagens coadjuvantes têm sua razão de existir e não ornamentam a trama. Não é um elenco estelar e nem cheio de queridinhos da mídia norte-americana como em Onze Homens e um Segredo” que ainda por cima foi escrito por seis (!) pessoas. Não, Cris Nolan não é Chuck Norris, mas escreveu o roteiro todo sozinho (e sem a ajuda do seu irmão ou de David Goyer). Há quem reclame do ritmo da história e da estrutura dos eventos por ser certinha demais, mas os diálogos são precisos e todas as pontas são amarradas no fim da estória sem faltar nada, coisa que você pode até ter visto em “Kill Bill” ou “Pulp Fiction”, mas com menos verborragia e sem referências obscuras de algum ponto esquecido dos anos 70; em “A Origem”, as referências sobre Stanley Kubrick, Ridley Scott, Michael Mann entre outros cineastas fazem você justificar sua ida ao cinema.

Absurdo… Fantástico… Intenso… A Origem” é embalado pela trilha sonora de Hans Zimmer que recorre à música eletrônica e guitarras para complementar uma idéia que roubou (?) ao ouvir Edith Piaf (e aproveitar os compassos de uma de suas maiores interpretações) para compor uma trilha sonora que se divide entre o sereno e o susto para embalar os sonhos de quem vai assistir ao filme e  gostando ou não, dirá: Não, eu não me arrependo de nada.

Nota: 9,0

por João P. Silva Jr.

Outra crítica de “A Origem” clique aqui

4 comentários sobre “A Origem (2010)

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