2010, Cinema, Críticas

A Ressaca (2010)

"Hot Tub Time Machine" de Steve Pink

Com influencias de inúmeras outras obras e mergulhando hilariamente nos anos 80 em pleno século 21, “A Ressaca” surge como uma aventura eficientíssima.

Ano passado um dos filmes que mais deram o que falar foi à comédia de Todd Phillipis, “The Hangover” em uma tradução direta, A Ressaca. Pois bem, o filme estrelado por Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis e Justin Bartha, que venceu o Globo de Ouro na categoria de Melhor Comédia ou Musical, chegou ao Brasil com o título “Se Beber, Não Case”. Agora temos aqui “Hot Tub Time Machine”, algo difícil de conseguir uma tradução ortograficamente com sentido, mas que significa puramente uma banheira de hidromassagem (Jacuzzi) que funciona como uma máquina do tempo (?). Sem pensar duas vezes, aqui no Brasil, o longa foi traduzido como “A Ressaca”.
Então muito mais do que uma forçada coincidência lingüística, encontramos numerosas semelhanças entre o vencedor do Globo de Ouro do ano passado e o filme aqui em debate.

Quatro amigos que se juntam, pegam um carro e vão a sentido de uma farra! Idêntico não? Porém aqui não é uma despedida de solteiro, mas sim uma tentativa de organizar suas vidas, uma vida que anda rodeada por tédio, decepções e inúmeras frustrações.
Adam (John Cusack), Lou (Rob Corddry) e Nick Webber (Craig Robinson) são amigos de longa data e decidem, depois de uma suposta tentativa de suicídio de Lou, voltar a um antigo resort que costumavam ir ainda quando adolescentes. Agora também contarão com a companhia do sobrinho de Adam, Jacob (Clark Duke) um nerd totalmente viciado em vídeo-game que nem ao menos sai de sua casa.
Já no resort, depois de uma noitada de muita bebedeira, eles acordam estranhamente no ano de 1986. Além de buscar uma lógica para tal acontecimento e fugir deste passado, eles têm que confrontar as escolhas feitas há vinte anos e buscarem uma nova chance para mudar o futuro de suas vidas.

Podemos inicialmente perceber certo drama – superficial – vindo da trama de “A Ressaca”, exercendo-se apenas como uma escolha de plano de fundo para o acontecimento principal (à volta aos anos 80), mas que ainda assim, funciona como uma veraz motivação principal aos personagens centrais. Logicamente realizar uma cobrança muito extensa de um filme onde toda sua trama se baseia em uma banheira que funciona como uma máquina do tempo seria algo irracional e desconexo. A tal ‘Hot Tub’, que significa banheira de hidromassagem, é só uma ponte para a verdadeira e eficientíssima aventura do filme: A viagem até os anos 80.

Em meio a esse “passeio” pelo inverno de 86, encontramos inúmeras referencias a obras que retrataram temas semelhantes ao escolhido pela película. Temos citações de “De Volta Para o Futuro” (em inúmeras tomadas), “Exterminador do Futuro” e “Efeito Borboleta” além de temas que elucidam os anos 80, como “Karate Kid”, “Amanhecer Violento” retratando a ideologia comunista da época, o seriado “Alf – O Eteimoso”, um fliperama de Mario Bros e o moderníssimo e de difícil acesso, walkman…
Abordar uma época relativamente próxima, mas ao mesmo tempo tão distante, parecendo indecifrável para esta recente geração, necessita de grande sensibilidade para saber em quais pontos focar-se. Sendo assim a escolha do figurino estilizado por polainas e cores espalhafatosas juntando-se á sagaz alternativa de extremar a trilha sonora oitentista colocando de volta em evidencia bandas como Poison, David Bowie, Spandau Ballet,  INXS e Mötley Crüe, foi uma escolha acertada e muito eficaz. Afinal, retratar determinado espaço de tempo tem meio caminho andado sintetizando o que se passava na TV, esclarecendo qual roupa era utilizada e manifestando quais músicas eram escutadas. Com certeza atingirá em cheio aos espectadores nostálgicos e perplexos por tal época.

Além do que uma verdadeira aventura pelos anos 80 em pleno século 21, “A Ressaca” necessita que todos seus méritos sejam planamente dividido entre suas ótimas piadas e situações hilárias que acompanham toda a projeção. São diversas piadas sujas e fortes, que contrabalanceando um receio por parte dos temas abordados, tem êxito graças ao tom excelente com que são colocadas, isso, devido à incrível sintonia entre o quarteto principal, encabeçado por John Cusack (“Nossa Vida sem Grace”), que sendo o ator mais talentoso, acaba servindo como uma verdadeira sustentação ao resto do elenco, interpretando de forma harmônica um homem solitário, que acabara de ser chutado por sua namorada. Incitados pelo amparo de Cusack, Clark Duke (“Kick-Ass”), Craig Robinson (“Miss Março”) e principalmente Rob Corddry (“Antes Só do que Mal Casado”) – possuindo as situações mais hilárias e pesadas – pactuam um grupo de amigos de fácil identificação, principalmente pelo alinhamento singelo empregado por parte deles.
Convidados pelo diretor Steve Pink (“Aprovados”), Chevy Chase (“Clube dos Pilantras”) e Crispin Glover, o eterno George McFly de “De Volta Para o Futuro” aceitaram realizar participações especiais, ótimas por sinal.

Existem grandes furos de roteiro, além de cenas forçadas, que mesmo aos mais descompromissados, causam uma ligeira perturbação, ao ponto da obrigatoriedade da realização de um trailer para “menores” e um vídeo mais “adulto” que retrata a entonação presente filme. É aconselhado para as mulheres mais sensíveis, nem projetarem uma ida ao cinema, devido às gigantescas baixarias da obra.
Ao mesmo tempo em que é mais cômico que seu “co-parceiro” “Se Beber, Não Case”, possui elementos de maior dramaticidade e acidez, tudo observado sob a ótica de uma comédia.

Hilário e muito bem coreografado com sua trilha e figurino oitentista, “A Ressaca” é uma comédia eficientíssima, aventurando-nos a uma viagem repleta de diversão, música e muita baixaria.

Nota: 8,0

por Filipe Ferraz

4 comentários em “A Ressaca (2010)”

  1. esse filme é muito blerghhhh…muito tostão….e com um final bem idiota!, dá pra dar algumas risadas, é claro, mas se quiser voltar no tempo, assista aos filmes da época e fuja deste aqui! rsrsrsrs

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