Resident Evil 3 – A Extinção (2007)

Zumbis, Star Wars, Leatherface, Hitchcock, Mad Max, Kung Fu e wathever

Favor pegar ½ mamão, 3 laranjas, 3 kiwis, 5 ou 6 bananas e 4 maçãs. Agora lave-os, descasque e em seguida esprema as 3 laranjas, de modo a obter quase 1 copo de suco. Pique as frutas, misture-as com o suco e mexa bem. Adoce-os como quiser. Lembre-se! Consuma o mais rápido possível, pois a salada de frutas pode estragar!
Agora troque o mamão por Star Wars, às laranjas por Zumbis, no lugar dos kiwis coloquem Hitchcock, nas bananas Mad Max, maças por Kung Fu e adoce-os com uma boa dose de wathever. Nosso “Resident Evil 3 – A Extinção” está pronto para ser digerido.

O terceiro filme da série “Resident Evil” consegue misturar tanta coisa – até mesmo Estátua da Liberdade, Torre Eiffel e pirâmide do Egito (???) – que nem mesmo o chefe mais requisitado de Paris conseguiria. Pegue o cenário pós-apocalíptico de “Mad Max”, tudo está presente, os comboios, a fotografia amarelada e um imenso deserto; agora introduza a família de Leatherface de “O Massacre da Serra Elétrica” torturando pessoas sem o mínimo de sentido; pegue um dos maiores clássicos de Hitchcock, “Os Pássaros”, só que substitua por corvos mortos-vivos; Chame os clones de “Star Wars” e dê poderes Jedi a Milla Jovovich. Ah! E não se esqueçam de zumbis lutadores de kung-fu armados de foices.

A produção não chega a ser uma ofensa, pois funciona como certa dose de entretenimento. Assim como uma salada de frutas tem que ser degustada e digerida rapidamente, o terceiro capítulo da adaptação de um dos games mais famosos de zumbis também necessita de uma digestão o quanto antes. “Resident Evil 3 – A Extinção” é o típico filme que, ou você desliga seu cérebro e curti uma deliciosa – sem trocadilhos – aventura, ou levantando da poltrona do cinema, vomita (!) tudo que lhe foi dado na sessão.
São tantas tramas mirabolantes que não fazem sentido algum, que o melhor caminho realmente é se deixar levar pelo clima aventuresco do longa.

O T-Vírus experimental, criado pela Umbrella Corporation, foi liberado no mundo, transformando a população em zumbis que se alimentam de carne humana. Com as cidades sem segurança alguma, Carlos Olivera (Oded Fehr) e L.J. (Mike Epps), juntamente com as sobreviventes K-Mart (Spencer Locke) e Betty (Ashanti), reúnem um grupo e fogem pelo deserto, em um comboio blindado. Eles procuram outras pessoas que não estejam infectadas, mas apenas encontram outros mortos-vivos. O grupo é acompanhado pelo dr. Isaacs (Iain Glen), que está num complexo laboratorial subterrâneo da Umbrella Corporation, escondido sob uma torre de rádio abandonada em Nevada. Isaacs acompanha também Alice (Milla Jovovich), que, após ser capturada pela Umbrella, foi submetida a um teste biogenético que alterou sua configuração genética. Agora transformando-se constantemente e sob o risco de ser traída pelo seu próprio corpo, Alice segue o comboio e tenta conduzi-los ao seu destino: o Alasca, onde acreditam que estarão livres dos zumbis.

É até notável uma melhora técnica com relação aos filmes anteriores: “Resident Evil – O Hóspede Maldito” (clique aqui) e “Resident Evil 2 – Apocalipse” (clique aqui). A direção de Russell Mulcahy é mais segura, mesmo que seja resumidamente fraca. Diretor do longínquo e marcante, “Highlander – O Guerreiro Imortal”, Russell até demonstra certa vontade em criar interessantes plano-sequencias, principalmente utilizando câmeras aéreas, entretanto essa parece ser a única habilidade do diretor, já que em todo momento ele usa esse artifício, deixando-o repetitivo e muito cansativo. A reconstrução de Las Vegas é um dos grandes pontos fortes da película, graças a uma boa direção de arte, mesmo que a fotografia seja excessivamente amarelada e com atrocidades como Pirâmides do Egito do lado da Estátua da Liberdade…

Mantendo a coerência, Paul W.S. Anderson assassina sem piedade o roteiro. Com uma trama pseudo-intelectual, que não remete a absolutamente nada ao game e juntando situações absurdas, Anderson consegue irritar fãs, não fãs, zumbis e até sua esposa, a protagonista Milla Jovovich, que não demonstra a mesma imponência das produções anteriores, sendo eficiente nas cenas de batalhas e só, sem química nenhuma com a história. Quem rouba a cena é a bela e carismática, Ali Larter, mais conhecida por seu trabalho no seriado “Heroes”.

“Resident Evil 3 – A Extinção” é uma gigantesca mistura sem sentido algum, porém que contém alguns resquícios de um bom passatempo. Assista e vomite.

Nota: 4,5

por Filipe Ferraz

2 comentários Adicione o seu

  1. vinicius disse:

    como que paris poderia virar um deserto??

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