2010, Cinema, Críticas

Resident Evil 4 – Recomeço (2010)

Nada mais é que um jogo camuflado em um filme, onde seus únicos méritos devem ser creditados a eficiente, quando moderada, utilização da filmagem em terceira dimensão.

A trilogia cinematográfica, “Resident Evil” jamais conseguiu agradar por completo, fãs e o público geral. Nas três tentativas, a “saga” sempre esbarrou em suas limitações, primeiramente técnicas e sucessivamente em sua história fraquíssima. Mas em 2002, ano do início da franquia, “Avatar” ainda não havia estreado e o diretor Paul W.S. Anderson não conhecia o 3D em sua melhor forma desenvolvida. É mais fácil melhorar o roteiro de um filme, ou sua categoria técnica? Claro, que a ultima alternativa.

Em seu mais novo trabalho, Paul W.S. Anderson que ficara de fora da direção nas duas últimas fitas (graças aos trabalhos “Alien vs. Predador” e “Corrida Mortal”) volta a dirigir e roteirizar “Resident Evil 4 – O Recomeço”, agora pisando no ainda inexplorado, território 3D. Fazendo uma rápida associação com os exemplares lançados neste ano, Resident Evil está acima de todos, isto sob a ótica – literalmente – dos óculos de terceira dimensão. “Fúria de Titãs”, “Alice no País das Maravilhas” e “O Último Mestre do Ar” tiveram suas gravações realizadas de forma regular, para em seguida, serem convertidos para o 3D, tática que não traz nem metade da profundidade que o longa criado por James Cameron consegue.
Claramente empolgado com a perfeição de Pandora e dos Na’Vi, Anderson encontrou alguma justificativa para ressuscitar, ou como já nos diz o título, recomeçar a franquia dos, mais mortos, do que vivos. Então com a cabeça na técnica e no roteiro, Anderson sentou e decidiu desenvolver o novo filme estrelado por sua amada Milla Jovovich.

Todas, isso mesmo, todas as tomadas do filme parecem ter sido feitas pensadas na filmagem em 3D. Anderson escreveu um roteiro já tentando elaborar o máximo de situações que criariam movimentos de câmera que dariam a tão agradável sensação de imersão. Não satisfeito, ele decidiu apelar para o enjoativo slow-motion, usado de forma irritante á todo momento, causando aflição, principalmente por não sentir nada de orgânico vindo destas tomadas.
A fixação de Anderson é tamanha, que ele já está trabalhando em seu novo projeto: “Os Três Mosqueteiros 3D”
Faltou então a “Resident Evil 4 – O Recomeço” saber dosar a exploração de profundidade e moderar as cenas espalhafatosas que na verdade não nos “mergulham” dentro do filme, mas sim, nos afogam na guerra entre humanos e zumbis.

Não deve ser negado que realmente funciona a utilização dos óculos, explorando bem as cenas de ação e terror, com eficientes táticas em introduzir chuva e neblina para criar uma superfície adequada. Você realmente se sente dentro do filme e rodeado por zumbis, mas ao mesmo tempo, sente sua inteligência e seu bom senso serem exterminados por uma história ridícula.

No filme, Alice (Milla Jovovich) continua em sua jornada em busca de proteger todos sobreviventes da infestação. Uma pista promete um local seguro para todos, e ela segue a Los Angeles, mas quando chega lá descobre que a cidade está tomada por mortos-vivos – e Alice e seus aliados estão prestes a entrar em uma armadilha. Agora, Alice deve salvá-los não só dos zumbis, mas também de sua violenta guerra com a Corporação Umbrella.

Novamente Paul W.S. Anderson elabora uma enredo muito fraco, que mesmo com a boa – quando moderada – utilização do 3D, não consegue se sustentar. Todos os personagens são totalmente estereotipados e vazios, que com a mesma leveza com que são introduzidos na história, tornam-se rapidamente figuras descartáveis.
Ali Larter, a Nikki do seriado “Heroes” retorna como Claire Redfield, mas sem a mesma imponência de sua primeira aparição. E um dos mais importantes personagens da saga nos games, Chris Redfiel – mal explorado na adaptação – é interpretado por Wentworth Miller, famosíssimo por protagonizar o excepcional seriado, “Prison Break”.
O vilão entregado pelo ator Shawn Roberts (“Eu Te Amo, Beth Cooper”) poderia muito bem ser interpretado por Hugo Weaving em uma nova versão do Agente Smith da trilogia “Matrix”, até os óculos de Weaving foram emprestados ao vilão, nada convincente. Aliás, maneirismos criados pelos irmãos Wachowski estão presentes em vários momentos, onde logo no começo temos um tiroteio em câmera lenta – como já relatado, usada de forma exaustiva – que lembra categoricamente a sequencia em que Neo, invade o prédio para resgatar Morpheus.

Contrapondo-se, uma história insignificante e personagens unidimensionais, com uma tecnologia eficiente, “Resident Evil 4 – O Recomeço” a grosso modo, nada mais é que um jogo camuflado em um filme. Vale a pena somente nas sessões 3D, ficando claro que estarão assistindo, ou melhor, jogando um game em terceira dimensão. É lógico, com a incômoda desvantagem de o controle estar nas mãos de Paul W.S. Anderson…..

Nota: 5,0

por Filipe Ferraz

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