2010, Cinema, Críticas

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (2010)

Mesmo que nitidamente seja desequilibrado e possua um excesso de exageros, a continuação da história de Gordon Gekko apresenta um elenco em ótima sintonia e uma construção dramática eficiente.

Oliver Stone quase sempre se preocupou mais com a ideologia de suas obras do que propriamente em realizar o cinema como arte, ou até mesmo como um mero instrumento comercial. Fascinado por assuntos polêmicos e consequentemente com uma incrível coragem em expor suas idéias, Stone sempre procura cutucar feridas ainda abertas do povo norte-americano. Vida dos guerrilheiros no Vietnã, a renuncia de Richard Nixon, o conturbado governo de George W. Bush e os atentados as Torres Gêmeas já foram temas abordados pelo diretor.

Sua obra mais completa, ideologicamente e cinematograficamente, é o clássico “Wall Street: Poder e Cobiça” (clique aqui). O longa de 1987 que contava a história de Gordon Gekko, foi uma obra marcante e que agora, 23 anos depois, têm sua continuação, “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme”. Bem provável que há três anos, Oliver Stone nem cogitava uma continuação, até que um boom ocorreu e lhe fez mudar de ideia. O tema preponderante do filme: Bolsa de valores se encaixa perfeitamente com a recente Crise Mundial, que dizimou boa parte dos acionistas e levou os principais bancos a beira da falência.

A trama começa com Gordon Gekko (Michael Douglas) sendo libertado da prisão, depois de um bom tempo isolado do mundo, que instantaneamente depois de colocar seus pés do lado de fora da penitenciária, observa o quão “mudado” está à sociedade. Porém, por mais que a cultural social tenha sido alterada, o mundo continua rodando em torno do dinheiro.
E quem conhece muito bem isto, é Jake Moore (Shia LaBeouf), um jovem promissor no centro financeiro de Manhattan tendo sua especialidade ligada as fontes renováveis de energia. Sendo que uma de suas maiores aposta é uma pesquisa que está sendo desenvolvida na Califórnia, prometendo usar a força do mar para criar energia.
Jake namora Winnie Gekko (Carey Mulligan), uma jovem jornalista que escreve para um site independente e que é filha do poderoso Sr. Gekko. O jovem Jake tentará juntar Sr. Gekko e Winnie, e paralelamente conseguir ajuda do experiente Gordon Gekko.

Um dos principais méritos da primeira produção é a incrível escolha em se prender aos detalhes que ilustravam aquele mundo capitalista, ainda emergente. Agora com mais experiência e tendo em suas mãos uma técnica superior, Oliver Stone procura ter como base as mesmas tomadas nos gigantescos prédios americanos e em explicar detalhadamente o complexo mundo econômico acionista. Porém claramente, Stone exagera em alguns maneirismos irrelevantes e que facilmente poderiam ser descartados. Em meio as ligações telefônicas entre, principalmente o personagem de Shia LaBeouf, e outros empreiteiros milionários, ele se utiliza de multicâmeras, dividindo a tela em duas ou três partes e que por mais que pareçam “charmosas”, são enjoativas e dão um teor anormal de uma aula de economia. Stone utiliza gráficos, slides, animações e o sempre perigoso flashback (que além de quebrar o ritmo, subestimam nossa inteligência em entender o que está ocorrendo). São grandes maneirismos que poderiam, e na verdade, deveriam ser evitados.

Porém, “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme” está longe de ser uma obra fraca. Se Oliver Stone exagera em sua fixação por gráficos e multicâmeras, acerta em construir uma narrativa comandada pelo drama vivenciado por seus personagens principais. Enquanto na obra de 87, a única profundidade existente pertencia ao personagem de Charlie Sheen; aqui temos uma distribuição intensamente aritmética, onde os personagens centrais nos envolvem veementemente com seus problemas. Josh Brolin sempre chamando a atenção; Frank Langella roubando a cena nos primeiros minutos; Shia LaBeouf correto; Carey Mulligan que cada vez mais impressiona por sua versatilidade em interpretar figuras tão adversas; e o expoente Michael Douglas nas peles de Gordon Gekko, mantendo a mesma atitude de sua primeira participação. Susan Sarandon em um papel irrelevante e Charlie Sheen (uma das mais engraçadas, emocionantes e melhores cenas do filmes) fecham o elenco.

Mesmo eficiente dramaticamente, a película possui um grande desequilíbrio, primeiramente em exagerar no teor “universitário” e também em deixar por horas – principalmente em seu ato final – uma dramaticidade excessiva e inverossímil, essencialmente sob o personagem sempre frio, e por isso marcante, de Michael Douglas.

Sempre alternando altos e baixos, “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme” não possui o mesmo impacto ideológico e cinematográfico que sua obra original, mas mesmo assim, graças á um elenco em ótima sintonia e por um drama seguro – exceto em seu ato final – se torna eficiente e um grande filme.

Nota: 7,0

por Filipe Ferraz

3 comentários em “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (2010)”

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