A Lenda dos Guardiões (2010)


Em grande experiência visual e sensorial, Zack Snyder sobrevoa o terreno infantil em uma bela aventura.


Recentemente o diretor Zack Snyder foi confirmado para comandar o recomeço da franquia “Superman”, produzido por Christopher Nolan (“A Origem”). Logo percebemos que Snyder gosta de desafios, já que em seu recente currículo ele inovou ao elaborar um visual com cenários totalmente criados através de computação gráfica, “300”, e adaptou uma das HQs de maior influencia nos Estados Unidos, “Watchmen”. Seu mais novo trabalho que chega aos cinemas é “A Lenda dos Guardiões” onde desta vez, Zack Snyder se arrisca ao tentar explorar o terreno das animações.

Adaptação da obra de Kathryn Lasky, contando com 15 livros, “Guardians of Ga’Hoole” (subtítulo do filme), “A Lenda dos Guardiões” acompanha Soren, coruja jovem fascinada pelas histórias épicas contadas por seu pai sobre os lendários Guardiões de Ga’Hoole, um místico grupo de guerreiros alados que lutaram em uma grande batalha para salvar todas as corujas de uma imensa ameaça. Se ao mesmo tempo em que Soren sonha intensamente com os contos de seu pai, seu irmão mais velho, Kludd, dispensa quaisquer histórias dos tais Guardiões. Em um acidente os dois irmãos acabam caindo nas mãos (nas garras, na verdade) dos Puros, grupo de corujas que estão montando uma espécie de exército do mal. Agora depende de Soren realizar uma fuga audaciosa com a ajuda de outras jovens corujas, cruzando o oceano e a bruma para encontrar a Grande Árvore, lar dos lendários Guardiões de GaHoole — a única esperança de Soren para derrotar os Puros e salvar os reinos das corujas.

O roteiro elaborado por John Orloff (“O Preço da Coragem”) e Emil Stern (“Sem Medo de Morrer”) se preocupa bastante em seguir fielmente a cartilha de uma fita de animação eficiente. Apoiando-se no famoso romance de Kathryn, primordialmente em seu primeiro capítulo “The Capture”, a dupla desenvolve uma história de fácil identificação com desfechos bem previsíveis, mas que nem por isso devem ser encarados de forma depreciativa. A fórmula em estabelecer uma relação íntima com os personagens principais, seguido das dificuldades por parte dos vilões e por último, uma grande batalha, mesmo que seja uma carta já manjada dentro dos filmes do gênero, se usada corretamente é o caminho mais fácil para se alcançar o êxito almejado por produções deste porte. Neste quesito o filme consegue agradar, mesmo que seu conteúdo seja volumoso, perto de sua trama normal. Então devemos sempre ressaltar que o público alvo é as crianças – tanto dos livros quanto do filme – então diluir a acidez da história e deixá-la nada complexa, por mais que não satisfaça o grande público, contenta o critério infantil.

Porém a característica que mais salta aos olhos de quem acompanha os trabalhos de Zack Snyder, sem dúvida são os efeitos cuidadosamente trabalhados e encaixados de forma milimétrica dentro do contexto. Nem por agora trabalhar em uma animação, Snyder deixa suas características de lado, utilizando de forma espetacular o slow-motion, que desde “Matrix” vem sendo exaustivamente repetido no cinema, mas que somente em “300” e agora em uma animação (!), conseguem uma moldura orgânica e sensorialmente perfeita. O cuidado com que a produção artística toma ao destacar cada pena se movendo individualmente, a brisa tocando-as e gotas de chuvas pingando nos olhos dos animais, é magnífico, que acompanhadas das sessões em 3D ganham dimensões maiores criando uma experiência visual e sensorial quase ímpar.

Conectando de forma peculiar o visual deslumbrante – balanceado cenas de tirar o fôlego e o slow-motion – com a excelente trilha sonora de David Hirschfelder (“Elizabeth” e “O Show de Truman”) conseguindo misturar resquícios de “O Senhor dos Anéis” e “Star Wars” (que, aliás, são claramente as inspirações para as obras literárias) Hirschfelder consegue alternar o sereno e o tom épico dos guardiões lendários, de forma assustadora e que novamente, quando casada com o slow-motion chegam a causar arrepios.

Mesmo com um roteiro correto e um visual fascinante, “A Lenda dos Guardiões” falha ao não conseguir transparecer toda a emoção que um filme infantil deve possuir. O personagem central, por mais que seja minimamente carismático, não consegue atrair por completo a “torcida” para que ele consiga realizar seus deveres dentro da trama, deixando muitas vezes tomadas muito frias e distantes do público. Conta também o fato da produção ser muitas vezes “pesada” para uma criança, onde por mais que não haja sangue, causam certo espanto pelo ritmo imposto pelas cenas de batalha.
Uma injeção maior de emoção e cenas divertidas por parte de Zack Snyder elevaria sua estréia no gosto do público infantil.

Nas vozes de Jared Leto (“Réquiem para um Sonho”) vocalista da banda 30 Seconds to Mars e no possível indicado ao Oscar como canção original “To The Sky” da banda Owl City (clique aqui), “A Lenda dos Guardiões” reescreve as fábulas de modo ágil e visualmente deslumbrante, onde bater as asas é só o começo.

Nota: 7,5

por Filipe Ferraz

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