2010, Cinema, Críticas

Tropa de Elite 2 (2010)

O inimigo é outro, mas ainda somos todos culpados por ele existir.


“Tropa de Elite 2” não é mais do mesmo. O primeiro filme lidava com a estória do BOPE e seu papel na sociedade sem julgar ou condenar seus atos, deixando ao espectador a decisão de fazer isso. Neste filme, somos convidados a participar da vida do Coronel (antes capitão) Nascimento (Wagner Moura) e de sua jornada ao inferno pela sociedade (ou “sistema”, como ele prefere dizer) durante duas horas de filme. Há espaço para velhos conhecidos como André Matias (André Ramiro) e o capitão Fábio (Milhem Cortaz)  e novos personagens como Fraga (Irandhir Santos) e Beirada (seu Jorge). Mas o tema é mais amplo, mais complexo e ainda assim não deixa de ser mais interessante. O filme é sobre o surgimento das milícias no Rio de Janeiro e também sobre como o Estado se aproveita da criminalidade para garantir seus votos e tirar proveito de toda e qualquer situação que possa vir a prejudicar os interesses de uma máquina ineficiente e mal administrada.

Quando Nascimento acha que a sua entrada pela porta da frente – ainda que por razões contraditórias – como subsecretário de Segurança Pública poderia combater de maneira mais precisa e eficiente o problema com o tráfico de drogas, aí então ele descobre algo muito maior do que ele encontrou antes como oficial e combatente do BOPE. Um problema muito maior acontecia por debaixo dos seus olhos e que ele mesmo ajudou indiretamente a colaborar para que ele se expandisse. A corrupção não só existia em níveis inferiores: ela ia da base ao topo.

Padilha quer fazer cinema para as massas, mas não quer dar para o público aquilo que ele deseja ver, mas o que ele gostaria de ver que infelizmente não encontrou nos filmes de Arnaldo Jabor e Cacá Diegues (todos desnecessários) bem como Hector Babenco e Bruno Barreto. Seu flerte com o imaginário e o documental em “Ônibus 174” lhe ajudaram a entender e a definir os rumos que precisava até chegar aqui com este filme.

“Tropa de Elite 2” não faz apologia à esquerda ou a direita: as duas são atacadas e criticadas direta ou indiretamente e se vale de acontecimentos marcantes na política nacional para acrescentarem a estória o respaldo que lhe falta. Não nos promete nada e nem nos incita a fazer algo: o filme só nos lembra que o buraco é muito maior e o telhado que nos cobre é feito de vidro. Poderia ter sido filmado em São Paulo, no Sul ou no Nordeste que não mudaria em nada: o tema continuaria sendo o mesmo. E olha que nem Shakespeare foi perdoado neste filme…

E cada cachorro que lamba a sua caceta.

Nota: 8,0

por João P. Silva Jr.

Outra crítica de “Tropa de Elite 2”, clique aqui

2 comentários em “Tropa de Elite 2 (2010)”

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