2010, Cinema, Críticas

Piranha (2010)

Sinta-se como se seu cérebro fosse devorado por um filme tão irracional quanto uma piranha.


Sempre preocupados com o “bem estar” do público, ultimamente muitos filmes estão chegando aos cinemas em uma nova e moderníssima fórmula. Agora a moda é interagir da melhor forma possível com o telespectador, então o 3D vem tomando conta do cenário cinematográfico. O que muitas vezes acaba ficando opaco em meio a esta fissuração por parte da inserção do público na trama do filme, é que a produção deve se sustentar independentemente de seu modo de projeção, mesmo que claramente a única justificativa de sua existência seja a utilização dos óculos azuis e vermelhos.
Ter sua qualidade ampliada graças ao 3D é uma coisa, (“Avatar”), agora depender única e exclusivamente da terceira dimensão para se tornar uma peça “eficiente” é algo totalmente diferente e que vai a contramão da essência do cinema. É o caso de “Piranha”.

O slogan já dizia, “Don’t Scream…Just Swim!”. Então tão imbecil quanto nos convidar a nadar e não ter medo das piranhas com gráfico de Atari, Alexandre Aja (“Viagem Maldita” e “P2 – Sem Saída”) decide reviver o clássico de 1978 (clique aqui) de Joe Dante, diretor de “Gremlins”. Com um elenco respeitável, a produção beira o ridículo e realmente só deve ser levado a sério por quem estiver muito afim de uma diversão banal debaixo de um rio.

Dando uma rápida olhada na trama podemos resumi-la em uma combinação perfeita para se passar o feriado em um lago: Sol, música, cerveja e mulheres de biquíni. Um terremoto abaixo da superfície liberta um cardume de piranhas irracionais e famintas. E quando o perigo vem por debaixo d’água, não há como se prevenir. A policial local, Julie (Elisabeth Shue) terá que tentar interditar o lago e impedir que toda a galera seja devorada.

Agora observaremos o elenco: Richard Dreyfuss (“Tubarão”), Ving Rhames (“Pulp Fiction – Tempo de Violência”), Elisabeth Shue (“Despedida em Las Vegas”), Christopher Lloyd (“De Volta para o Futuro”), Eli Roth (“Bastardos Inglórios”), Jerry O’Connell (“Joe e as Baratas”) e famosos pelos seriados, Steven R. McQueen “The Vampire Diares” e Jessica Szohr por “Gossip Girl”. Grandes nomes como Christopher Lloyd e Richard Dreyfuss (em uma grande referencia ao clássico ‘Tubarão’) acabam mergulhando drasticamente em um filme completamente ostensivo.

No filme, jovens estão a fim de curtir, ficar bêbados e ver peitos de fora, provavelmente o diretor Alexandre Aja focou estes mesmo jovens que são retratados na exibição. Entretanto “Piranha” foge mais para o lado cômico (“é rir pra não chorar”) que acaba se tornando uma experiência inútil, agressiva e irracional.
Alexandre Aja escolhe utilizar um estilo “gore” dando destaque para uma eficiente maquiagem das pessoas mutiladas, como o coro cabeludo de uma garota sendo arrancado pela hélice de uma lancha. Porém a intensidade é equivocada, passando do limite, ao ponto de – pasmem – uma garota vomitar direcionada para câmera, e se afunda então completamente na pretensão de se tornar algo “acessível”, quando um pênis decepado é focalizado até se tornar carne moída (!!!!).

Roteiro repleto de clichês inerentes ao gênero (nada anormal) e uma direção sem nenhum bom senso não conseguem traduzir “Piranha” como uma boa dose de entretenimento, pelo contrário, além de não divertir, consegue nos trazer uma sensação como se nossos cérebros estivessem sido devorados… E em terceira dimensão.

Nota: 0,5

por Filipe Ferraz

2 comentários em “Piranha (2010)”

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