2010, Cinema, Críticas

Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010)


Com linguagem ágil e agradável, ‘geração videogame’ ganha sua visão no cinema


Impossível não realizar uma abordagem totalmente pessoal á adaptação de quadrinhos “Scott Pilgrim Contra o Mundo”. O grande alvo: Os fissurados por HQ’s e videogames. Posso adiantar que não me encaixo neste grupo, porém tendo como sua base as plataformas que familiarizaram o videogame e infiltrando em seu enredo vários elementos da cultura pop, o resultado é um clima criativo e agradável.
O efeito causado por ‘Scott Pilgrim’ a mim, não será o mesmo que a geração videogame – e mesmo que eu esteja inserido nesta, nunca foi algo que justificasse um fanatismo – entretanto, se o efeito não será o mesmo, a diversão será parecida.

A produção enfoca no simpático e carismático Scott Pilgrim (Michael Cera de “Superbad – É Hoje”), um garoto que namora uma menina de 17 anos apenas como um simples passatempo. Entre desavenças com a irmã (Anna Kendrick de “Amor sem Escalas”) e com seu colega de quarto Wallace (Kieran Culkin, irmão de Macaulay), Scott é o baixista da banda de garagem Sex-Bob-Omb. Sua monótona e sonolenta vida parece querer continuar neste sentido, até o momento em que ele se apaixona por Ramona (Mary Elizabeth Winstead, de “À Prova de Morte”). Porém, para conquistar definitivamente a garota, Scott terá que enfrentar, ou melhor, derrotar a Liga dos Ex-Namorados do Mal, composta por nada menos que 7 rapazes dispensados por Ramona. E entre estes membros já encontramos as primeiras referencias do filme: Chris Evans que será o herói americano no aguardado “Capitão América” e também Brandon Routh, o ‘último’ Clark Kent em “Superman – O Retorno”.

Dando uma rápida passagem pela sinopse e também por seu trailer, logo imaginamos apenas uma trama banal adolescente fantasiada em um visual árcade. Sim, a trama realmente está fantasiada, porém ela aborda de maneira leve os problemas da juventude e a fase (do jogo se você preferir) mais difícil de se passar: Encarar a maturidade e se tornar adulto. Um tema tão delicado e de difícil assimilação, porém que é inserida na obra de forma sutil, talvez até passando despercebida. Isso porque o grande trunfo de “Scott Pilgrim” é seu visual colorido, espalhafatoso e totalmente retirado dos videogames mais famosos.
O diretor Edgar Wright (realizador do excelente “Chumbo Grosso”) não tem vergonha alguma em dizer que é um verdadeiro nerd, público alvo do filme, e sem receio deixa inúmeras menções á grandes ícones da cultura pop, utilizando isso em formas bem fragmentadas, independentemente se você tenha ou não notado todas elas – Wright inclusive conseguiu a licença para usar a trilha dos clássicos games da Nintendo –. Até mesmo a propulsora das séries cômicas tem sua justa homenagem, se você já acompanhou “Seinfield” com certeza irá notar.
Utilizando ótimos efeitos visuais de maneira nada orgânica (talvez seus maiores méritos estejam neste quesito), “Scott Pilgrim” acrescenta um modo criativo para se estruturar: Em cada batalha entre Scott Pilgrim e os terríveis ex-namorados de Ramona, ele ultrapassa uma fase de um game. Uma “adaptação” de um videogame jamais obteve tamanho êxito.

Jonathan Amos e Paul Machliss entregam uma edição estupenda, conduzindo o ritmo de maneira alucinante e nas viagens durante períodos do tempo (utilizando inúmeras vezes as gráficas dos quadrinhos) conseguem criar junções incrivelmente trabalhadas. Até mesmo nas cenas de ação, a dupla junto com o diretor Edgar Wright conseguem impor um ritmo eletrizante. Podendo ainda afirmar que os exageros em determinadas batalhas, visualmente falando, causam uma negativa por minha parte.

Chegando-se a uma conclusão sobre “Scott Pilgrim Contra o Mundo”, acredito que não senti o mesmo impacto que seu público alvo, ainda assim, encontramos uma aventura entusiasmante, banhada com referencias populares da TV e dos games e mergulhando eficientemente em um mundo ágil e  inovador.

Nota: 7,5

por Filipe Ferraz

Um comentário em “Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010)”

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