Minhas Mães e Meu Pai (2010)

Pessimamente desenvolvido e pretensioso. Típico filme “para norte-americano ver”


Existem certos filmes que só são realizados para satisfazer o ego dos norte-americanos. O tal “bom ato” de diretores e produtores apresenta um motivo bem claro: Dinheiro. Sim, geralmente são filmes independentes que precisam do capital para sobreviver, então já que utilizam isso como ‘seu ganha pão’ não merecem ser crucificados. Mas que estes filmes “para norte-americano ver” só fiquem na terra do Tio Sam.
O que levou “Um Sonho Possível” a concorrer ao prêmio de melhor filme? Com certeza não foi somente Sandra Bullock (vencedora do Oscar), mas sim o fato de retratar uma personalidade forte americana. “Crash – No Limite” atingiu um sucesso estrondoso, retratando o povo norte-americano totalmente como um ser superior, dando uma ideia que todos os “racistas” acabam tendo sua lição. Filme que poderia muito bem estampar em seu subtítulo: “Você realmente acreditou nesta história?”.

O mais correto seria que eu analisasse a produção como uma obra cinematográfica – já adiantando fraquíssima – mas não conseguiria deixar essa oportunidade passar. E que fique claro que este é somente o meu ponto de vista, sendo esta a única mensagem que consegui extrair, com muita dificuldade é verdade, de um dos filmes mais bem falados internacionalmente.

A forma mentirosa com que “Minhas Mães e Meu Pai” retrata a sociedade norte-americana chega a ser vergonhosa. Quando “Crash” separa os racistas e dá uma lição de moral neles, dizendo: “Nós (americanos) não apresentamos preconceitos, e todos que apresentam ganham o que merece”, The Kids Are All Right (em uma tradução direta: “As Crianças estão bem” e não posso deixar de pensar que esta é uma menção direta a educação americana) simplesmente ignora o fato de que um casal homossexual dificilmente andará normalmente pelas ruas, isso em quaisquer coordenadas em que você olhar. Esta não é uma ficção mostrando qual seria o mundo ideal, ‘Minhas Mães e meu Pai’ prometia ser um drama cru. Mas como retratar a realidade de forma crua se o seu enredo já começa erroneamente? O resultado só poderia ser um filme pretensioso.

Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore) são casadas e dividem um harmonioso lar na Califórnia com seus filhos adolescentes Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson). Antes de Joni entrar para a Universidade, Laser pede ajuda para encontrar o pai biológico deles, já que os dois jovens foram concebidos por inseminação artificial. Ela, indo contra a vontade de suas mães, entra em contato com o pai (Mark Ruffalo). Os jovens logo se identificam e criam laços com ele. Na medida em que o pai começa a fazer parte da vida de todos, um novo e inesperado capítulo se inicia para esta família inusitada e nada convencional.

“Minhas Mães e Meu Pai” quer nos passar a ideia que um casal homossexual pode viver uma vida social tranquilamente, tendo única e exclusivamente preocupações somente com que se passa debaixo de seus tetos. Que bom seria se isso fosse verdade e que bom seria se a mensagem do filme fosse esta, ao idealizar isso como o mundo ideal (em negrito para evitar conclusões precipitadas), porém a diretora Lisa Cholodenko (realizadora do mediano “Laurel Canyon – Rua das Tentações”) deixa outras amostras claras que tudo aquilo que é passado em tela apresenta segunda intenções. Como se olhássemos pela janela e observássemos um casal de gays andando de mãos dadas normalmente, sem que causassem, infelizmente, estranheza ou preconceito. O que evidencia esta “mentira”, e não uma pregação social, são fatos forçados como: Mark Ruffalo ter um relacionamento inter-racial; ser um cara ambientalista que trabalha ao ar livre; ter como sustento um restaurante com produtos totalmente orgânicos, deixando claro que SÓ POR CAUSA DESSES QUESITOS ele é um rapaz ‘boa praça’ e que teve sucesso na vida. Soa tão artificial todo o enredo criado por Lisa que realmente constatamos que foi feito com o único propósito de realizar um cafuné nos estadunidenses e com uma pseudo-homenagem ou igualação entre os homossexuais – já que ao mesmo tempo em que Lisa escolhe esses termos, acaba ela mesmo cometendo tais atitudes condenáveis por ela.

Além de um enredo mentiroso, todo o desenvolvimento de ‘Minhas Mães e Meu Pai’ é péssimo. Os personagens são vazios, o relacionamento entre Ruffalo e Moore não possui nenhuma justificativa plausível, o destempero de Benning é absolutamente irracional e a produção não emociona em momento algum. O roteiro elaborado pela própria Lisa em parceria com Stuart Blumberg parece não saber para onde correr, apenas procurando uma forma a principio inofensiva de agradar aos críticos norte-americanos, que realmente compraram a ideia do filme, já que este é um dos favoritos ao próximo Oscar.

Os únicos méritos devem ser creditados ao elenco esforçado, nada mais do que isso. Com infindáveis chances de uma indicação ao Oscar, Annette Benning, Julianne Moore e Mark Ruffalo realizam participações muito acima do que seus personagens quadrados poderiam lhe oferecer. Desde o modo com que Ruffalo fala até as cenas explosivas de Moore, realmente sentimos uma verdadeira entrega do trio principal. Porém atuações que ficam restritas graças a personagens tão mal trabalhados. Mia Wasikowska que protagoniza a nova produção de Tim Burton, “Alice no País das Maravilhas”, está muito mais solta e a vontade em seu papel. Uma atuação surpreendente vindo de um papel anterior tão fraco.

“Minhas Mães e Meu Pai” poderia ser classificado como um filme vazio que não diz absolutamente nada. Porém a forma com que a diretora Lisa Cholodenko estabelece seu enredo, talvez sem intenção, acaba agradando apenas aos que encararam como uma homenagem ou uma visão dos homossexuais no cinema. Algo que a meu ver infelizmente não acontece, vide as outras escolhas da diretora. Piorando, o filme como cinema é fraquíssimo, sem coração e muito menos emoção, as sustentações de um drama.
Filmes que debatem opções sexuais devem tomar cuidado com a forma com que são trabalhados. ‘Minhas Mães e Meu Pai’ não quer dar uma lição social em ajuda humanitária á aqueles que tiveram simplesmente uma escolha diferente quanto ao relacionamento e por isso são vergonhosamente tratados como animais, o filme quer mesmo é nos enfiar goela abaixo que lá sim, na terra do Tio Sam, tudo é mil maravilhas.

Nota: 3,5

por Filipe Ferraz

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