Enrolados (2010)

Tentando se reencontrar e completando seu quinquagésimo filme, Disney acerta na releitura da história de Rapunzel


Em 1995 a Disney iniciou uma das parcerias mais rentáveis e de maior sucesso que um estúdio já havia alcançado. Foi com “Toy Story – Um Mundo de Aventuras” que a parceria Disney/Pixar teve início. Chegamos agora no filme número 50 da Disney Pictures (neste número, vale ressaltar que NÃO se contabilizam as animações vindas da Pixar, já que na parceria, a Disney aparece ‘apenas’ como a distribuidora destes longas). Somos levados então a uma leitura muito rápida sobre o que aconteceu de 95 pra cá. A Pixar tomou conta das animações, sendo anteriormente encontradas obras memoráveis como “O Rei Leão” e “A Bela e a Fera”, hoje, encontramos “Wall-E” e “Up – Altas Aventuras”. Não querendo dizer que o nível abaixou ou subiu, a questão aqui não é esta, mas sim, que dentre estas 50 animações dos estúdios Disney, as melhores se encontram no período anterior a parceria com a Pixar, sendo este, o estúdio dominante das melhores animações dos últimos anos, deixando quase equivalente a força entre os dois nomes, Pixar e Disney.

Porém esse cenário começa a ganhar uma nova roupagem, graças a mais nova animação da Disney Pictures, “Enrolados”. Em poucos minutos, você logo percebe uma produção remanescente do sucesso que a Disney construiu. Rodeado por canções, uma característica inerente a todos os ‘Clássicos Disney’, a quinquagésima produção por parte de um dos estúdios mais famosos e rentáveis no cinema, faz jus ao nome que sustenta.

Depois de receber poderes de cura de uma flor mágica, a Princesa Rapunzel, ainda quando bebê, é raptada dos braços de seus pais pela terrível Gothel. Sabendo dos poderes mágicos que a flor apresentava, a raptora passa a criar Rapunzel como uma ‘filha’, já que o cabelo dourado da garota, que não para de crescer, tem o poder de manter uma pessoa jovem eternamente. Para evitar que esse benefício termine, ela tranca a garota em uma enorme torre, deixando-a totalmente isolada do exterior.
Vivendo então sua vida inteira trancada nesta torre, a bela Rapunzel almeja conhecer o que de tão perigoso há por de trás desta torre. É então que ela acaba conhecendo o ladrão altamente procurado pelo governo, Flynn Ryder, que atuará como um guia de viagem para a garota, saindo em busca de estranhas luzes que inexplicavelmente em todos seus aniversários, brilham no céu.

Tecnicamente, a Disney, depois da utópica tentativa de continuar com animações ainda em 2D (“A Princesa e o Sapo”), utilizando uma tecnologia muito semelhante a da Pixar (já que o estúdio comprou-o definitivamente), em ‘Enrolados’, consegue trazer uma grande eficiência nestes aspectos, como por exemplo, ao observamos um nível de profundidade entre as montanhas e a torre, ou, como percebemos fios dos inúmeros cabelos de Rapunzel balançarem exclusivamente.
E se a Disney tenta ressurgir, nada melhor do que trazer Alan Menken para sonorizar sua nova animação. Quando relatei que rapidamente, já notamos ser uma obra, que talvez, daqui um tempo poderá entrar para o Hall de clássicos, obviamente me refiro às sempre muito belas canções, apesar de claramente não alcançarem o nível das musicas antigas, mas que, ainda sim, servem como um fôlego a mais. Menken, vencedor de incríveis 8 Oscar (entre estes, ‘A Bela e a Fera’, “A Pequena Sereia” e “Pocahontas”), foi indicado para o Globo de Ouro deste ano, pela canção “I See the Light”.

Dirigido por Byron Howard (“Bolt – Supercão”) e Nathan Greno e com roteiro de Mark Kennedy (“O Galinho Chick Little”) e Dean Wellins, baseado no conto dos irmãos Grinn, ‘Enrolados’ consegue trazer um história sem muitas reviravoltas ou esbanjando grande originalidade, mas que, nem por isso se torna ineficaz, introduzindo também, personagens carismáticos como o camaleão Pascal, o cavalo Maximus, além claro, da dupla de protagonistas Rapunzel e Flynn.
Esperem! O Flynn brasileiro não é tão carismático assim, pelo menos até o momento em que chegamos ao grande ponto fraco de ‘Enrolados’, que deve ser, inteiramente creditado ao terrível trabalho da Disney Brasil, ao escalar o apresentador Luciano Huck para dublar o ladrão Flynn.
Não era preciso ser uma mãe Diná nem mesmo ser formado em Harvard para imaginar, ou digamos, RACIOCINAR que escalar alguém que jamais dublou nada e principalmente nem mesmo é um ator, resultaria em uma piada como a dublagem de Huck. Com a mesma expressividade de uma lata velha (pegou essa?), o pobre coitado, parece perdido nos diálogos, assassinando quaisquer piadas que seu personagem tenha. Vale lembrar que originalmente, Flynn é dublado por Zachari Levi (protagonista da série “Chuck”).

Sobrevivendo a terrível escolha de Huck, “Enrolados” apresenta uma releitura da famosa história de Rapunzel e consegue relembrar o que outrora a Disney teve de melhor: Canções, personagens carismáticos e uma história de fácil apego, tentando assim, trazer de volta a velha Disney, àquela mesma que imortalizou clássicos desde 1937, e agora, completa sua 50ª animação em seu currículo.

Nota: 8,0

por Filipe Ferraz

1 comentário Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s