2010, Cinema, Críticas

127 Horas (2010)

Danny Boyle e James Franco, cinco dias presos, entregam o angustiante 127 Horas


Aron Ralston é um alpinista americano, que hoje, vive tranquilamente com sua esposa e filha. Porém determinados momentos de sua vida estão guardados em sua mente. Não à toa, o diretor vencedor do Oscar por Quem Quer Ser Um Milionário, Danny Boyle, decide contar a história dos angustiantes cinco dias em que Aron ficou com seu braço preso por incríveis 127 Horas.
A trama da produção é basicamente essa. Aron Ralston (James Franco), um alpinista, depois de um acidente, acaba ficando com uma pedra sobre o seu braço, preso em uma montanha totalmente isolada em Utah. Nestas 127 horas em que Aron fica preso, ele começa a examinar sua vida, tentando sobreviver e calcular as circunstancias de suas atitudes, para finalmente, descobrir o que fazer, e conseguir se soltar. Ao longo desta jornada, Aron relembra de amigos, sua família e duas garotas que acabara de conhecer.

Em outra produção deste ano, o drama Enterrado Vivo, ficava claro que, para sustentar este filme específico, onde, o espaço geográfico é reduzido, o ritmo, atuações e a trama, eram essenciais para o sucesso do filme. Por conta disso, o longa do espanhol Rodrigo Cortez, conseguia abranger praticamente todos esse pressupostos, sendo ele um dos melhores filmes do ano de 2010. Todas essas cobranças, também valem para 127 Horas, que possui a mesma duração, entretanto, o local preponderante (Aron preso) é de menor tempo corrido. Porém, o que se sobressaia de maneira extraordinária em Enterrado Vivo, era o seu grande roteiro, já aqui, em 127 Horas, a direção de Danny Boyle, complementada pela o trabalho espetacular do editor Jon Harris, conseguem sustentar seu novo drama.

Em contrapartida, encontramos um roteiro que busca algumas saídas que acabam surgindo ineficazes em seu resultado. É altamente entendível que para dar ritmo a uma produção, teoricamente, tão monótona, os roteiristas Simon Beaufoy e o próprio Danny Boyle, dão base á delírios, lembranças e começam, de maneira ligeiramente eficiente, a ‘jogar’ com o público. Então, ao mesmo tempo em que conseguimos entender tais artimanhas, notamos de maneira clara que elas, não surgem com o efeito esperado. Então, nestas saídas do roteiro, para se conseguir manter a trama caminhando fluentemente, somente algumas parcelas desta estrutura acabam funcionando devidamente, como quando Boyle decide trazer à ‘sede’ do personagem de Franco, também para o espectador, ao mostrar cortes com cenas de refrigerantes e isotônicos, mas percebam que tal cena, só surte com o efeito necessário, graças ao maior êxito de 127 Horas, que como já relatado, são sua edição e direção. Utilizando planos paralelos, cortes secos e uma inclusão de diversas imagens, o diretor Danny Boyle estabelece uma parceria incrível com o editor Jon Harris

James Franco (Milk – A Voz da Igualdade), que vem apresentando um amadurecimento surpreendente, consegue sustentar toda a produção, tirando quaisquer indagações anteriores que poderiam ser tiradas de sua atuação. Conseguindo entregar um personagem cativante com extremo carisma e devoção, Franco conseguiu sua tão esperada indicação ao Oscar.

Sabendo entregar um ritmo eficiente para seu longa, Danny Boyle consegue conduzir 127 Horas para o êxito em boa parte de suas pretensões. Alguns artifícios do roteiro acabam surgindo ineficientes, mas James Franco lutando bravamente consegue escapar de maneira altamente angustiante, mas acima de tudo, crível.

Nota: 8,0

por Filipe Ferraz

Um comentário em “127 Horas (2010)”

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