2011, Cinema, Críticas

Bruna Surfistinha (2011)

Sem grandes pretensões e sem impressionar, Bruna Surfistinha acaba sendo apenas uma agradável surpresa


Muito se fala do filme baseado na vida de Raquel Pacheco, ou Bruna Surfistinha. Querendo ou não, a produção de Marcus Baldini sofreu inúmeros pré-julgamentos. Ora, afinal um filme sobre prostituição, com diversas e atenuantes cenas de sexo e uma linda atriz no papel principal, era de no mínimo instigar a curiosidade, nem que essa viesse em suma do público masculino. Porém, apesar do tipo de temática abordado, Bruna Surfistinha surpreende ao tratar com seriedade e coerência a trajetória da ex-garota de programa.

No início somos apresentados a vida da garota de classe média Raquel Pacheco, que em tempos de internet, adquire fama de promíscua graças a disseminação de uma foto sua pelas redes sociais afora. Na foto, Raquel fazia sexo oral com um dos alunos da escola. Sem deixar muito claras as motivações que levaram a garota a abdicar de tudo o que tinha para seguir naquele tipo de vida, o roteiro falha na hora de explicar a origem de seus problemas. Resumindo-a a uma ou duas pequenas discussões no jantar com sua família. A interpretação que fica é de que o sexo funciona para a personagem como uma válvula de libertação de uma vida onde é vista como desagregada social.

O sexo, aliás, é o grande arco condutor do filme. E felizmente, não é usado sem necessidade. As cenas estão todas lá para cumprir um propósito. Todas possuem fundamento para o desenvolvimento da personagem. Elas fluem de forma natural, sem apelar para a banalização. Apesar de serem pesadas e intensas, a carga dramática está sempre ali impedindo que o ethos fuja do seu propósito. O roteiro de José Carvalho (com quem já tive o prazer de ter aulas), Homero Olivetto e Antônia Pellegrino é bem organizado e delimitado. Apesar do filme ser uma explosão de informações, ele se apresenta como um resumo propriamente dito da vida de Raquel. Logo, há pouco tempo para respirar, o arco narrativo funciona como uma verdadeira montanha russa.

Deborah Secco faz uma interpretação crível e bem realizada. Repare na sua expressão na cena em que faz o seu primeiro programa, a atriz a princípio esboça o sofrimento e no momento seguinte, ao virar para a câmera e a encarar o espectador demonstra toda a determinação de sua personagem. Os veteranos Drica Moraes e Cássio Gabus Mendes, também estão muito bem e Fabiula Nascimento é um destaque promissor.

A mudança da aparência de Secco e da palheta de cores dos ambientes por onde passa durante o filme é outro ponto a se considerar. O trabalho da maquiagem, da direção de arte e da fotografia consegue passar com sutileza e credibilidade os sentimentos da personagem nos diferentes momentos de sua vida.

Sem presunção ou grandes pretensões , Bruna Surfistinha é uma produção tecnicamente bem realizada, e tem seu mérito na reflexão que gera, apesar de não construir uma base plausível para a mesma. O filme consegue ser uma agradável surpresa.  Principalmente, para aqueles que, assim como eu, tinham poucas expectativas.

 

Nota: 6,0

por Gabriel Meyohas

1 thought on “Bruna Surfistinha (2011)”

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