Rio (2011)

O Rio de Janeiro continua lindo….


Esqueça todas as bobagens que você já deve ter ouvido sobre Rio (Rio, 2011), a mais nova animação do diretor brasileiro Carlos Saldanha (Era do Gelo, Robôs) e vá ver o filme. Dentre as muitas asneiras que você já deve ter escutado, umas delas com certeza é a que a nossa imagem é distorcida no filme – em que somos retratados como malandros e ladrões – mas isto se trata apenas dos vilões do filme, bem mais vivos e divertidos que os tradicionais vilões de Hollywood, todos caricatos e patéticos. Nerds e favelados também têm espaço na estória como parte dela, e não como muleta para situações de humor e consciência social. Têm até resenha por aí falando de animais – no caso, de aves – que dizem não existir no Brasil. Marcelo Forlani, colaborador do site Omelete, confundiu um flamingo com um colhereiro, ave pernalta que existe em quase todos os pântanos do continente americano e que tem as mesmas cores de um flamingo (mas que furo, hein!). E macacos ladrões existem em todo lugar, dos filmes de aventura até os documentários da National Geographic. Mas, vindo de uma nação que não sabe cantar o próprio hino nacional, tudo é possível…

O filme conta a estória de Blu, um filhote de arara azul que é capturada no Rio de Janeiro para algum tempo depois ser acidentalmente adotada por Linda, uma moça solteira do frio estado de Minnesota, nos EUA. Ele se torna seu animal de estimação e companheiro em tempo integral de Linda por anos até aparecer Túlio (voz original de Rodrigo Santoro), um cientista de aves que procurava por uma arara azul macho, acreditando ser a última de sua espécie para se acasalar com uma fêmea que está no Rio de Janeiro, na tentativa de salvar a espécie da extinção. Linda leva Blu para o Rio junto com Túlio para que ele conheça Jade (Jewel, em inglês e com a voz de Ane Hathaway no original) e consiga salvar sua espécie. Daqui para frente, espere apenas mais de uma hora de aventura, risos e romance no ar, tudo bem equilibrado e sem seguir à risca a cartilha da Jornada do Herói que o antropólogo Joseph Campbell compilou após anos de estudo e que o roteirista Christopher Vogler desenvolveu um guia para todos os filmes da Disney. O Rio de Janeiro de Saldanha é mais bonito e deslumbrante que a Paris de Ratatouille e seus ambientes – a floresta, a praia, a favela, etc.. – são retratados de forma verossímil e a transição das cenas na mudança de cenários é sutil como nos melhores filmes chineses. A trilha sonora é bem feita, com um John Powell (Zona Verde, Shrek) enxuto e preciso e um Sérgio Mendes inspirado, sem ataques de ufanismo (existem mais números musicais que na trilogia Era do Gelo mas sem aquela chatice das animações da Disney). As cenas de ação são bem inusitadas, lembrando os quadrinhos do desenhista Bryan Hitch e as experimentações do diretor Paul Greengrass. E o humor é equilibrado, com situações comuns sem muito espaço para americanismos ou brasileirismos: as seis mãos que roteirizaram o filme fizeram o dever de casa direitinho.

Rio é uma ótima matiné para adultos e crianças, coisa que a 20th Century Fox vem aprendendo bem com os altos e baixos da Dreamworks. E tem uma vantagem sobre a trilogia da Era do Gelo que não é só seu colorido: é a dose de romantismo que existe na animação que faz a diferença para um público infanto-juvenil que cresce embalado pelas sagas de Crepúsculo e Harry Potter. Não tem o escracho de Shrek e nem o tom de sofrimento das animações da Disney, mas os momentos românticos são abordados com a dose certa de realismo nesta animação em que um certo Saldanha se superou.

Nota: 9,0

por João P. Silva Jr.

2 comentários Adicione o seu

  1. Sua resenha só me deixou com mais vontade ainda de assistir o filme.

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