2011, Cinema, Críticas

Pânico 4 (2011)

Mantendo-se no nível de seus trabalhos anteriores, Wes Craven devolve Pânico às telonas, esbanjando sintonia com seu público


Durante os onze anos de espera dos fãs, o diretor Wes Craven, enfim, decidiu começar a materializar suas ideias e, com a volta de Kevin Williamsom, roteirista dos mais bem sucedidos, Pânico 1 e 2, conseguiu, ao mesmo tempo agradar os fãs de longa viagem, como também, dialogar de maneira simples com esta nova geração, certamente, trazendo novos fanáticos para uma ensanguentada maratona de punhaladas.
O primeiro Pânico, do ‘distante’ ano de 1996, trazia adolescentes caricatos de tal época, introduzindo o próprio gênero como uma figura metalingüística. Essa fórmula funcionou, então, aqui em Pânico 4, Wes Craven não demonstra medo ao estabelecer uma mesma base para seu novo trabalho. Obviamente, 15 anos trouxeram grandes mudanças na sociedade, afinal, hoje a moda é o Facebook, ou pra falar a verdade, o Twitter, quer dizer….

Na trama encontramos algo simples, sendo que dez anos se passaram com relação aos acontecimentos do primeiro filme e Sidney (Neve Campbell) já conseguiu deixar o passado para trás. Ela agora volta a Widsbooro para divulgar seu primeiro livro, ‘Saindo da Escuridão’, que retrata toda sua recuperação da terrível época em que fora perseguida por ghostface. Quando tudo parecia entrar nos eixos ela recebe uma visita do esfaqueador mascarado. Tendo a seu lado o, agora xerife, Dewey Riley (David Arquette), a ex-jornalista Gale Weathers (Courteney Cox) e sua prima que vem sendo ameaçada, Jill Kessler (Emma Roberts), Sidney terá que novamente achar uma solução para escapar.

O grande mérito de Pânico 4 é não deixar aquele humor negro de lado, estando sempre presente em sua trilogia original e sendo aqui, usado de maneira mais forte e intensa. Somado a isso, encontramos diversas citações de filmes do gênero, como por exemplo, Jogos Mortais, hoje, a franquia mais deturpadora que assola as salas de cinema.
Constituindo seu elenco por rostos conhecidos, além é claro, trazendo a velha turma de volta, Wes Craven tem em seus personagens/atores um grande auxílio. Além de Neve Campbell, David Arquette e Courteney Cox estarem de volta, Craven, assim como antes, utiliza atores famosos por séries, como Hayden Panettiere (Heroes), Anna Paquin (True Blood), Kristen Bell (Veronica Mars), Shenae Grimes (90210), Alison Brie (Community) e Adam Brody (O.C. – Um Estranho no Paraíso).

Em sua campanha publicitária, os produtores divulgavam ‘Nova Década e Novas Regras!’, porém essas tais novas regras se limitam única e exclusivamente aos motivos pelas mortes dos adolescentes, e não, ao reinventar o gênero do terror. Á grosso modo, Craven repete o que fez como muito êxito no primeiro filme, entretanto, em 1996, o impacto certamente foi outro.
Não temos novas mortes, nem novos sustos. Todo suspense e sua resolução, não são surpreendentes. Craven chega perto de realmente, revolucionar (talvez uma palavra muito forte, mas enfim) a resolução de um filme de terror. Obviamente não irei revelar nenhum fato importante do filme, mas posso afirmar que caso o filme acabasse dez minutos mais cedo, a surpresa em todos seria estarrecedora, e com certeza, Pânico 4 ficaria marcado como…. bom, vocês vão ver.

Isto certamente é o grande ponto falho em Pânico 4, não inovar em sua estrutura narrativa, nem nas mortes, apenas, no porquê delas, mas vale lembrar que isso era algo totalmente necessário, afinal repetir os mesmos motivos de 15 anos atrás, seria uma facada no próprio estomago. O roteirista Kevin Williamsom não consegue acrescentar a seus adolescentes, dimensionalidade suficiente para que possamos relevar suas atitudes, como por exemplo, mesmo sabendo que uma série de assassinatos está acontecendo, eles insistem em realizar uma festa sobre a série de filmes de terror.
Williamsom também acrescenta aperitivos tecnológicos, como na eficiente menção a ferramentas como o Twitter e Facebook, e, sobretudo a utilização da filmagem por celulares, e sua hospedagem instantânea na internet, os tais vlogs, porém devo confessar que esta situação poderia, e deveria ser explorada de maneira mais consistente, funcionando mesmo como uma muleta narrativa.

Pânico 4 é um sucesso, isso é fato. Se Craven não consegue surpreender como era esperado (por mim), consegue no mínimo, repetir a formula do sucesso de seu primeiro, e mais bem realizado, longa da série. Fãs e não-fãs terão certamente uma sessão muito agradável, rodeado por mortes sanguinárias e um humor negro típico de ghostface.

Nota: 7,0

por Filipe Ferraz

2 thoughts on “Pânico 4 (2011)”

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