2011, Cinema, Críticas

A Garota da Capa Vermelha (2011)

Garota estúpida


Quando você está sentado em uma poltrona de cinema e observa um trailer que traz orgulho ao mencionar ‘Da diretora de Crepúsculo’, substancialmente temos uma completa noção de quais serão os objetivos de tal produção.
Catherine Hardwicke, depois de ser chutada das continuações de Crepúsculo, decidiu então pegar o conto de fadas Chapeuzinho Vermelho e acrescentar o número máximo de referencias que possam nos remeter a saga do vampiro purpurinado. No lugar do lobo mau, entra um lobisomem, que assim como na saga Twilight, parece mais um cachorro vira lata, inclusive em sua avançada tecnologia Atari. Temos também uma garota pura, sendo disputada por dois rapazes altamente maquiados e com seus topetes devidamente arrumados. Não satisfeito, o roteirista David Johnson (A Órfã) decide acrescentar uma boa dose da sua novelinha das sete, dando tons amorosos conturbados para o passado da mãe da protagonista.

Mas vamos à trama. Valerie (Amanda Seyfried) é uma bela e jovem mulher dividida entre dois homens. Ela vive um intenso relacionamento, desde criança, com o lenhador Peter (Fernandez), porém seus pais arranjaram um casamento para a bela, com o rico ferreiro Henry (Irons). Em meio á essa conturbada vida social, a irmã mais velha de Valerie é morta por um lobisomem que circunda a aldeia. Durante anos o vilarejo vem mantendo uma trégua com o animal, oferecendo mensalmente uma criatura para sacrifício. Porém sob uma temerosa lua sangrenta, o lobo elevou as apostas e pretende tirar uma vida humana. Em busca de vingança, a população decide chamar o Padre-Caçador-Exterminador de lobisomens e afins, Solomon (Gary Oldman). Aqui, o lobo também assume uma forma humana, restando às pessoas do vilarejo como únicos suspeitos.

O que mais me intriga é como raios um vilarejo fez uma TRÉGUA com uma fera, o tal lobisomem/cachorro? Será que eles se reuniram com seus devidos advogados e sentaram em uma sessão para decidir como seria o contrato, nele, ficou determinado que o aluguel pago pela população fosse um sacrifício. Porém obviamente o pessoal não leu os confins do contrato, que dizia ‘Exceto na Lua Sangrenta’.
O fraco roteirista David Johnson além de elaborar tramas amorosas imbecis, não consegue em momento algum dar uma explicação minimamente plausível para o que acontece em tela. Tudo parece ser jogado ao acaso, inclusive Gary Oldman roubando o papel de Hugh Jackman e incorporando um Van Helsing dos contos de fadas. Johnson também aposta em clichês digno de suas novelinhas que certamente ocupam bastante tempo de seu dia, como a garota prometida a um jovem rapaz rico, porém ela ama outro rapaz, seu companheiro que lhe acompanha desde a infância, mesmo este parecendo ser um verdadeiro cretino que insiste em apresentar um olhar 43, praticamente dizendo ‘Eu sou o lobão’. É claro que o grande mistério sobre quem é o personagem fantasiado de cachorro, tentará ser despistado apresentando personagens sempre em situações duvidosas, porém aquele que menos aparecer, ou seja, aquele em que você não tem motivo algum para suspeitar será o assassino. Oh que genial!

Catherine Hardwicke parece ter um problema mórbido com as câmeras nas mãos, onde nem mesmo nas cenas de ação, que poderiam ser um ponto positivo, a cidadã tem a proeza de deixar tudo confuso, estabelecendo esta como uma das tarefas mais árduas do ano: Tentar entender o que acontece em tela. A diretora também em determinados momentos utiliza uma filmagem em primeira pessoa para estruturar um ‘olhar do lobo’, o que também é jogado do nada e já sabendo do QI médio de seus admiradores, insiste em colocar flashbacks que puramente substituem a frase: Vocês entenderam?

Amanda Seyfried (Garota Infernal), uma das novas queridinhas de Hollywood, mais uma vez parece atuar no piloto automático, não demonstrando nenhuma sintonia, se é que era possível com uma história dessas… Gary Oldman (O Livro de Eli) tenta se estabelecer canastrão suficiente para que possa se encaixar completamente a esta versão religiosa de Van Helsing. No elenco secundário encontramos nomes como Julie Christie e Virginia Madsen, que deverão daqui a um tempo, ter vergonha em assinar com os produtores do filme.

Ah, o nome do filme é A Garota da Capa Vermelha, que além de sua capa, apresenta uma estimável estupidez. Primeiro, porque mesmo tendo uma avó completamente macabra, que sempre vem anexada com uma trilha sonora angustiante, insiste em levar guloseimas e dar uma ‘mãozinha’ para a velhinha. E finalmente, estúpida por chegar aos cinemas sem nem ao menos trazer uma cesta com doces.

Nota: 2,0

por Filipe Ferraz

3 comentários em “A Garota da Capa Vermelha (2011)”

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