Thor (2011)

Em uma aventura com grandes momentos e um visual espetacular, Thor continuará arrastando multidões, dessa vez aos cinemas


Pela primeira vez o Deus do Trovão ganha uma chance nos cinemas. A princípio, isso pode parecer estranho, entretanto, depois de uma análise mais centrada podemos constatar alguns pontos importantes que justificam essa sua não aparição. Entre elas, ao retratar um mundo tão complexo quanto o de Asgard, uma tecnologia que não estivesse à altura, poderia destruir completamente o resultado final da fita; e claro, como fator preponderante para a tal ‘chance do Deus do Trovão nas telonas’, encontramos o surgimento da Marvel Studios.
Dando uma injetada enorme de seus personagens às telas de cinema, e sem vergonha ao praticamente repetir a mesma fórmula de sucesso de Homem de Ferro (2008), os produtores da Marvel, com Thor, conseguem mais uma vez entregar o que o público busca: Diversão.

Na trama, Jane Foster (Natalie Portman) é uma cientista que está fissurada em estudos de fenômenos que estão acontecendo em sua cidade no Novo México. Paralelo a isso, prestes a ser coroado Rei de Asgard e suceder seu pai Odin (Anthony Hopkins), o guerreiro e arrogante Thor (Chris Hemsworth) decide, com a não aprovação do Rei, invadir a Cidade do Gelo para tirar a limpo uma invasão que Asgard sofrera, revivendo assim uma guerra antiga. Ele é severamente castigado por seu pai, expulsado de seu lar e enviando para a Terra. Com este e mais alguns acontecimentos, o trono de Asgard acaba caindo no colo de Loki (Tom Hiddleston), irmão mais novo de Thor. E não bastasse seu isolamento, Odin ainda retirou todos seus poderes, lançando para a Terra, porém em um local mais distante, o seu poderoso martelo, mais conhecido como Mjolnir.
Obrigado a conviver com seres mortais, e principalmente ao se relacionar com Jane Foster e também com problemas com a S.H.I.E.L.D., Thor terá que aprender a lidar com a punição de seu pai, sem saber o que realmente está acontecendo em sua terra natal.

A adaptação de Thor coube ao diretor Kenneth Branagh (Hamlet), pela primeira vez se aventurando em um mundo complexo dos quadrinhos, mas tendo sim, muita experiência em lidar com determinados grupos de fãs, afinal ele adaptou duas obras de extrema responsabilidade de Shakespeare aos cinemas. Utilizando uma câmera sempre inquieta, sobretudo nas batalhas, e inclinando-a em diversos momentos como uma espécie de ‘apelo épico’, Kenneth sabe explorar com exatidão um dos maiores êxitos de Thor: Seu visual.
Com uma direção de arte nada menos que sublime, a equipe técnica de Thor, coordenada por Maya Shimoguchi (Watchmen e Piratas do Caribe) consegue criar um mundo inimaginável, com uma perfeição e minimalismo de lacrimejar os olhos dos mais assíduos. Palmas que devem ser devidamente dividas com o diretor de fotografia Haris Zambarloukos (Venus), dando às ambientações de Asgard uma coloração sempre forte, mas sabendo contrapor na escuridão e frieza do aspecto brilhante da Cidade de Gelo.

Primordial para que o público se sinta a vontade, o cast de Thor surpreende. O desconhecido Chris Hemsworth (que pode ser um irmão perdido de Josh Holloway, tamanho sua semelhança), além de altamente crível nas cenas mais braçais, consegue contrapor com clareza a prepotência de seu personagem, se arriscando também a algumas pitadas mais hilárias, fazendo assim, com que seu carisma se eleve gradativamente.
O ainda mais desconhecido Tom Hiddleston (que também deve ser um irmão perdido, só que de Jared Leto) rouba a cena em vários momentos, dando ênfase em situações dramaticamente mais fortes, e persuadindo não só ao povo de Asgard sobre seus princípios, como também, a quem o assiste.
Sem dúvidas o mais experiente da produção, Anthony Hopkins concede vitalidade a Odin, que tem uma difícil missão de não só comandar Asgard, mas também as disputas de seus dois filhos. Natalie Portman, depois do sucesso e estatueta por Cisne Negro, faz o básico por sua personagem, inserida na história para satisfazer o público mais ‘apaixonado’.

Porém Thor não é perfeito. O roteiro escrito a seis mãos (o que geralmente não é bom sinal) começa com uma alternância entre Asgard e Terra muito eficiente, dando perplexidades ao submundo, elaborando uma trama no planeta distante centrada e imaginativa. O grande problema em sua metade final é “inocentemente” justificar TODAS as ações de Thor somente por seu romance inverossímil com a personagem de Portman. Inocentemente entre aspas é claro, já que essa fissuração por introduzir um par romântico para o galã visa única e exclusivamente atender determinada parte do público, do que certamente servir como força motora na trama do filme. Encontramos também, certas situações deslocadas do contexto, principalmente quando o intuito é divertir com piadas, dando grande ênfase a dupla que acompanha Portman (Stellan Skarsgard e Kat Dennings), ou em cenas isoladas, como por exemplo, a aparição dos ‘quatro amigos’ de Thor do lado de fora de uma lanchonete.
Com isso, o roteiro, que vinha se destacando como um dos melhores do Universo Marvel regride e atinge a simplicidade.

Mesmo com esses pequenos contratempos, Thor é um filme de aventura de altíssima qualidade. O Universo Marvel cada vez mais vem sendo explorado. Tudo está aqui presente: A cena pós-crédito, easter-eggs e citações de nomes já bem conhecidos (Stark, Bruce Banner…). É então nessa pegada e ao som de Walk (Foo Fighters) que a Marvel continuará levando diversão a quem quer que seja, e desta vez com Thor, não só aos amantes de quadrinhos, agora também, aos amantes de cinema.

Nota: 8,0

por Filipe Ferraz

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