Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (2011)

Mesmo perdendo um pouco do fôlego, o novo capítulo da saga do pirata Jack Sparrow consegue realizar sua premissa de divertir e entusiasmar.


Quando questionado se faria esse quarto episódio da saga Piratas do Caribe, o ator Johnny Depp disse que “dependeria da história”. Após ler o roteiro de Teddy Elliot e Terry Rossio, o badalado intérprete do Capitão Jack Sparrow aceitou a proposta e embarcou em mais um volume da franquia milionária de aventura da Disney.  Desde o primeiro filme, a série, baseada em um dos brinquedos do parque do velho Walt, divertiu e empolgou nos cinemas. Seja pelos seus peculiares e carismáticos personagens, seja pelas reviravoltas em sua trama. Isso, aliás, é um dos principais méritos da franquia. Embora o espectador adore Jack Sparrow, é impossível saber o que está passando pela sua mente, de que lado está ou quais serão os seus planos.  Mesmo assim, torcemos para o pirata do início ao fim. Esse artifício de imprecisão é uma virtude narrativa louvável, uma vez que trás um pirata com os mesmos comportamentos desonestos e cretinos que um pirata real provavelmente apresentaria. Além disso, a saga sempre juntou as extasiantes cenas de aventura em ilhas exóticas e as batalhas em alto-mar, com tramas que envolvem maldições sobrenaturais e uma magnífica trilha incidental composta pelo alemão Hans Zimmer. Uma mistura pra George Lucas nenhum botar defeito.

Depois de uma trilogia fechada (dirigida por Gore Versbinski) e reiniciando, quem sabe, uma nova, Johnny Depp está de volta, nesse novo Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas. Dessa vez, o ator contracena com a linda Penélope Cruz (que faz a pirata espanhola Angelica, uma antítese de amor e ódio para Jack) e é dirigido pelo diretor Rob Marshall.
A trama apresenta a corrida de vários personagens para alcançar a “fonte da juventude”. Além de Sparrow, ainda estão nesse entrave, seu antigo imediato amotinado Hector Barbossa (Geoffrey Rush); a marinha espanhola; e o temido pirata Barba Negra (Ian McShane). McShane aparece como uma boa aquisição para o elenco e consegue transmitir a frieza e crueldade do vilão.

Apesar de dosar muito bem as cenas de comédia e ação, o roteiro peca um pouco no seu ritmo arrastado. O filme poderia ter meia hora cortada sem nenhum problema. Não são necessárias tantas fugas mirabolantes de Sparrow para envolver o espectador.  Apesar da duração exagerada, tudo aquilo que tornou os outros episódios da saga tão cultuados, está lá. O humor inesperado (inclusive aquele com piratas figurantes), as trocas de reféns, as lutas de espadas e o clímax envolvendo alguma maldição. Entre as novidades temos as sereias, um conceito muito bem explorado pelo diretor e preparadores de elenco. É realmente incrível o poder que a beleza e sutileza daquelas atrizes têm de enfeitiçar. A participação de Keith Richards como o Capitão Teague (pai do protagonista) também se repete, e é ótima. Richards sempre jogando em seus diálogos, menções análogas ao seu verdadeiro eu, é responsável por uma das melhores piadas do filme.
Embora o casal Will/Elizabeth – interpretados na trilogia anterior por Orlando Bloom e Keira Knighley – não estejam mais no elenco, existem seus substitutos. O missionário Phillip (Sam Clafin) e a sereia Serena (Astrid Berges-Frisbey) ocupam o lugar do casal shakesperiano clássico, em contraponto ao conturbado casal Jack/Angelica.

O quarto episódio da franquia se assemelha mais ao primeiro do que a qualquer outro da série. E mesmo com a perda do fôlego, (afinal, depois de um tempo, a coisa começa a ficar repetitiva) esse novo Piratas do Caribe ainda consegue nos trazer uma aventura diferente, divertida que, ainda tem como aliada a nostalgia – fator que, com certeza, lhe renderá boas bilheterias. Resta saber se existirá algum outro mar a ser navegado pelo Capitão Jack Sparrow, e se seus fãs e intérprete jamais cansarão do já conhecido e icônico personagem. Será preciso muito mais criatividade para içar as novas velas de uma trilogia inédita e forte.

Nota: 7,0

por Gabriel Meyohas

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