2011, Cinema, Críticas

Kung Fu Panda 2 (2011)

A nova animação da Dreamworks é diversão garantida para os pequenos, mas com aprofundamento dramático superficial


Na continuação de Kung Fu Panda, acompanhamos novamente as peripécias do glutão e preguiçoso panda Po (Jack Black), numa nova missão para provar sua honra e manter a paz na China. Dessa vez, ele terá que impedir que um novo vilão possa expandir seu domínio tirano. A mudança na direção do filme – anteriormente a dupla Mark Osborne e John Stevenson – é perceptível. A novata Jennifer Yuh (que é mais conhecida por seus trabalhos como diretora de arte) dá ao filme um toque artístico realmente impecável.  É provável que tenha visitado com mais frequência o escritório de produção de arte do filme. A harmonia cromática do vale protegido pelos sete mestres é de encher os olhos. A incidência da cor dourada (representando momentos de glória) é perfeita e o design das montanhas, rios e construções do vale é louvável. Todo esse espectro de cores básicas contrasta com o vermelho excessivo, sufocante e fumacento (a nebulosidade do passado de Po) da cidade de Gongmen, quando governada pelo terrível Lord Chen (Gary Oldman). A fotografia que por um lado acerta em sempre representar os seis heróis envoltos em silhuetas de luz provindas do sol, falha ao manter o filme num tom escuro por muito tempo. O que pode chatear as crianças.

O roteiro, assinado novamente por Jonathan Aibel e Glenn Berger, é inferior ao seu antecessor. As sequências de ação (ainda que bem produzidas) são muito constantes no filme, há poucas sequências reflexivas (existem apenas dois momentos no filme que dão um nó na garganta). O conceito de família, amor e orgulho é bem passado, mas sem muito aprofundamento.  A insistência do roteiro em inserir gags a todo tempo, faz perder um pouco a imersão emocional do espectador. A penúltima cena (o encontro de Po com seu pai ganso), no entanto, dosa bem as duas vertentes e finaliza a película dignamente. A quantidade enorme de personagens, em especial os mestres, faz com que alguns deles sejam negligenciados pela narrativa (como é o caso da garça ou da víbora). Mestre Shifu (Dustin Hoffman) é um ótimo personagem que também aparece pouco. E com toda certeza, Mestre Oogway faz muita falta. Inseri-lo em alguma aparição extraterrena não teria sido má ideia.

A tigresa (Angelina Jolie) tem um destaque maior na continuação e Po é um protagonista que esbanja carisma, principalmente em sua forma ‘filhote’.  Entre alguns outros aspectos está uma utilização interessantíssima do 2D como artifício ilustrativo para se apresentarem os flashbacks (algo pouco usado no primeiro filme e bem desenvolvido nesse). Além disso, a produção vai além e mistura os dois campos de animação fazendo de cenas (como a da explosão de fogos de artifício ou a elipse da viagem) fantásticos deleites visuais.
A trilha sonora de Hans Zimmer e John Powell é bem pontuada e o belíssimo tema “Hero” ilustra e engrandece cenas importantes. A dublagem brasileira também é bem realizada, e Lúcio Mauro Filho dá vida a um Po fiel ao original e cheio de “shows de bola” bem acrescentados.

A Dreamworks cada dia age mais sob um único mote: “vamos pela quantidade”. Naturalmente, o número excessivo de continuações não programadas, gera o desgaste dos personagens.  Apesar de tudo, o estúdio não faz feio, pelo contrário, sempre nos entregam filmes bem divertidos, porém a ousadia fica longe de suas continuações. Falta a eles acreditar em seu potencial. Faltam sessões interruptas de brainstorm.

Nota: 7,5

por Gabriel Meyohas

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