2011, Cinema, Críticas

Foo Fighters: Back and Forth (2011)

Mesmo simples, documentário sobre Foo Fighters consegue mostrar de maneira eficiente a história de uma das maiores bandas da atualidade


Quando no dia 8 de Abril de 1994, o corpo do astro Kurt Cobain fora encontrado em sua casa, ensangüentado e com uma arma apontada para o céu de sua boca, uma das bandas mais influentes daquela década deixava de existir. Não bastasse ser o vocalista, guitarrista e compositor, Kurt era sem dúvida o Nirvana em pessoa. E se isso é algo que geralmente ocorre em um número considerável de bandas, ou seja, o vocalista sempre é a ‘atração principal’, no caso de Kurt Cobain esse sistema era multiplicado. Ao mesmo tempo em que Cobain embalava fãs com sua rouquidão em hits como Smells Likes Teen Spirit, mostrava um árduo convívio com o fato de ser famoso e também com os outros integrantes da banda. Ah, se você não sabe, o Nirvana também era composto (em sua formação definitiva) pelo baixista Krist Novoselic e pelo baterista Dave Grohl….
E como o próprio documentário Foo Fighters: Back and Forth faz questão de ressaltar, é impossível contar a história do Foo Fighters sem antes esbarrar no término precoce do Nirvana. Muito mais do que o mesmo estilo grunge, um de seus integrantes, o último a adentrar na banda, aquele mais desconhecido, com cara de nerd e poucos amigos, gravaria sozinho um CD com canções que somente o próprio tinha conhecimento e estavam ‘escondidas’ durante todo esse tempo. Foi então assim, quase que como um remédio para aliviar a dor da morte de um companheiro e o afastamento dos palcos, que Dave Grohl, (lembram dele?) lançou o primeiro disco do Foo Fighters.

É com esse pontapé inicial que o premiado diretor James Moll adentra sua produção em um contexto já conhecido por boa parte de seu público. Talvez o grande diferencial de Back and Forth reside na crueza da apresentação da história da banda, não tendo receio em apresentar fatos desconhecidos, como a expulsão do baterista William Goldsmith, detalhes que certamente nos deixam pensando: ‘Poxa, isso realmente aconteceu’. E a resposta é óbvia, já que mesmo criando, nesta passagem específica, uma certa antipatia pela atitude de Dave Grohl, nos sentimos confortados a observar que nada fora colocado de baixo do tapete e escondido do fiel público da banda. Isso se chama respeito, e James Moll faz questão de entrevistar todos integrantes e ex-integrantes da banda.
Com tudo, não devemos deixar de ressaltar que Back and Forth é bem simplista em sua estrutura, utilizando um molde já estabelecido em documentários do gênero, uma atitude, ok, que deva ser ponderada, mas que não deixa de ser no mínimo frustrante: o vencedor do Oscar por The Last Days, James Moll, poderia tentar algo diferente. Mas isso não chega a atrapalhar, apenas é de se esperar que uma banda diferenciada tenha também uma visão inovadora.

Vocês já devem ter percebido que quem fala aqui é um fã, então mesmo com a antipatia por situações como a do baterista William Goldsmith, ou por sua estrutura básica, ver Dave Grohl gravando a canção These Days em sua casa, enquanto sua filha de cinco anos o cutuca e reclama: ‘Papai, você prometeu que iríamos nadar’ é de fato emocionante.
Utilizando vídeos caseiros até então inéditos, Back and Forth se estabelece como um ótimo programa para os fãs, transcorrendo por momentos significativos da banda, desde suas brigas, a constante troca de integrantes, até momentos dramáticos como a overdose de Taylor Hawkins. Encerrando-se com a gravação do novo CD Wasting Light, James Moll consegue enfim atingir o ápice da produção, mostrando a fundo o processo deste atípico projeto, afinal o CD além de gravado em uma garagem, foi também projetado em fitas analógicas, sem a utilização de computadores que ‘mascaram’ boa parte das atuais músicas.

Em função de uma forte mobilização na internet, o Mobz trouxe o documentário em diversas salas de cinema, uma atitude surpreendente e louvável. Mais do que isso, também pudemos acompanhar a divulgação do novo CD, em uma apresentação com todas as onze músicas tocadas seguidamente, sem platéia nem algo do gênero, apenas os solitários cinco integrantes da banda, acompanhados é claro por seus instrumentos, tudo filmado na tecnologia 3D.
Tendo então uma estrutura simples, mas que consegue conversar com seu público de maneira correta, Foo Fighters: Back and Forth muito mais do que uma homenagem a Dave Grohl, Taylor Hawkins, Nate Mendel, Chris Shiflett e Pat Smear, é um presente aos fãs que desde a conturbada morte de Kurt Cobain, até o lançamento do primeiro CD do Foo Fighters, sentiram um imenso vazio. E que bom acompanhar a trajetória de uma banda que foi muito além do que boa parte dos céticos julgavam na época: Apenas uma forma de capitalizar o suicídio de Cobain. Não só isso, ir além do que o Nirvana conseguiu, e hoje, receber o status de uma das maiores bandas de Rock da atualidade.

Nota: 8,0

por Filipe Ferraz

2 thoughts on “Foo Fighters: Back and Forth (2011)”

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