2011, Cinema, Críticas

Cilada.com (2011)

Apesar de notáveis esforços, Cilada.com é completamente sem graça


Vire e mexe temos estampado nos cartazes dos cinemas as tão queridas comédias românticas. Não é tão difícil também, encontrar no mercado brasileiro de comédias um grande preenchimento deste espaço reservado, produções essas, que em inúmeras vezes tentam utilizar a fama de seus atores para atingir o tão esperado lucro. Cilada.com é mais uma dessas intermináveis comédias românticas nacionais que, mais uma vez, decepciona ao não conseguir nem ao menos cumprir sua proposta de divertir, nos levando a uma pergunta: Qual o prazo de validade desta ‘safra’ de comédias brasileiras?

Você já deve ter ouvido, ou quem sabe até mesmo falado, que o cinema nacional, resumidamente, não presta. Isso já virou até mesmo uma frase clichê por boa parte deste público já bem acostumado com as produções hollywoodianas. Pois bem, deixemos claro então que o cinema brasileiro é um dos mais diversificados do mundo, isso mesmo, com opções que vão desde as mais artísticas até os retratos da pobreza de nossa sociedade. Ora, então o que leva uma maioria esmagadora classificá-lo como uma porcaria? Sua distribuição.
Não bastasse a árdua tarefa de conseguir inúmeros patrocinadores e arranjar uma brecha em algum festival país afora, inúmeras produções que não possuem nomes conhecidos por de trás, precisam ainda encontrar distribuidoras interessadas, e isso, obviamente, não é nada fácil. Restando então apenas aos filmes produzidos sob a tutela da Globo Filmes, uma distribuição em âmbito nacional. E se tais filmes são produzidos pela empresa, seus atores globais e diretores novelísticos são as figuras preponderantes que chegam ao grande público pela TV e cinema, nos deixando então essa ingrata sensação de que os únicos seres capazes de produzir Cinema no Brasil pertencem a Globo. Aqui não vai nenhuma crítica a produtora, ela está no direito dela em escolher quem bem entende para conduzir seus projetos, porém cabe as distribuidoras passarem a olhar com um pouco mais de carinho os inúmeros trabalhos de baixo-médio porte que nossos cineastas, praticamente anônimos, produzem.

Sendo assim, ao mesmo tempo em que fãs e simpatizantes de elementos globais já conhecidos são atraídos, boa parte do público que não os agüentam na TV, quanto muito no cinema, vão se afastando gradativamente, deixando no colo dos produtores a seguinte balança entre o sucesso comercial e uma qualidade cinematográfica cada vez mais precária. Tony Ramos, Glória Pires, Fiuk e agora Bruno Mazzeo usam suas carreiras televisivas para atraírem para o cinema o que foi retratado acima: Lucro, porém ineficácia.

Dirigido por José Alvarenga Jr. (Divã), na história elaborada por Rosana Ferrão e o próprio Bruno Mazzeo, que já haviam trabalhado juntos no recente Muita Calma Nessa Hora, Fernanda (Paes Leme) depois de traída e exposta a uma enorme vergonha em público, decide se vingar de seu namorado Bruno (Mazzeo), sacaneando ao colocar um vídeo na internet onde os dois transam e Bruno tem uma ejaculação precoce. Buscando agora sua vingança, Bruno vai atrás de inúmeras mulheres para que elas possam ‘ajudá-lo’ a acabar com essa sua reputação…zinha.
Pessimamente elaborado por sua dupla de roteirista, a trama se estabelece em situações pouquíssimas criativas e acima de tudo, absolutamente sem graça alguma. Destaque para uma incompetência imaginativa, com o perdão do trocadilho, inimaginável ao não conseguir elaborar uma reconstrução da personagem de Fernanda Paes Leme minimamente plausível, ao resumir este seu perdão apenas a uma simples atitude de Bruno Mazzeo: Dizer eu te amo. Além de um grau criativo nulo ao utilizar este artifício digno de uma peça teatral de maternal, se Bruno durante todo o filme SABE que basta ele dizer ‘Eu te amo’ para reconquistar sua garota, porque não diz? Ele não estaria emocionalmente preparado para dizer essas palavrinhas mágicas! Ok, partiremos deste pressuposto fantasioso, então o que o faz ter essa força posteriormente? Nesta sua ‘superação dramática’ (com aspas infinitas, por favor) simplesmente não existe um pingo de desenvolvimento.

Não bastasse essa sua extrema incompetência em sua trama, Cilada.com ainda é completamente sem graça, tirando ao longo de sua duração pouquíssimas risadas. Ao apostar apenas no carisma de seus atores principais, a produção parece perdida ao tentar piadas sempre com um teor sexual exposto, o que parece uma tática banal em arrancar algumas risadas do público.
Entretanto devemos ressaltar um enorme esforço deste elenco que tenta a todo o custo transformar tais situações em passagens eficientes. Bruno Mazzeo incorporando o mesmo papel nesta sitcom de mesmo nome, tenta a todo modo utilizar facetas e sempre com uma cara de desiludido. Fechando o trio principal, encontramos os esforçados Fernanda Paes Leme e Sérgio Loroza. Com participações menores, mas não menos eficientes, encontramos Alexandre Nero, Thelmo Fernandes, Augusto Madeira e Marco Caruso

Apenas mais uma comédia brasileira, fraca e sem graça, que chega aos cinemas, Cilada.com peca drasticamente e fundamentalmente ao conter piadas ineficientes e também a não conseguir elaborar uma história minimamente plausível.
Parecendo mais um episódio estendido da série televisiva, Bruno Mazzeo e seus companheiros, mesmo esforçados em tentar ao menos cumprir suas pretensões de divertir, não conseguem se distanciar do fracasso de outras produções do gênero que lotam as sessões de todo o país… Mais um motivo para na saída do cinema você escutar: ‘É, o cinema nacional não presta.’

Nota: 3,0

por Filipe Ferraz

Um comentário em “Cilada.com (2011)”

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