Os Pinguins do Papai (2011)

Prazer, Jim Carrey


Se você já viu todas caras e bocas de Jim Carey, você provavelmente não é desta geração. Na principal fase de sua carreira, o astro divertiu o público infantil mundo afora com os clássicos Ace Ventura, O Maskara e Id e Ota. Tempo depois, salve alguns trabalhos bem isolados como Sim Senhor e Eu, Eu Mesmo e Irene, Jim Carey se afastou completamente do seu sempre fiel público. Aquelas crianças cresceram e pouco se importam se ele continuará ou não afastado. Porém, porque a garotada desta geração não pode ter esse gostinho também? E é com surpresa destes que foram ver Os Pinguins do Papai e que jamais haviam visto Jim Carey, quanto muito no cinema, descobrirem essas suas caras e bocas…
Um exercício altamente válido para produções com esse teor infantil, sem dúvida é buscar sessões com um grande número de crianças, assim, diversas situações aparentemente bobas, na verdade são eficientíssimas, afinal, preponderantemente, a quem o filme é direcionado?

Tom Popper (Jim Carrey) é um especialista em comprar imóveis antigos, para que sejam demolidos de forma que sua empresa possa construir modernos edifícios. Ele almeja se tornar sócio da empresa, mas para atingir o objetivo precisa cumprir uma última missão: convencer à senhora Van Gundy (Angela Lansbury), dona de um tradicional restaurante localizado no centro de Nova York, a vender o imóvel. Algo que não será nada fácil, já que ela apenas aceita vender o local para alguém que tenha princípios. Paralelamente, Popper recebe a notícia de que seu pai, um aventureiro que rodou o mundo cujo contato quase sempre foi através do rádio, faleceu na Antártida. No testamento ele deixa para o filho um pinguim, entregue em uma caixa refrigerada. Sem saber o que fazer, Popper resolve ficar com ele após perceber a afeição que seus filhos nutrem pelo animal.

Os Pinguins do Papai está longe de uma comédia memorável, nem mesmo consegue chegar perto de outros trabalhos de Jim Carey, porém como um longa infantil servirá como uma boa pedida para as crianças, que sairão alegres graças a leveza com que a história é distribuída. Analisando mais profundamente devemos destacar a trama já conhecida, com várias forçações de barra, como por exemplo, quanto ao relacionamento, ou no caso a falta dele, do personagem de Carey e seus filhos, assim também como a atração pouco provável por sua ex-esposa.
Baseado no romance de Florence e Richard Atewer, o roteiro escrito pelo trio Jared Stern, Sean Anders e John Morris (tendo estes dois últimos creditados ao excelente A Ressaca e os eficientes Sex Drive: Rumo ao Sexo e Ela é Demais pra Mim), estrutura então sua trama de forma bem simples, deixando-a praticamente em segundo plano, já que o grande atrativo do longa é claramente o convívio inusitado entre o Sr. Popper e seus pinguins. Sabendo escolher boas opções, o diretor Mark Waters (Meninas Malvadas) procura estabelecer que o desenvolvimento da comicidade se dê por meio de situações, e não necessariamente pelas piadas. Isso, por mais que pareça irrelevante e no mínimo óbvio, é de extrema importância para que a produção não fique maçante.

Incorporando então um especialista bem perspicaz na compra de imóveis, Jim Carey usa e abusa de suas velhas táticas com caretas e uma postura corporal sempre espalhafatosa, e mesmo que não apresente nada de novo, (repito, para alguns), continua sendo engraçado. Completa o elenco, sem grande brilho, interpretando a ex-esposa de Popper, Carla Gugino (Watchmen – O Filme); a experiente Angela Lansbury (Sob o Domínio do Mal) que vive a dona do restaurante que será demolido; Clark Gregg (o agente da SHIELD nas produções Marvel), Jeffrey Tambor (O Grinch), Philip Baker Hall (O Informante) e a excelente Madeline Carroll, que daqui um tempo certamente estourará, já que na verdade é visível o talento da garota 15 anos, que recentemente estrelou o espetacular O Primeiro Amor.

Certamente deve ser relevado por suas baixas pretensões, ou seja, divertir de forma descompromissada, colocando até mesmo algumas pitadas ‘dramáticas’ bem leves, principalmente entre o convívio de pai e filho, o que certamente atingirá em cheio o público alvo da produção. Se apresentando então a inúmeras crianças, Jim Carey em Os Pinguins do Papai pode estar longe de seus melhores momentos, porém para muitos, estes ‘momentos’ sequer existem. No primeiro contato com um astro de outro tempo, o público infantil desta geração encontrará no Sr. Poppers e em seus carismáticos pinguins um programa excelente, tendo então este direito mais do que justo: Conhecer Jim Carey!

Nota: 5,5

por Filipe Ferraz

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