[Especial] Harry Potter

Uma análise retrospectiva da saga Harry Potter


. A MENTE POR TRÁS DA HISTÓRIA

No futuro, quando alguém citar os autores que marcaram a literatura infanto-juvenil através dos tempos, é provável que esteja entre eles, o nome da britânica Joanne Kathleen Rowling. A escritora, a partir de uma ideia original e repleta de possibilidades, construiu um dos maiores fenômenos literários de todos os tempos e a mais lucrativa franquia de filmes já vista. Em 1990 enquanto viajava de trem, “Harry Potter simplesmente surgiu na sua cabeça”. As aventuras dos três aprendizes de feiticeiro na escola de magia e bruxaria de Hogwarts trouxe, como uma das suas mais importantes contribuições, a recuperação do hábito de leitura entre as crianças e adolescentes. Ponto para Rowling, pois a evolução midiática dos últimos dez anos tornava sua missão ainda mais difícil. A partir do primeiro livro (já um recorde de vendas) a escritora revelou que a história do pequeno bruxo seria contada através de sete volumes.

O MENINO QUE SOBREVIVEU E SE TORNOU FAMOSO NO MUNDO INTEIRO
Único sobrevivente de um ataque que matou seus pais quando ainda era um bebê, Harry Potter (Daniel Radcliff) foi criado pelos seus tios “trouxas” (a designação dos não-bruxos). Aos onze anos, como de praxe a todo bruxo, recebe uma carta o convidando a estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Entre outros jovens feiticeiros, Potter faz amizade com a sabichona Hermione Granger (Emma Watson) e o leal Ron Weasley (Rupert Grint). Guiado pelo sábio mago Alvo Dumbledore (Richard Harris e posteriormente Michael Gambon), Potter terá que adquirir a experiência necessária para o dia em que enfrentará o bruxo das trevas Lorde Voldemort (Ralph Fiennes), cuja volta é iminente.

. A PEDRA FILOSOFALO sucesso de crítica e público de “A Pedra Filosofal”, o primeiro capítulo da série, fez com que a história ganhasse uma legião imensa de fãs que através dos anos acompanharam o jovem bruxo na sua jornada. Em 2001, produzido pela Warner Brothers, o primeiro filme baseado na série, chegou aos cinemas. A única das exigências da autora para com os filmes, era a utilização de um elenco 100% britânico. Aceito o desafio, coube ao diretor Chris Columbus a tarefa de levar “A Pedra Filosofal” para as telas. Além dos já citados, o elenco ainda contava com estrelas consagradas do cinema britânico como Alan Rickman no papel do enigmático e soturno professor Severo Snape; Maggie Smith como a protetora e severa Minerva McGonagall e Robbie Coltrane como o fiel e coração mole Rúbeo Hagrid. O filme ainda apresenta um design de arte esplêndido, e uma belíssima trilha sonora composta pelo veterano John Williams. O primeiro volume da série arrecadou quase 1 bilhão de dólares em bilheteria no mundo todo, trazendo status de fenômeno à história do bruxo.

. A CÂMARA SECRETAEm 2002, foi a vez de “A Câmara Secreta” chegar aos cinemas. Novamente sob a direção de Chris Columbus, o filme inseriu novos astros no elenco como Jason Isaacs (no papel do vilão Lúcio Malfoy) e uma participação em CGI especial. O elfo-doméstico Dobby entrava na série tentando impedir o retorno de Potter à escola, pois um plano tenebroso era tramado. Mais uma vez Voldemort tentava retornar ao mundo dos vivos. Ataques misteriosos aconteciam na escola de Hogwarts e Harry Potter era acusado de estar envolvido. Junto com seus dois amigos, Potter deve tentar a todo custo provar sua inocência e impedir o retorno daquele-que-não-se-deve-nomear. Com um lucro um pouco menor que o seu antecessor, Câmara Secreta arrecadou 876 milhões de dólares.

. O PRISIONEIRO DE AZKABAN

“O Prisioneiro de Azkaban” foi o terceiro episódio da franquia. A história trazia as descobertas sobre o passado de Harry e sobre o homem que supostamente teria traído seus pais. Sirius Black (Gary Oldman), o prisioneiro de Azkaban, na verdade era padrinho de Harry e o verdadeiro traidor era Pedro Pettigrew (Timothy Spall) o animago que servia ao lorde das Trevas.

A mudança de diretor para o mexicano Alfonso Cuarón trouxe à série um clima mais sombrio e ‘halloweenesco’. Cuarón não hesitou em mudar vários elementos da ambientação na escola de Hogwarts, tornando-a um lugar mais irregular e bem divergente da versão classicista e dourada dos dois filmes anteriores. A evolução e mudança foram benvindas, uma vez que o trio de feiticeiros também começava a partir daquele momento a enfrentar dilemas e desafios cada vez mais adultos. A direção de arte mais uma vez ilustrava com maestria os sentimentos de seus personagens. Prisioneiro de Azkaban ainda trazia como estreias no elenco David Thewlis (Professor R.J.Lupin) e Emma Thompson (Profa. Sibilla Trelawney). Os dementadores e a forma de proteção contra eles formaram outro novo conceito apresentado no filme. É nesse capítulo também que a saga sofre uma substituição em seu elenco inicial (a única). O ator Richard Harris falece entre as gravações de Câmara e Prisioneiro, seu substituto é o irlandês Michael Gambon. Prisioneiro de Azkaban apresenta o primeiro passo dos protagonistas rumo à vida adulta e com ele as descobertas do terrível passado que aconteceu antes deles nascerem. O filme arrecadou 770 milhões de dólares.

. O CÁLICE DE FOGOEm “O Cálice de Fogo” o fanatismo mundial já estava mais do que consolidado. Cabia dessa vez ao diretor Mike Newell adaptar o quarto capítulo da saga potteriana para as telas. Mesclando a Hogwarts sombria de Cuarón com o aspecto acolhedor da escola apresentada no início por Columbus, Newell construiu um clima sóbrio e coerente para o filme mais “aventuroso” da série. O quarto filme conta a história do torneio Tribruxo, uma competição que reúne as principais escolas de magia numa série de competições mágicas perigosas. Harry Potter é misteriosamente selecionado para participar e uma série de perigos começa a acontecer. É também o ano em que o romance entra com força na história e as picuinhas de descoberta do amor adolescente garantem o humor. Com um desfecho importantíssimo para o decorrer da saga (é em Cálice de Fogo que Voldemort retorna) o filme, assim como o livro, é um dos mais adorados pelos fãs e arrecadou no cinema 895 milhões de dólares.

. ORDEM DA FÊNIX“A rebelião começa”, diz o slogan do quinto filme da série. Com a volta de Lorde Voldemort, uma guerra começa a ser arquitetada e exércitos são recrutados de ambos os lados. Cada vez está mais próximo o momento em que Harry terá que enfrentar Voldemort em um confronto que será definitivo para o destino do mundo. O ministério da magia (em conflito político com Alvo Dumbledore) passa a interferir de modo significativo na escola de Hogwarts. O diretor é substituído pela retrógrada e tirana Dolores Umbridge (Imelda Stauton), que transforma a vida no lugar em uma ditadura. Se opondo à tirania de Umbridge, os alunos (liderados por Harry) formam a “Armada de Dumbledore”, uma organização que visa o treinamento de defesa contra as artes das trevas e a preparação para os tempos sombrios que estão por vir.
É o primeiro capítulo dirigido por David Yates, que daqui pra frente dirige a saga até o final. A trilha sonora ficou por conta do também estreante Nicholas Hopper. O filme arrecadou U$ 938 milhões no mundo todo.

. ENIGMA DO PRÍNCIPEUm dos filmes de Harry Potter mais aclamados pela crítica mundial, Enigma do Príncipe trouxe de vez a temática adulta aos filmes do bruxo. Talvez seja o capítulo mais dramático da série. Nele, Dumbledore começa a mostrar a Harry o passado de Voldemort. Enquanto isso um plano de assassinato é tramado, e no fim do filme uma grande traição se dá. Traição que muda por completo o rumo da série. O professor Severo Snape, o mais ambíguo dos personagens de J.K. Rowling, tem muito (ou pouco) de seu verdadeiro caráter revelado. E Harry junto com Dumbledore começam a descobrir o caminho para acabar com Voldemort de uma vez por todas. A história tem um clímax impactante, é novamente dirigida por David Yates e arrecadou 933 milhões de dólares.

. RELÍQUIAS DA MORTE: PARTE 1Ao fim de Enigma do Príncipe foi anunciada a divisão da última parte da saga potteriana em dois filmes. Relíquias da Morte: Parte 1 estreou em 19 de novembro de 2010. O início do apoteótico final da série apresentou filme que explorou e levou ao limite a relação entre os seus personagens. Com uma guerra tomando conta do mundo da magia, mortes acontecem de todos os lados e o perigo é constante. Harry, Ron e Hermione estão sozinhos num mundo em conflito e cheio de perigos, procurando pelas misteriosas horcruxes. A fotografia repleta de cores mortas conduz o espírito amedrontador que envolve a película. E se nos outros filmes não tivemos a oportunidade de conhecer a fundo a personalidade de Lorde Voldemort, nesse, podemos ver sua maldade avassaladora e sua calma psicótica ao conduzir, por exemplo, a alimentação de sua cobra de estimação. Isso, aliás, é algo totalmente admirável nessa adaptação. O terror e a tensão são presentes à todo momento. Estamos longe de Hogwarts e da proteção do diretor Alvo Dumbledore (agora morto). Voldemort é uma ameaça sempre presente. A cena final dessa primeira parte não poderia construir uma deixa maior do que a que faz para o desfecho definitivo. O filme arrecadou U$ 954 milhões pelo mundo.

. A MÚSICA DE HARRY POTTERQuatro compositores construíram o mosaico de melodias que embalaram a saga do pequeno bruxo. Os três primeiros filmes foram embalados pela batuta do mestre John Williams. Famoso por compor trilhas inesquecíveis, Williams marcou para sempre o lugar de Harry Potter na história do cinema ao criar a belíssima e icônica “Hedwig’s theme”. Outras vieram depois dessa como “Double Trouble”, “A Window to the Past”, “Fawkes, the Phoenix” e “Harry’s Wondrous World”, mas é impossível não lembrar das descobertas do pequeno bruxo e de sua escola cheia de surpresas e professores excêntricos quando se ouve ao Tema de Hedwig.

No quarto filme coube a Patrick Doyle compor a trilha sonora. Com melodias fortíssimas e temas edificantes, Doyle compôs uma trilha para ilustrou perfeitamente os terríveis desafios do torneio Tribruxo e a volta daquele-que-não-se-deve-nomear. Músicas como “Underwater Secrets”, “Voldemort” ,“Harry in Winter” e “The Story continues” marcaram a trilha do quarto volume da série.

Em “Ordem da Fênix” e “Enigma do Príncipe” Nicholas Hopper entendeu perfeitamente o caminho mais sóbrio que a saga estava tomando. Porém, como um bom compositor manteve os temas otimistas que conduziram os outros filmes. Destaque para a canção “In Noctem”, do sexto filme, que representa um terrível acordo feito por dois personagens importantes da série.

Coube a Alexandre Desplat compor as trilhas dos dois últimos filmes da saga. O compositor trouxe mais minimalismo e uma quantidade extrema de sentimento em suas melodias. Canções como “Obliviate”, “Snape to Malfoy Manor”, “Statues” e “Lilly’s theme” ajudaram a passar com bastante clareza o clima de urgência e perdas dos dois últimos filmes e o final apoteótico da parte 2.

. DIREÇÃO DE ARTEA direção de arte da série Harry Potter é um dos maiores êxitos da saga. Com criatividade para criar os objetos e lugares fantásticos do universo de J.K.Rowling, os designers de produção construíram durante a saga um mosaico de excentricidades e maravilhas. Abaixo alguma das imagens de arte.


por Gabriel Meyohas

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