2011, Cinema, Críticas

A Inquilina (2011)

Exercício de tensão sem personalidade


Uma infinidade de filmes, sabendo já de suas limitação criativas e artísticas, costumam não se importar em entregar algo diferente ou que pelo menos consiga se distanciar do usual. Quando estamos falando de terror/suspense essa fórmula é ainda cada vez mais repetida, visto que boa parte de seu fiel público busca apenas flertar com sustos, gritos e perseguições, pouco se importando se tais atitudes dos personagens fazem algum pingo de sentido. Costumo chamar esses ‘passeios’ como um exercício de tensão, banal é verdade, mas que de vez em quando pode servir para satisfazer quem apenas quer se divertir. Você entra na sala de cinema, assiste a uma produção que lhe oferece uma história imbecil, mas bons sustos, entregue isso, uma grande maioria sai satisfeita com o que lhe é oferecido. A Inquilina é uma tentativa deste tal ‘exercício de tensão’, mas sua falta de personalidade é tamanha (será que a intenção era um suspense psicológico?), que é difícil encontrar alguém que saia satisfeito dos cinemas.

O diretor Antti Jokinen busca utilizar uma infinidade de artimanhas que serviram apenas para esculachar seu próprio trabalho. Vejam bem, no roteiro borrado (escrito?) pelo próprio, em parceria com o também desconhecido Robert Orr, logo somos apresentados a Julliet, interpretada pela ótima Hilary Swank, mas que parece ter aceitado esse papel apenas para mostrar suas curvas e demonstrar que está em boa forma física. Médica, Julliet logo se mostra uma pessoa no mínimo tapada, já que não consegue perceber que existe um cidadão de 2 metros de altura perambulando por seu novo apartamento, que vejam bem, foi quase lhe ‘dado’ por este. Tanto é verdade que um cachorro com sua visão periférica debilitada, com apenas dez segundos, já consegue perceber que o Javier Bardem fake (Jeffrey Dean Morgan) é um tanto quanto delinqüente e nada discreto em suas ‘bisbilhotadas’. Não bastasse ser estúpida acordada, Julliet ainda parece dormir como uma porta… Ah, esperem, o roteiro faz questão de explicar que o personagem Max (Dean Morgan) ‘batiza’ o vinho que sempre lhe dá de presente, nos fazendo bater palmas pela incrível sensibilidade do rapaz que apenas com um olhar no crachá da doutora já consegue descobrir que ela é alcoólatra, afinal deve beber 15 taças de vinho por dia, que está solteira e pronta para se jogar para o primeiro barbado que aparecer em sua frente, e claro, não podemos nos esquecer também do ponto principal! Ela é uma idiota.

Armando então logo com dez minutos de projeção seu ambiente ‘claustrofóbico’ (me dirijo agora a crianças de quatro anos de idade) A Inquilina, não bastasse sua história sem aprofundamento algum (o que leva Max a agir de tal forma?), não consegue nem ao menos simpatizar seus personagens, para que primeiro, nos importemos com seus destino, eu pelo menos torcia para que Hilary Swank tropeçasse logo e quebrasse o pescoço para acabar o filme, e segundo, não conseguir criar um ambiente de tensão… Antti Jokinen ainda utiliza situações óbvias como a janela que cai causando susto; o vilão que se ‘camufla’ na sombra; o trem que passa por de baixo do apartamento e estremece o local todo; Christopher Lee com cara de louco, sempre acompanhado por uma trilha dizendo: “Ele é o assassino!! Mas faz de conta, só estamos tentando criar uma situação frenética”; além do hilariante take IDÊNTICO ao de A Hora do Pesadelo quando Swank está na banheira… Me segurei para não soltar um spoiller dizendo que as garras de Freddy Krueger surgiriam…

A trilha sonora elaborada por John Ottman, que até possui bons trabalhos como em Os Suspeitos e O Amigo Oculto, parece querer assinar todas as cenas, tentando a todo o momento enfatizar o que está acontecendo, e não complementar e elaborar um clima decente. Guillermo Navarro, vencedor do Oscar por O Labirinto do Fauno elabora uma fotografia adequada, comum é verdade, mas que não deixa de ser eficiente, sendo um dos poucos pontos altos do filme.
Tendo em vista sua grande falta de personalidade, o longa procura ainda uma boa alternativa, ao expandir as visões não só para a protagonista, mas também para o perseguidor; entretanto o que a princípio parecia uma sagaz atitude, se mostra horrível, servindo apenas para escancarar o quão absurdo e mal trabalhado é o personagem de Jeffrey Dean Morgan, já que sua dupla de roteiristas acredita fielmente que apenas algumas colagens de jornais sejam capazes de dimensionar Max. Então de que adianta mostrar dois pontos de vista se a obra em si é horrível? Um vaso feio, olhado de frente ou de lado continuará sendo feio, certo?

Sendo assim, ao vermos a produtora Hammer, famosa por entregar obras eficientes de terror, depois de declarar falência na passagem das décadas de 70 e 80, tentando se reerguer com uma produção deste porte chega a ser vergonhoso. Salvando-se poucos momentos, A Inquilina é um completo desperdício de elenco, de tempo e de um destes exercícios práticos tensionais para uma grande parcela do público. Ao não conseguir criar um ambiente psicologicamente perturbador, o que teoricamente seria o ideal para uma produção que se restringe a um local fechado (o apartamento), o longa parece tentar fugir para sustos banais, tão ineficientes quanto todo o resto deste fraco exemplar sem personalidade.

Nota: 2,0

por Filipe Ferraz

3 comentários em “A Inquilina (2011)”

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