2011, Cinema, Críticas

Capitão América: O Primeiro Vingador (2011)

O glorioso América de Simon, Kirby, Lee e Johnston


Os primeiros quadrinhos que traziam o Capitão América como protagonista nasceram sob o mote de encorajar soldados norte-americanos durante a Segunda Guerra. A terra do Tio Sam necessitava de uma fonte de lazer com ideologia embutida e que alcançasse os longínquos acampamentos militares. Coube aos cartunistas Joe Simon e Jack Kirby criarem o herói mais patriota e simbólico de todos. Batizado em meio à efervescência do American Way of Life e suas garotas-propaganda de bochechinhas rosadas, o América logo cumpriu seu propósito.

No que diz respeito aos seus filmes,  a Marvel sempre nos entregou boas aventuras que ficam acima da média. E a contratação do diretor Joe Johnston (Jumanji, Mar de Fogo) para “Capitão América: O Primeiro Vingador” não poderia ter sido mais acertada. Johnston conduz boas cenas de ação e as equilibra com um desenvolvimento correto de seus personagens. Além disso, para os iniciantes no universo do América, a maneira que a identidade verdadeira do Caveira Vermelha é revelada é notável. (Repare nos pincéis com tinta vermelha quando um artista faz um retrato do vilão e o mesmo aparece com o rosto envolto em sombras).  A versão para as telas do polêmico herói, não fica forçada ou ufanista e em certos momentos até ironiza esse tipo de comportamento (a belíssima sequência da música “Star Spangled Men”). Além do mais, o motivo que o leva a usar aquele uniforme tem explicação interessante na película. Chris Evans deixa para trás o seu Tocha Humana (muitos já esqueceram) e encarna com exímia dedicação o primeiro vingador. A transformação do personagem é perceptível. Reparem que quando é frágil e negligenciado (os efeitos especiais à la Benjamin Button são ótimos) o personagem solta as palavras da mesma forma que faz em sua versão forte e potente. Algo que mostra que a altivez e o heroísmo do América existiam desde quando ninguém reconhecia nele esse tipo de virtude.

Existem, no entanto, cenas que descem de maneira forçada. Como a do sacrifício pela falsa granada ou aquelaem que Peggy Carter(interpretada pela bela Hayley Atwell) chega a um bar lotado de homens com um vestido vermelho exuberante só para alertar ao protagonista dos seus horários do dia seguinte (o que soa redundante, uma vez que aquela altura já conhecemos o dom de sua personagem para a cobrança). Além disso, na mesma cena, Carter confessa que um dia gostaria de dançar com o América, uma artificialidade (porque não dançam ali mesmo?). Deixando claro que a intenção dos roteiristas era mostrar que mesmo que o problema de seu protagonista fosse a provação de seu valor, seu par romântico compensa isso tentando provar o tempo inteiro que existem sim pessoas que o reconhecem. Porém, desde o primeiro diálogo dos dois no carro isso já fica claro. A cena do bar, de construção atrapalhada poderia ser bem mais significativa para o desenvolvimento de um romance que só toma alguma solidez na última cena do casal (a nave).

Hugo Weaving nos entrega um Caveira Vermelha nascido de um roteiro que o transforma em um vilão caricatural. Ao invés da profundidade do Loki (de Thor, o Marvel anterior), Caveira surge mais parecido com o Major Arnold Toht (Ronald Lacey) de Os Caçadores da Arca Perdida. Um vilão obscuro, mas que não transmite medo em momento algum e não deixa claras as suas motivações, apesar de roubar as cenas em que está presente devido a sua bizarra aparência e a forte presença de seu intérprete.  Tommy Lee Jones apresenta uma figura sóbria e cativante, com pequenas frases irônicas aqui e ali que temperam o filme (“Eu não vou te beijar!”). Além disso, ainda temos Stanley Tucci e Toby Jones em pequenas e ótimas participações.

A direção de arte investe nos tons dourados e cores vivas em cenas passadas em solo americano e em tons frios e mortos para os alemães e o quartel general de Schidmit. Algo muito interessante e bem executado. A presença do estilismovintage , os berrantes azul, vermelho e dourado e as estrelas infinitas passam aos nossos olhos de maneira sinestésica o sonho de vitória e glória militar Americano. E se o 3D pouco influencia durante o decorrer do filme, seu uso se dá com elegância. Poucos são os momentos de bombardeio de objetos, a não serem alguns escudos vindo em direção à tela.

Surgindo como mais um dos “filmes-preparação” para o grande clímax Os Vingadores, o medo que fica é a respeito do equilíbrio exato de tantas estrelas e figuras em tela que virá com o próximo filme. A convergência de todos esses episódios cheios de deliciosos crossovers easter eggs, é o resultado de uma decisão sensata da Marvel em desenvolver cada um dos personagens em filmes solos. Para que o filme não se torne uma bagunça de personagens (um querendo aparecer mais que o outro) como o “Liga Extraordinária” de Stephen Norrington.

Capitão América é conciso e bem desenvolvido. Tem humor e ação bem dosados. Não se rende ao ufanismo barato e abraça o contexto propagandista em que foi criado, surgindo como mais uma empolgante aventura da empresa do velho Lee.  Empresa que segue confiante para nos arrebatar de vez em 2012 com a junção de todos os seus incríveis heróis. Algo que até agora foi preparado e criou consideráveis expectativas em todos os seus fãs.

Obs. Falando em Stan Lee, o mesmo está lá novamente e tem uma cena só pra ele!

Nota: 8,0

por Gabriel Meyohas

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