A Árvore da Vida (2011)

Sincero e exaustivamente belo


O filme mostra a vida, mais especificamente a infância e parte da fase adulta, de Jack, um homem oprimido que assim como qualquer pessoa normal teve acertos e falhas. O foco principal fica na relação entre ele e sua família, e mostra como a vida na Terra tem se apresentado desde o Big Bang até os dias atuais de uma maneira que envolva questionamentos da existência humana, fé e as relações entre as pessoas.

…é um filme lento, austero e solene, algo que muitas pessoas poderiam resumir em uma palavra só: ‘chato’. Pessoalmente não concordaria com esta síntese” (Isabela Boscov em sua crítica ao filme Homens e Deuses). A Árvore da Vida é um daqueles filmes em que as razões para gostar são inúmeras, bem como para desgostar. Um filme com pensamentos existenciais requer um nível de paciência para aqueles que não gostam desse tipo. Aqui nós temos um forte confronto em todo o filme da beleza e riqueza de detalhes versus monotonia e banalidade. Gostaria de deixar bem claro que achei o filme muito real e com grandes cargas emocionais muito bem distribuídas, mas onde está um dos pontos mais característicos do filme, está também o mais fraco, que é a excesso de cenas detalhistas.

As cenas da origem do planeta são belíssimas, a fotografia é belíssima, a trilha sonora é belíssima, a edição de cenas, por mais que haja demasiados cortes, também é belíssima e inteligente. Visualmente o filme é impecável e radicalmente original. Porém, por mais que a história que serve de plano de fundo para o desenvolvimento do filme seja agradável e de certa maneira carismática, ficou banalizada em vista de tamanha beleza e critério na escolha das imagens.

Hunter McCracken é um jovem ator que interpreta o personagem Jack quando criança, e é um dos destaques de A Árvore da Vida. Hunter sustenta grande parte do filme com uma técnica que muitos atores com vasta experiência não têm. Brad Pitt interpreta o pai de Jack, Jessica Chastain – outro ponto alto do filme – interpreta a mãe de Jack, e Sean Penn faz Jack adulto. O diretor Terrence Malick apresenta aqui um filme com ideias fortes e caprichado na metafísica. As comparações com 2001 – Uma Odisséia no Espaço do diretor Stanley Kubrick são quase inevitáveis. A fotografia lembra em alguns momentos as idéias de Gaspar Noé e uma cena especificamente me remeteu a um dos filmes de Fellini. Não que A Árvore da Vida tenha seguido os caminhos desses filmes, mesmo por serem deveras distintos, mas o que tento afirmar aqui é que como resultado, o filme gerou algo que, ao mesmo tempo em que conseguimos perceber referências (sejam elas involuntárias ou não), é experimental, ousado e lindo.

Utilizei as palavras de Isabela Boscov, pois acho que servem perfeitamente para A Árvore da Vida. Uns podem classificá-lo como monótono e arrastado: chato; porém outros julgarão um dos mais belos filmes já feitos. Fico em parte com o segundo grupo de pessoas, porém compreendo totalmente o primeiro. Uma coisa é certa, toda a sinceridade e dedicação são visíveis e conseguem deixar o filme mais intrigante quando esse acaba.

Nota: 8,0

por Ávila Souza

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