Os Três Mosqueteiros (2011)

Roteiro preguiçoso é parcialmente compensado com boas cenas de ação


A história de Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan poderia ter sido mais bem retratada atualmente nos cinemas. Já sabendo dessa nova onda de releituras/remakes dos últimos anos que buscam ‘humanizar’ peças conhecidas (que eu costumo chamar de período pós-Dark Knight) como pudemos observar recentemente com Robin Hood, Alice no País das Maravilhas e no futuro com Snow White and the Huntsman (Branca de Neve), fato é que Os Três Mosqueteiros, sendo visionado agora pelo diretor Paul WS Anderson, vai a contramão dessa nova linguagem mais crua empregada por Hollywood, entregando talvez a versão mais pop do clássico de Alexandre Dumas père.

Baseado no romance de Dumas, o roteiro elaborado pela dupla Alex Litvak e Andrew Davies em uma versão moderna, reapresenta os mosqueteiros Porthos (Ray Stevenson), Athos (Luke Evans) e Aramis (Matthew Macfadyen) e o jovem D’Artagnan (Logan Lerman). O jovem impetuoso e temperamental D’Artagnan precisa reunir seus três amigos e legendários mosqueteiros na tentativa de derrotar a bela agente dupla, Milady de Winter (Milla Jovovich) que, ao lado de seu abominável empregador, pretende dominar o trono francês e mergulhar a Europa numa guerra.

Tirando então como pressuposto estabelecer uma linguagem mais pop, o primeiro ponto a se destacar é o visual estilizado do longa. A fotografia de Glen MacPherson (Rambo) utiliza cores fortes, dando a estas, a todo o momento, uma focalização excessiva – atitude que apesar de com o tempo se tornar um tanto quanto enjoativa, se torna ligeiramente eficiente nas cópias em 3D, que costumam ser mais escuras. Sem medo de exagerar, a direção de arte supervisionada por Nigel Churcher, que vem de um trabalho fenomenal em Scott Pilgrim Contra o Mundo, reconstrói com firmeza os ambientes externos de Paris com castelos pontiagudos, apesar de, como relatei, também exagerar excessivamente em ambientes internos, com variações grotescas de ambientes totalmente esbranquiçados (como a corte do Catedral) até os corredores do próprio castelo.

Tentando seguir então essa mesma entoada de seu visual, o roteiro da dupla Alex Litvak e Andrew Davies tenta simplificar o máximo possível, entregando uma trama leve, onde a atenção do público possa ser levada para outras frentes, seja o visual, as cenas de ação ou a hipótese mais provável de todas: as curvas de Milla Jovovich. O grande problema é que essa alternativa parece na verdade uma escolha preguiçosa por parte da dupla. Comecemos pelo desenvolvimento rupestre dos personagens principais: D’Artagnan, interpretado de maneira inconstante por Logan Lerman (Percy Jackson e o Ladrão de Raios), que no começo em um pequeno vilarejo se mostra um rapaz ambicioso, minutos depois já aparece de maneira arrogante e ignorante desafiando os primeiros brutamontes que aparecem em sua frente, que por pura coincidência (!) são os três mosqueteiros e o líder da guarda local – ah o destino, sempre pregando peças…

Para variar, o roteiro ainda incluiu um romance inverossímil de D’Artagnan e uma falta de desenvolvimento incrível de todos os personagens – o que dizer do patético rei interpretado por Freddie Fox? – já que os três mosqueteiros em si, são meros coadjuvantes sem o menor aprofundamento e até mesmo, influência direta na trama. Matthew Macfadyen (Orgulho & Preconceito) vivendo o líder dos mosqueteiros, Athos, permanece bem à vontade em cena, diferentemente de Luke Evans (Fúria De Titãs) e Ray Stevenson (O Livro de Eli), que pouco podem fazer com seus personagens quase que terciários, os mosqueteiros Aramis e Porthos respectivamente. Mesmo com esse desenvolvimento irregular, vale ressaltar que a trama ainda consegue saídas minimamente aceitáveis, como o manuseio do plano de Christoph Waltz, que timidamente interpreta o pároco Richelieu.

Agindo como uma forma compensativa, o diretor Paul WS Anderson (Resident Evil) acerta ao elaborar sequências de ação altamente eficientes, como a primeira batalha do quarteto principal contra inúmeros guardas. Tentando explorar ao máximo a tecnologia 3D – como já havia feito relativamente bem em Resident Evil 5 – WS Anderson procura variar constantemente o posicionamento de sua câmera nos momentos de disputa corporal, assim como nos embates com espadas. E como WS Anderson restringe seu filme a luz do dia, o risco da velha escuridão presente em variáveis cópias 3D é minimizada. É uma pena que o clímax seja um tanto quanto sem criatividade, como na ‘velha’ batalha final em cima de um telhado (!)…

Entregando uma nova roupagem ao clássico de Alexandre Dumas père, Os Três Mosqueteiros apesar de desperdiçar uma boa oportunidade de se revitalizar com uma linguagem mais crua, uma corrente forte que vem se estabelecendo em Hollywood, o diretor Paul WS Anderson decide se ambientar sob uma ótica pop, com cores fortes, tramas de importância secundária e muita ação, fazendo deste, apenas um bom passatempo.

Nota: 5,0 

por Filipe Ferraz

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