A Condenação (2010)

Estrutura altamente equivocada surge como tentativa infantil de emocionar


Aproveitando o tema policial preciso fazer uma confissão: Essa é a segunda vez no ano que, no cinema, torço fervorosamente para que uma personagem de Hillary Swank caia e quebre o pescoço (“eu pelo menos torcia para que Hilary Swank tropeçasse logo e quebrasse o pescoço para acabar o filme” trecho de A Inquilina). Ok admiro a carreira de Swank, mas estes seus últimos trabalhos são escolhas dignas de serem esquecidas. A Condenação é baseado em fatos reais, narrando parte da vida de Kenny Waters, que depois de mais de uma década preso em Massachusetts, fora inocentado deixando claro como o processo jurídico norte-americano é falho.
Então na trama escrita por Pamela Gray (Música do Coração) acompanhamos a partir do momento em que Waters (Sam Rockwell) é acusado de matar cruelmente com trinta facadas uma velha senhora do bairro, conhecida como Katherine Brow. Paralelamente vamos acompanhando sua irmã, Betty Anne Waters (Hillary Swank) que disposta a livrar seu irmão da prisão e já sabendo das dificuldades de um advogado aceitar o caso, passa a cursar uma faculdade de Direito na missão de tornar-se ela mesmo responsável pelo caso.

Dentre os vários erros de A Condenação aquele mais grave é a forma com que o diretor Tony Goldwyn – do bom Um Beijo a Mais – decide estruturar sua narrativa. Com medo que o teor dramático de seu longa fosse prejudicado, o cineasta baseando-se no roteiro irregular de Pamela, busca acrescentar situações que abordam praticamente toda a vida do personagem de Waters. Erroneamente, Goldwyn aposta em um desenvolvimento melodramático artificial, ao demonstrar a infância da dupla de irmãos Betty e Kenny, com cenas apelativas – como o patético momento em que Kenny ainda quando criança é preso – em uma tentativa desesperada em nos mostrar o quão estes irmãos se amam, de maneira, eu diria, até mesmo anormal.

Comecemos pela inexplicável fidelidade de Betty por seu irmão. Já sabendo do trabalho árduo em retratar essa verdadeira prova de amizade – lembrem-se, é uma história verídica (Oh!) – Goldwyn acaba não conseguindo transparecer a confiança de Betty em seu irmão para o público. Primeiramente em NENHUM momento vemos Kenny se dizer inocente, seja no tribunal ou até mesmo em uma conversa privada com sua irmã. Todos os indícios da época apontavam para sua culpa, e como pudermos perceber, tanto quanto sua acomodação. Sendo assim A Condenação falha ao nos dar a impressão que a vontade de Kenny, na verdade, era apenas sair da prisão por não gostar de lá, e não por ter sido preso de maneira injusta. Porém obviamente alguém teria que acreditar nesta história, nada melhor então que a estúpida personagem de Betty. Desenvolvida de maneira irrisória – que mãe praticamente abdicaria de seus filhos para defender um irmão que parece ser o que menos acredita ser inocente? – a personagem vivida por Hillary Swank em momento algum consegue convencer, seja nos momentos em que almeja a absolvição de Kenny, seja em situações extremas, como em uma discussão, ou no momento nada mais que patético em que utiliza um artifício digno de Ben Stiller para convencer a uma senhora de um departamento policial…

Sam Rockwell (Lunar) que chegou a figurar em possíveis listas de premiações consegue entregar uma atuação correta, com bons momentos ao retratar de maneira eficiente a alegria e irreverência de Kenny, mas acaba sendo limitado pela focalização excessiva na personagem de Hillary Swank. Interpretando a policial corrupta Nancy Taylor, encontramos a atual vencedora do Oscar Melissa Leo (O Vencedor), que mesmo em poucos minutos consegue exercer bem seu papel, ao lado também de Minnie Driver (Gênio Indomável), como a melhor amiga de Betty, e Peter Gallagher (de O.C. – Um Estranho no Paraíso) como o especialista Barry Scheck. A ‘desaparecida’ Juliette Lewis (Assassinos por Natureza) ainda proporciona uma dos momentos mais engraçados do longa.

Repleto de problemas originados principalmente por um erro primordial em sua estrutura, A Condenação é um longa fraquíssimo que tenta apostar tanto em seu elenco que acaba entregando situações melodramáticas de encher a paciência de qualquer noveleiro. O resultado direto dessa falta de desenvoltura na especificação psicológica e emocional na personagem de Hillary Swank – carro chefe do longa –  é um desinteresse descomunal com seus objetivos na trama, sendo esta, minha grande defesa para justificar meu condicionamento no começo deste texto… É, na verdade acho melhor mesmo começar a estudar uma faculdade de Direito. Te vejo no tribunal, Swank.

Nota: 3,5

por Filipe Ferraz

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